Chega não ficou saifeito com os esclarecimentos dados por Luís Neves acerca das polémicas em que tem estado envolvido
Chega não ficou saifeito com os esclarecimentos dados por Luís Neves acerca das polémicas em que tem estado envolvidoGerardo Santos

Chega pede reunião da Comissão Permanente para ouvir ministros da Justiça e Administração Interna

O partido considera que os esclarecimentos dados por Luís Neves foram “manifestamente insuficientes, contraditórios e, em alguns casos, configurando até a confissão de ilegalidades praticadas”.
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O Grupo Parlamentar do Chega requereu esta quinta-feira, 30 de julho, ao presidente da Assembleia da República a convocação de uma reunião da Comissão Permanente na próxima semana para ouvir os ministros da Justiça e da Administração Interna, Rita Alarcão Júdice e Luís Neves, respetivamente.

De acordo com o requerimento divulgado pelo partido, o Chega pede a convocação “com caráter de urgência” do órgão que reúne quando os trabalhos parlamentares estão interrompidos, propondo como datas terça ou quarta-feira da próxima semana.

O documento assinado pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, considera que os esclarecimentos dados pelo ministro da Administração Interna na conferência de imprensa de quarta-feira foram “manifestamente insuficientes, contraditórios e, em alguns casos, configurando até a confissão de ilegalidades praticadas”.

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O partido liderado por André Ventura refere também que surgiram entretanto “novos factos suscetíveis de levantar graves suspeitas sobre o ministro visado, os quais não foram, manifestamente, objeto de esclarecimento”.

Por isso, o partido quer ouvir no Parlamento o ministro da Administração Interna para que dê mais explicações sobre as polémicas em que tem estado envolvido, relacionadas com a altura em que era diretor nacional da Polícia Judiciária, e “que afetam a sua credibilidade/ autoridade/ idoneidade para o exercício das funções que lhe estão adstritas”.

O Chega quer chamar também à Assembleia da República a ministra da Justiça, que tutela a Polícia Judiciária, “para esclarecimento aos deputados sobre factos relacionados” com a mesma questão e que estão “sob tutela do seu ministério”.

O partido refere ainda que na quarta-feira, “em espaço aberto televisivo, o líder parlamentar do PSD, deputado Hugo Soares, afirmou que a maioria que sustenta o Governo apenas se opôs à convocação da Comissão Permanente para ouvir o ministro da Administração Interna por entender que este deveria, em primeiro lugar, prestar esclarecimentos em conferência de imprensa própria”.

PS não se opõe

Entretanto, o PS já fez saber que não se oporá à realização da Comissão Permanente com os ministro da Administração Interna e da Justiça proposta pelo Chega.

“A não oposição é uma não oposição contribuindo para o consenso para que se realize. Foi assim que fizemos com a Iniciativa Liberal e aqui da mesma forma com o Chega”, disse Eurico Brilhante Dias à Lusa, fazendo referência à reunião extraordinária da Comissão Permanente do Parlamento com a presença de Luís Neves requerida pela IL e indeferida pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Brilhante Dias afirmou que a anuência a esta iniciativa “não precisa de ser expressa com votos favoráveis ou contra”, bastando que a não oposição de um partido para contribuir para o necessário consenso.

Questionado sobre se o PS estava a pensar noutro tipo de instrumentos de escrutínio, depois de o líder do partido ter dito, esta quarta-feira, que Luís Neves tinha de ir ao Parlamento em breve, o presidente da bancada socialista deu como exemplo uma audição extraordinária na Comissão de Assuntos Constitucionais.

O líder da bancada socialista ressalvou, no entanto, que “estes esclarecimentos não podem afetar” o papel do ministro de “garantir a salvaguarda do património e das pessoas" durante a época de incêndios.

Questões que permanecem

Sobre a conferência de imprensa de Luís Neves, esta quarta-feira, Brilhante Dias considerou que “há questões que permanecem”, em particular a “forma como é tomada a decisão quanto ao atrelado”, as “questões em torno da declaração de rendimentos e a não prestação dessa obrigação”, e os pagamentos em numerário ao empreiteiro João Carvalho.

Em relação a estes pagamentos em dinheiro vivo, o deputado socialista disse que lhe “parecem irregulares”, dado o limite máximo de 3 mil euros que se pode pagar em numerário.

“Essas são questões que são questões de decisão pessoal do senhor ministro e que merecem esclarecimento. Um esclarecimento cabal do senhor ministro também no Parlamento. E, por isso, o PS não se oporá procurando o consenso para que se realize a comissão permanente”, acrescentou.

Brilhante Dias argumentou também que "o Parlamento é um espaço de representação política e o senhor ministro sabe que é no Parlamento que deve também esclarecer as dúvidas que são suscitadas pelos deputados".

O Chega já formalizou igualmente o requerimento para que o Parlamento constitua uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e este ano.

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