Catarina Martins vai ter esta quarta-feira uma arruada, antes dirigiu-se ao Hospital Fernando da Fonseca.
Catarina Martins vai ter esta quarta-feira uma arruada, antes dirigiu-se ao Hospital Fernando da Fonseca.Paulo Spranger

Catarina Martins ouviu administração do hospital Fernando da Fonseca e criticou "sabotagem" de Montenegro

Candidata presidencial apoiada pelo BE lamenta falta de investimento no Serviço Nacional de Saúde e pede intervenção do Presidente da República. Critica "ambiguidades" e o pacto de Seguro para a área.
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Catarina Martins coloca a Saúde no centro da agenda de campanha e dirigiu-se na manhã desta quarta-feira, 14 de janeiro, ao Hospital Fernando da Fonseca para reunir com Carlos Sá, da administração do antigo Amadora-Sintra. No caso, uma administração que está demissionária.

À saída, depois de uma hora de conversa, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda revelou as preocupações que lhe foram transmitidas. "Este hospital tem uma administração demissionária. E foi decisão do Governo que assim fosse e ainda não encontrou uma nova administração. Todos os dias os hospitais precisam de melhores condições para trabalhar, para atrair médicos e enfermeiros, mas há aqui problemas que também o Governo cria, fazendo com que os hospitais estejam em suspenso, o que é uma irresponsabilidade", começou por dizer, rejeitando a ideia de Luís Montenegro de ser um "problema de perceções" o que se vive na Saúde e emergência médica, antes sim um "desrespeito pelas populações e profissionais de Saúde, que estão exaustos".

"A administração deste hospital sente o que muitas sentem, ou seja, que os investimentos que são prometidos não acontecem, que os problemas que não é só uma administração que pode resolver não são resolvidos. Desde os cuidados primários de Saúde à dimensão dos próprios hospitais", prosseguiu, avançando as reivindicações no Hospital Fernando da Fonseca. "Estamos num hospital que foi dimensionado, mas basicamente para metade da população que serve e é um problema que se arrasta há décadas e que se tem visto agravar."

Vincando que "o acesso à Saúde é uma questão de regime democrático", vê "sabotagem do Governo", acrescentando que é preciso "fazer justiça aos profissionais de Saúde que são incansáveis a encontrar soluções." As palavras são fortes e indicam, de certo modo, que há uma intenção do Executivo para esse efeito.

Sem querer comentar sondagens ou apoios a algum candidato numa eventual segunda volta, pediu clareza e apontou: "Quem é que vai defender o acesso à Saúde? Quem é que vai defender o salário livre? E se as pessoas votarem com convicção na primeira volta, na segunda volta a democracia terá todas as soluções. Todas as pessoas sabem que estas Presidenciais não podem ser sobre a espuma dos dias ou sobre o insulto. Têm de ser sobre as garantias da Saúde, da habitação, do salário, do respeito", atalhou.

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Catarina Martins concordou que não chega ao Presidente da República encontrar-se à quinta-feira com o Governo e que a Saúde exige maior resposta. "É preciso ter a coragem de chamar enfermeiros, de chamar médicos, de chamar os profissionais de Saúde a um debate nacional, para toda a gente ter acesso ao Serviço Nacional de Saúde. Luís Montenegro está a sabotar o Serviço Nacional de Saúde e isso é um ataque à nossa Constituição e à nossa democracia", continuou.

António José Seguro falou de um pacto para a Saúde. Curto para a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda e que sempre afastou a ideia de poder abdicar em prol do candidato socialista. "Um pacto nada diz. São precisas soluções concretas e é por isso que é também tão importante que na 1.ª volta se vote de acordo com a convicção. Porque se tiver força a ideia de que o Serviço Nacional de Saúde pode e deve ter equipas dedicadas em vez de viver de tarefeiros, sabemos a exigência que estamos a colocar em toda a democracia para resolver os problemas", respondeu ao DN, lamentando que "é preciso ser concreto", evitar "ambiguidades" e também procurar que não se faça "exatamente o que o Governo quer".

No término da intervenção aos jornalistas, atacou outra carta pública divulgada pela assessoria de Imprensa de Cotrim de Figueiredo enviada a Luís Montenegro. "O que fica claro é que existem muitos candidatos com vontade de agradar ao primeiro-ministro. Precisamos é de uma Presidente da República que defenda a população quando há um Governo que claramente não está a saber responder ao que é necessário", concluiu.

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Esta quarta-feira, a candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda fará uma arruada no Largo do Carmo, a partir das 17h50, onde contará com figuras proeminentes do BE e também apoios da sociedade civil e de outros quadrantes políticos. Pelo que o DN pôde saber, José Manuel Pureza, coordenador do BE, que reside em Coimbra, não estará na iniciativa.

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