Qual foi a sua primeira preocupação enquanto novo presidente da distrital de Braga do PSD?A primeira fase está cumprida, que era a renovação. Não só eu. Tirando um, todos os eleitos estão pela primeira vez num cargo distrital. A segunda fase, na qual entramos agora, é conseguirmos juntar todos os que compõem a nossa militância. Não estamos à procura de nenhum unanimismo, mas de representar o máximo de sensibilidades possível. Temos grande força autárquica no distrito de Braga e o desafio maior é unir todos em torno de uma intervenção diferenteNas últimas autárquicas, sozinho ou coligado, o PSD venceu em nove dos 14 concelhos do distrito. O que foi mais preocupante: perder duas câmaras ou ver esfumar-se a grande maioria que havia em Braga?Preocupa-me mais termos perdido em Vieira do Minho e em Esposende do que termos reduzido a votação em Braga, pois estou certo de que o presidente da Câmara saberá encontrar forma de, num contexto muito difícil, fazer valer o seu programa e, na próxima contenda eleitoral, aumentar significativamente o apoio da população. Estou disponível para ajudar nesse desiderato.Vê que João Rodrigues tenha havido uma má escolha do seu antecessor na hora ver quem deveria suceder a Ricardo Rio?Se tivesse sido uma má escolha, teria perdido as eleições. Foi a escolha do partido em Braga, foi a escolha da direção nacional, que resultou numa vitória autárquica, independentemente dos números. Portanto, podemos dizer que foi uma boa escolha.Já teve ocasião de falar com o líder do PSD, ou com o secretário-geral, desde que foi eleito?Ainda não tive oportunidade.Tendo a sua vitória sido encarada como uma enorme derrota para a direção nacional do PSD, como se pode construir um relacionamento positivo?Admito que possa haver pessoas ou dirigentes que olhem para a nossa vitória eleitoral como algo diferente do normal funcionamento do partido, de uma alternativa que venceu uma eleição a que se propôs. Vivemos num partido muito pluralista, onde a liberdade de opinião sempre foi bastante usada por muitos. Depois da contenda eleitoral, independentemente das sensibilidades ou das preferências de cada um, estamos disponíveis para trabalhar com a direção. Tenho dito até à saciedade, pois nunca quis nacionalizar esta candidatura, que nunca esteve em causa a direção do partido, nem o apoio ao Governo. Nunca envolvi Luís Montenegro neste ato eleitoral. Percebo que alguns o tenham feito.Até porque Braga foi a única distrital em que houve duas listas. Com outra curiosidade: foi uma candidatura anunciada há dois anos. Dei uma entrevista em que dizia que o ciclo da liderança distrital [de Paulo Cunha, a quem Carlos Eduardo Reis derrotou nas eleições internas de 28 de fevereiro] tinha acabado, independentemente dos resultados, pois entendia que o perfil de intervenção da distrital não se deve cingir à escolha ou sugestão de candidatos autárquicos e à ratificação dos nomes de deputados. Precisávamos de uma grande reflexão sobre a terceira grande área metropolitana do país. De saber o que pensa a distrital de Braga sobre a forma como vamos resolver o problema da mobilidade entre os concelhos. E de que forma podemos intervir nas matérias que mais preocupam as pessoas. Imigração, lei laboral e habitação são desafios que os nossos autarcas enfrentam todos os dias. As distritais foram criadas para ativar estruturas locais, para poderem ser, numa altura em que a informação corria com dificuldade, a voz do partido na região. Isso foi cumprido e devemos continuar esse trabalho de apoio às secções. Outra e mais importante tarefa é a da termos uma estrutura que produz pensamento político e, com isso, influencia positivamente as políticas públicas que a direção do PSD defende e o Governo quer implementar. Com a massa crítica que temos, com dirigentes de grande categoria, podemos ser muito mais do que temos vindo a ser. Foi para isso que manifestei disponibilidade, de forma muito pública. Sinto-me absolutamente legitimado pelo resultado para imprimir uma dinâmica diferente.Como reage às acusações de caciquismo por ter duplicado o número de militantes com quotas pagas na concelhia de Barcelos?Não levo nada a mal, pois provêm apenas da ignorância e falta de informação de quem escreve sobre isso. Quem conhece o PSD de Braga sabe que temos secções muito fortes, que se mobilizam nos atos eleitorais. Esta não foi a eleição em