A compra de três fragatas FREMM EVO ao grupo italiano Fincantieri será um dos maiores negócios jamais realizados pelo Estado português, mas não se sabe se haverá intermediários. A existirem, de acordo com as práticas do sector, deverão receber uma comissão que andará entre 1% e 3% do valor global. Ou seja, entre 39 a 117 milhões de euros. Este fim de semana, o jornal digital 24 Horas levantou uma ponta do véu, ao noticiar que a empresa portuguesa NTG, que nos últimos nove anos representou os italianos em Portugal, foi afastada do negócio antes da sua conclusão, já depois de ter participado em várias reuniões. De acordo com o 24 Horas, a NTG terá perdido uma comissão na ordem dos 90 milhões de euros. O DN questionou a NTG e a Fincantieri a respeito da notícia avançada pelo 24 horas, mas até ao fecho da edição não obteve respostas. Também o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, não esteve disponível para responder às questões do DN, no domingo.Já os principais partidos da Oposição disseram ao DN que vão pedir esclarecimentos ao Governo sobre o negócio. André Ventura, líder do Chega, disse ao DN que vai dar entrada com um pedido no Parlamento, abordando o tema das eventuais comissões e outros relacionados com a compra das fragatas.“Este negócio tem contornos muito estranhos... quer os timings, quer os valores. Vamos exigir escrutínio ao cêntimo e esta segunda-feira já vão entrar questões, formalmente, no Parlamento”, disse André Ventura, acrescentando que o Chega vai chamar Nuno Melo ao Parlamento, potestativamente.Por sua vez, Luís Dias, deputado do PS, coordenador na Comissão de Defesa Nacional, disse que o partido pediu uma comissão de acompanhamento à compra de material do programa SAFE, que foi chumbada pela AD e pelo Chega. “Achamos que o procedimento mais correto seria o Parlamento a pronunciar-se em relação ao programa, definindo as prioridades”, defendeu. O grupo parlamentar do PS pediu esclarecimentos ao Ministério da Defesa sobre “qual o retorno para a economia portuguesa. Não conhecemos as contrapartidas”, acrescentou. Luís Dias recusou comentar o caso concreto do eventual pagamento de comissões, mas acrescentou que o PS vai continuar a questionar o Governo sobre os detalhes do contrato. “Não colocamos em causa a escolha técnica. A Marinha é quem melhor sabe o que faz falta do ponto de vista técnico. Mas há também a parte política. Tem de haver um retorno para a economia portuguesa”, concluiu.Tal como o DN noticiou, o Governo não divulga a composição exata do grupo de trabalho que escolheu o material militar a adquirir no âmbito do programa de rearmamento em curso - no valor de 5,8 mil milhões de euros, no que foi amplamente interpretado como uma forma de deixar a escolha nas mãos dos militares, limitando o risco do ponto de vista político, num país que ainda se recorda do chamado “caso dos submarinos” (associado à compra de dois submersíveis por mil milhões de euros, em 2004). O ministro Nuno Melo tem garantido que a transparência do processo está assegurada, uma vez que será acompanhado pelas instituições europeias e por duas entidades criadas para o efeito: a Comissão de Acompanhamento dos Investimentos na Defesa (CAID) e a Comissão de Auditoria e Controlo do SAFE.Marinha precisa de parceiros e não de mediadores?De um ponto de vista histórico, um intermediário num grande contrato militar funciona como a ponte entre o fabricante estrangeiro e o Estado: abre portas institucionais, traduz necessidades técnicas e políticas, mantém a negociação viva, resolve bloqueios, garante confiança entre as partes e acompanha auditorias, certificações e requisitos de segurança. Em suma, é quem faz o contrato acontecer quando o fornecedor não domina o país e o Estado não domina o produto.Porém, uma fonte do universo castrense ouvida pelo DN frisou que a Marinha e os outros ramos das Forças Armadas não precisam de mediadores, mas sim de apoio ao longo do ciclo de vida dos equipamentos, em áreas como a gestão dos sistemas, na formação e na manutenção. É aí que os intermediários podem criar mais valor e não na mediação propriamente dita, defendeu a referida fonte..Portugal vai adquirir três fragatas a Itália num investimento de 3,9 mil milhões euros.Nuno Melo na Turquia: drones, caças sem tripulantes, blindados e a nova frente da Defesa portuguesa.Navios, blindados e mísseis transparentes.Novas fragatas. A Marinha prefere as italianas, mas os franceses não se conformam. Saiba porquê.Portugal escolhe fragatas italianas FREMM EVO para reforçar a Marinha