Portugal vai adquirir três fragatas de nova geração de construção italiana, num investimento na ordem dos 3,9 mil milhões de euros, anunciou esta segunda-feira, 20 de julho, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, após uma reunião em Roma com a sua homóloga italiana, Giorgia Meloni.Acompanhado na sua visita ã Roma – a primeira de um chefe de Governo português a Itália em 12 anos – pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e da Defesa, Nuno Melo, Montenegro anunciou numa conferência de imprensa conjunta com Meloni a assinatura de acordos na área da política externa e da defesa, com este último, celebrado no âmbito do SAFE (Instrumento de Ação para a Segurança da Europa) a contemplar a aquisição de três fragatas “FREMM EVO”, multifuncionais, que serão entregues à Marinha portuguesa entre 2029 e 2030.. “Este acordo que hoje celebramos na área da Defesa para a aquisição de três fragatas, estamos a falar de um investimento de três mil e 900 milhões de euros, aproximadamente. Estamos a falar de capacidade, que é a capacidade portuguesa e a capacidade europeia, de vigilância dos nossos recursos marítimos e de salvaguarda dos nossos interesses estratégicos. De salvaguarda também da navegabilidade internacional e das condições de comércio livre e justo a nível global”, declarou Montenegro acerca deste acordo, que já fora noticiado em dezembro do ano passado..Portugal escolhe fragatas italianas FREMM EVO para reforçar a Marinha. “Estamos a falar de ciência, estamos a falar de conhecimento, estamos a falar de oportunidades económicas que não se esgotam nestes equipamentos. Há um conjunto de indústrias e atividades que colaboram para que estes equipamentos sejam depois considerados de vanguarda a nível mundial, e tão de vanguarda que a nossa opção foi adquiri-los. Estamos a falar daquilo que é a nossa estratégia na Europa, de termos maior autonomia, maior capacidade, mas ao mesmo tempo fazer isso criando mais emprego, melhor emprego, mais negócios e melhores oportunidades”, prosseguiu.Em comunicado, o Ministério da Defesa precisa que o acordo de aquisição das fragatas – em cuja cerimónia participaram o ministro Nuno Melo e o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa, assim como o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto –, prevê também “a sua sustentação, transferência de tecnologia e demais condições necessária à exploração operacional dos navios, ao longo do seu ciclo de vida, não inferior 30 anos”.“Este investimento nas áreas oceânica de superfície e luta antisubmarina também prevê a cooperação com as indústrias de defesa, com forte incorporação de empresas nacionais, transferência de tecnologia, a revitalização do Arsenal do Alfeite, bem como um significativo retorno para economia nacional”, indica o ministério, acrescentando que “a decisão representa uma parcela significativa do investimento SAFE (5,8 mil milhões de euros)”.Na conferência de imprensa conjunta com Meloni no Palácio Chigi, sede do Governo italiano, Luís Montenegro considerou que tem início “uma nova fase nas relações entre Portugal e Itália”, que “começa com uma visita de um primeiro-ministro [de Portugal a Itália] que não se realizava há sensivelmente 12 anos”, e que eu espera “poder retribuir a breve trecho recebendo a presidente [do Conselho] Giorgia Meloni em Portugal”.“Temos uma relação que é antiga, que é forte, que é próxima, mas que tem ainda muito para dar, que tem ainda muito por explorar, e foi isso que fizemos na reunião de trabalho que mantivemos. Desde logo, iniciar uma nova fase de consultas recíprocas ao nível da nossa política externa e, portanto, dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros. O acordo que celebrámos é já um sinal muito forte dessa estratégia e desse caminho. E depois também o acordo que celebrámos para dotar a Marinha portuguesa de três novas fragatas de construção italiana”, declarou.Também Meloni sublinhou o facto de esta ser a primeira visita de um chefe de Governo português a Itália “em mais de 10 anos” e disse “interpretar esta ocasião como um sinal importante da vontade comum de relançar a relação” entre os dois países.“Podemos fazer muito juntos, sobretudo se tivermos em conta as muitas coisas que a Itália e Portugal têm em comum. Em primeiro lugar, evidentemente, a nossa localização geográfica. Somos nações marítimas que, desde sempre, projetam a sua vocação económica, cultural, comercial e estratégica para além das suas fronteiras, também e sobretudo graças à posição privilegiada de que gozam em relação ao Mediterrâneo e ao Atlântico”, afirmou.Meloni disse que ficou acordado relançar a cooperação bilateral fazendo-o “de forma abrangente, a partir de um documento assinado hoje pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, o ministro [Antonio] Tajani e o ministro Rangel”, que permitirá tornar o diálogo político entre os dois governos “ainda mais estável e ainda mais estruturado”.“É claro que não partimos do zero. Partimos de bases que já são sólidas”, disse, apontando de seguida que um dos setores em que Itália e Portugal “podem certamente dar um salto de qualidade é o da indústria da defesa”.Giorgia Meloni afirmou “muito, muito feliz com a decisão das autoridades portuguesas de adquirir três fragatas EVO construídas pela [empresa de construção naval] Fincantieri”, considerando que se trata de “um reconhecimento da excelência da indústria italiana, mas também da demonstração de que a Europa pode reforçar a sua autonomia investindo nas capacidades industriais e tecnológicas das suas empresas”.“Penso também que esta é a oportunidade para aprofundar cada vez mais a cooperação entre as nossas cadeias de valor marítimas, alargando-a à construção naval civil, aos diversos setores ligados à economia azul, mas também à questão global do mar e às cadeias de valor estratégicas que estão ligadas a este domínio da geopolítica presente e futura”, completou.Depois de Roma, Luís Montenegro visita na quarta-feira outra capital europeia, Atenas, para uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis. .Novas fragatas. A Marinha prefere as italianas, mas os franceses não se conformam. Saiba porquê