que votou mais gente em Barcelos, mesmo com um candidato barcelense. Tivemos eleições diretas do PSD com mais votos. Há décadas que a militância em Barcelos é pujante, Famalicão tem uma grande secção e é conhecida a força da secção de Vila Verde. Quando entrei para a política já a secção de Barcelos era das maiores do país. Será assim tão estranho e tão extraordinário, tendo um candidato a disputar a eleição que é da terra, que as pessoas se tenham mobilizado? Não me parece.E o seu opositor, Paulo Cunha, é de Vila Nova de Famalicão, que tem mais ou menos o mesmo peso eleitoral.Mas ninguém olhou para isso. É mais interessante para os que dizem combater o Chega destratar grandes partidos fundacionais da democracia portuguesa com falta de informação. Isso alimenta muito mais o Chega do que tudo o que se pode eventualmente passar numa qualquer eleição.Durante o seu mandato, gostava que concelhias com muita população, como Braga e Guimarães, tivessem o mesmo número de militantes do PSD ativos do que Barcelos ou Famalicão?Gostava e farei tudo para que outras concelhias possam replicar a força da militância nas maiores secções do distrito. Não parto do princípio de que, por muitas pessoas votarem em determinada secção, sejam todas carneiros ou acéfalas. Quem está atento ao fenómeno político deve valorizar locais onde ainda hoje há grande adesão à política. E não penalizá-los. O meu trabalho será aumentar a militância em locais onde estamos a desenvolver, ou queremos desenvolver, bom trabalho autárquico. Isso faz com que as pessoas se identifiquem com o partido e possam filiar-se. A notícia devia ser, num tempo em que as pessoas se divorciam dos partidos, que ainda há sítios onde a militância é um ato de fé quase extraordinário, de devoção ao partido. E há que conhecer o território. O nosso distrito tem concelhos com o maior número de freguesias. Barcelos é o que tem mais, com 65 freguesias, pelo que é natural que isso promova a militância. Essas crónicas e notícias dizem mais sobre a forma como se faz hoje crítica política e jornalismo do que revelam algum tipo de caciquismo no PSD.Metade dos militantes do PSD que votaram nas eleições internas estavam nos distritos acima do Douro. Isto é um bom sinal para o partido no resto do país? Grande parte dos nossos votantes, mesmo em eleições nacionais, também estão do Tejo ou do Mondego para cima. Há apoio efetivo do PSD a Norte. Não fiz essa análise em relação às secções e à militância, mas é natural que aconteça. E se reflita um bocadinho nos resultados autárquicos e nos votos em eleições gerais.Isso não deveria servir de incentivo para as estruturas do PSD trabalharem mais nos outros territórios?Deve, e temos uma oportunidade para isso, com as vitórias autárquicas em concelhos onde já não éramos poder há algum tempo. Por exemplo, em Sintra. Tivemos resultados muito positivos na Área Metropolitana de Lisboa e recuperámos, a Norte, câmaras importantes, como Vila Nova de Gaia. Acredito que isso também é uma oportunidade, com dirigentes empenhados, de conseguir renovar o PSD, porque o partido está envelhecido e é preciso renová-lo. Também é a isso que me proponho.É lícito dizer, tendo em conta o seu bom resultado em Vila Verde, que o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, era um apoiante da vossa lista?O que lhe posso dizer sobre isso? A presidente da Câmara de Vila Verde, Júlia Fernandes, foi apoiante pública da nossa candidatura e o líder da secção é meu vice-presidente. Se me pergunta se contava ganhar em Vila Verde, digo que contava porque, ao longo da minha militância e do meu dirigismo, fui criando relações que me permitem saber que me conhecem e me valorizam. Se me pergunta se contar com o eventual voto de José Manuel Fernandes é algo que me satisfaz, é. Acredito que tenha votado em mim e fico muito satisfeito com isso, porque ele é uma das figuras mais relevantes do partido a nível nacional, mas também na nossa região. Fico muito satisfeito, embora não vamos reduzir o apoio de Vila Verde a José Manuel Fernandes.Achou curioso que o seu oponente, Paulo Cunha, tenha sido uma das pessoas que, provavelmente, melhor aceitou o resultado final?Tivemos oportunidade de conversar depois da eleição e fizemo-lo de uma forma muito urbana e colaborativa. Entendo que ele esteve à altura de uma grande eleição, com uma disputa acérrima, e a responsabilidade com que assumiu o pós-eleição só engrandece o partido. Desmontou a questão do caciquismo, porque ele não tem falta de informação. Conhece a realidade e percebe que há secções, nomeadamente a dele, em que há uma grande mobilização de militantes. Até porque os estatutos foram alterados e já não é preciso ter a quota em dia para pertencer aos cadernos eleitorais. Quem tiver a quota em atraso, com um limite de dois ou três anos, ainda pode participar no ato eleitoral. Portanto, o aumento nos cadernos também decorre da alteração dos estatutos. Tínhamos cerca de 2.850 pessoas com capacidade eleitoral ativa em Barcelos. Foi uma declaração séria de Paulo Cunha, que conhece o partido e reconhece que há secções onde há uma grande identificação com o PSD. Eu sou de Barcelos, ele é de Famalicão, e seria natural que esta eleição se decidisse muito também nesses locais.Também se falou muito do seu envolvimento no processo Tutti Frutti...Sim, fala-se muito há dez anos.E já levou à suspensão do seu mandato de deputado, antes de ser retirado das listas de candidatos às legislativas de 2025.Suspendi o mandato por outras razões. Não foi decorrência automática. Estatutariamente, nem no PSD nem no Estatuto de Deputado estava obrigado a fazê-lo.O que irá acontecer se houver uma decisão judicial que lhe seja desfavorável?Não posso fazer essa antecipação. É um processo que teve diligências processuais há oito anos e que está em investigação há mais de dez. Começou agora a instrução do processo, que diz respeito à minha atividade empresarial, e não ao exercício da atividade política. Tenho separado sempre os dois planos. Também por força desta situação, lido com alguma naturalidade com a judicialização da política. É neste plano que hoje nos encontramos, com o crescimento de partidos populistas, que têm uma estratégia objetiva de judicializar todos os temas na política. É natural que se fale disso. Mas, sempre que me perguntarem, responderei às perguntas e não utilizarei outros casos para fazer política. Acho que nos devemos bater pelas ideias. Aceito ser vencido nas ideias e nos programas políticos, e não com esse tipo de situações. Não estou disponível para trocar a presunção de inocência pela presunção de culpa, nem para deixar de exercer os meus direitos cívicos e políticos. É também um contributo que dou à forma como se faz política em Portugal: não aceitar que um qualquer processo judicial, que também pode ser político, me retire direitos. É natural que haja pessoas que utilizem isso para me prejudicar. Tenho sempre levado isto para o campo mais difícil para essas pessoas trabalharem, que é o das ideias e do combate político.Aquando da sua recandidatura a vereador da Câmara de Barcelos, voltou-se a falar dos crimes de corrupção ativa, branqueamento de capitais e tráfico de influências investigados na Operação Tutti Frutti.É a única coisa que conseguem verbalizar contra mim. Repare que não utilizo nem as eleições para me absolver, nem o processo para me culpar. E não o faço também aos outros. A minha credibilidade autárquica resulta do trabalho que estamos a fazer em Barcelos. Tivemos o maior resultado de sempre, com mais de 43 mil votos. Uma coisa notável. As pessoas sabem perceber quem está na política com uma missão e para trabalhar em prol de um projeto, ou para outras coisas. Não lhe vou dizer que é confortável, mas lido bem com esse tipo de situações, porque hoje a política, infelizmente, joga-se muito nesse patamar. Enquanto houver capacidade de resistência, estarei disponível para cumprir os meus mandatos e para defender aquilo em que acredito, seja em Barcelos, no distrito de Braga ou até noutros patamares.A seu ver, Luís Montenegro e Hugo Soares não foram coerentes no critério aplicado na Operação Tutti Frutti quando esteve em causa a Spinumviva?Prefiro não fazer a análise dessa situação, sendo que são questões diferentes e que devem ser vistas em patamares diferentes. Não quero alongar-se sobre essa matéria. Em entrevista ao DN, o líder concelhio reeleito em Espinho, Ricardo Bastos Sousa, reiterou ter sido alvo de um ajuste de contas pessoal por parte do primeiro-ministro e líder do PSD. O que é que uma afirmação destas diz sobre o estado do partido?Tenho em consideração Ricardo Sousa, que foi meu colega no Parlamento, e aprecio a sua acutilância e frontalidade. Percebo aquilo que ele diz, em coerência com o que já tinha dito no processo autárquico. Vejo-o até com uma certa naturalidade, dentro do espírito de liberdade que existe no PSD, mas não me peça para generalizar, com base na entrevista do Ricardo, sobre o partido no seu todo. É uma eleição muito particular, que não deve ser utilizada para retirar conclusões sobre a forma como Luís Montenegro e o secretário-geral do partido lidaram com a situação. Não quero estar a comentar a situação política de Espinho.."Era mais natural que Luís Montenegro e Hugo Soares, que são passistas, ou ao menos eram, encarassem as suas intervenções com a naturalidade com que as encaro. A palavra de Pedro Passos Coelho tem muito impacto porque, além de ter credibilidade, marcou profundamente o nosso partido com a sua liderança."Carlos Eduardo Reis, líder da distrital de Braga do PSD.Não sendo propriamente um passista, como encarou as reações de Luís Montenegro e Hugo Soares às últimas intervenções públicas de Pedro Passos Coelho?Era mais natural que Luís Montenegro e Hugo Soares, que são passistas, ou ao menos eram, as encarassem com a naturalidade com que eu encaro. A palavra de Pedro Passos Coelho tem muito impacto porque, além de ter credibilidade, marcou profundamente o nosso partido com a sua liderança. É um homem de convicções fortes e é natural que, sempre que fala, haja pessoas que o escutem. Encaro com naturalidade que um ex-primeiro-ministro, seja Pedro Passos Coelho, António Costa, Durão Barroso ou Pedro Santana Lopes, que tem um programa na televisão, possa ter opinião sobre a situação política e económica em Portugal, na Europa e no Mundo. Até pode ser útil. Uma entrevista de um anterior primeiro-ministro, mesmo que encerre uma outra crítica, ou um outro desconforto, em relação a uma política pública que esteja a ser conduzida neste momento, ou em stand-by, deve ser encarada como um contributo para juntar alguém que fala pouco à capacidade reformista que o Governo quer ter. Percebo o inconformismo de Pedro Passos Coelho. Ele tem uma ideia para o país. Cada vez menos há políticos com ideias para o país e focados nessas ideias. Posso concordar ou não, mas admito que há ali um projeto para o país. Ele não desempenha nenhuma função pública neste momento, e a sua opinião deve ser valorizada como a de alguém que liderou o país e que ficou marcado, muitas vezes injustamente, por essa liderança numa altura difícil. Luís Montenegro e Hugo Soares são provavelmente mais passistas do que eu e entendo que podiam ter lidado com as declarações de Pedro Passos Coelho de uma forma mais natural. Até porque é em cima destas ideias, e destas críticas, que se pode construir. Se lermos com atenção a entrevista que ele deu, algumas ideias não são novidade. Até posso dizer que, no quadro parlamentar atual, o exercício que ele propõe parece impossível. Luís Montenegro decidiu interpretar o quadro parlamentar e governar em minoria. Essa proposta de Pedro Passos Coelho [um pacto de legislatura com o Chega e a Iniciativa Liberal] é inexequível neste momento. Ele prefere uma coligação polémica com o Chega que permita fazer as reformas. Mas percebo perfeitamente que Luís Montenegro tem de ser coerente com o que disse desde o início, e prefira a negociação parlamentar. Eu também.Nesse ponto, é mais montenegrista do que passista...Nesse ponto, estou no sítio onde estava há quatro anos. Não quer dizer que não mude de ideias, mas normalmente tenho esta teimosia de ser coerente.A recusa das linhas vermelhas que tem sido defendida por Passos Coelho teve consequências. Há vereadores do Chega em Sintra e passou a haver também em Cascais. Em Barcelos não são necessários, pois têm maioria absoluta...Temos vereadores de sobra....mas admite que possa haver acordos com eleitos do Chega no distrito de Braga?A política é feita de pessoas. Nunca fiz essa conversa das linhas vermelhas porque há pessoas com princípios e valores que não são do meu partido. Tanto admito poder conversar com alguém do PS, do PCP ou do Bloco de Esquerda, como admito conversar até com ex-companheiros que hoje estão no Chega ou na Iniciativa Liberal. Os portugueses escolheram um quadro parlamentar muito fragmentado, com três blocos grandes, e ninguém perceberá se não houve a capacidade de nos sentarmos à mesa e nos entendermos em relação às preocupações dos portugueses. Se foi este quadro parlamentar que foi escolhido pelos portugueses, temos que saber interpretá-lo. Claro que as linhas vermelhas devem ser colocadas com quem não respeita valores fundamentais, como a dignidade humana, os princípios democráticos com que nos regemos em Portugal, o respeito pela Constituição, pela diversidade e pela igualdade de género também. Todos os que violem estes princípios são pessoas com quem não se pode conversar, mas o Chega hoje não é só isso. Tem dirigentes que são mais moderados do que parece. E é natural que os nossos autarcas sintam uma necessidade muito maior de conseguir maiorias para aprovar matérias que influenciam a vida das pessoas. Em Cascais houve um acordo com o PS, e só depois de o acordo cair é que se avançou para uma coligação com o Chega. No caso de Sintra, foi uma opção que, até ver, não tem dado mau resultado. Todas as situações são diferentes e têm que ser avaliadas. António José Seguro disse, na sua tomada de posse, que tratará todos os partidos por igual, e ninguém compreenderá que se continue acantonar um partido só por ter alguns dirigentes com valores diferentes dos nossos.Mas suponho que veria André Ventura como um ministro incómodo num Governo do PSD.Não quero estar a teorizar sobre isso, porque nos coloca num patamar de discussão que não existe hoje em Portugal. Uma coisa é como vamos criar maiorias no Parlamento para poder fazer reformas. Outra coisa é analisar a possível entrada do Chega num Governo, e não com Luís Montenegro, como já se viu. Seria com Passos Coelho?Não sei. Provavelmente sim, mas não posso responder por ele. E acho que Passos Coelho não quis entrar nessa questão.Tem repetido que não é candidato a coisa nenhuma.Não vou alimentar isso, não é benéfico para o partido.. Já alguém lhe perguntou se votou em António José Seguro nas eleições presidenciais?Por acaso não me perguntaram, mas tive a oportunidade de comentar todas as semanas a campanha e a segunda volta, que redundou numa votação muito expressiva nele. Não tenho nenhum problema em dizer que votei em António José Seguro. Estou à vontade, independentemente até de manter uma relação de amizade com André Ventura. O que espera de Seguro na Presidência da República?Serenidade, em relação a um estilo mais... Não queria utilizar a palavra excitado, mas mais frenético, mais dinâmico, mais presente, de Marcelo Rebelo de Sousa. Acho que a política portuguesa precisa de alguma serenidade, e isso é algo bom que António José Seguro traz. Também penso que falará menos, o que poderá fazer com que as palavras do Presidente da República tenham mais peso. Percebi que ele tem uma grande preocupação com a área da Saúde, que já se tinha notado durante a campanha eleitoral. Estou totalmente de acordo. É preciso convergir as vontades dos três maiores partidos no Parlamento para termos algo que consiga perdurar no tempo. Já percebemos que é uma área muito sensível para os governos e para os portugueses, e em que é muito difícil fazer algum tipo de reformas, havendo dificuldades de perceber a complementaridade entre público, privado e setor social. Entendo que António José Seguro pode dar o seu contributo para que todos se sentem à mesa a criar algum compromisso e alguma convergência. Gostava que ele tivesse também falado sobre o tema da Justiça, que continua a ser um dos grandes entraves ao investimento em Portugal. Critiquei Marcelo Rebelo de Sousa por ter falado sobre tudo e sobre nada, e deixar de lado a Justiça durante estes anos, nos quais houve uma degradação muito grande, fruto de alguns processos judiciais, e o decurso da política foi influenciado pela Justiça objetivamente. Marcelo Rebelo de Sousa devia ter tido um papel diferente. Uma última nota tem a ver com o facto de Seguro querer dar um mandato inteiro a este Governo, posicionando-se como garante de estabilidade ao dizer que, com ele, mesmo que o Orçamento do Estado chumbe, teremos oportunidade de continuar. É importante termos um Presidente da República a dizer que fará tudo para que o mandato seja cumprido e a legislatura vá até ao fim.Marcelo Rebelo de Sousa aprendeu a amar aqueles miniclos políticos que ele próprio denunciou?Esses miniciclos não têm servido a ninguém.Há um partido que tem crescido...Tem servido o Chega, mas cumprir a legislatura seria bom para o país e até para a afirmação do Governo. Não gosto de usar linguagem futebolística, mas o tempo útil de jogo deste Governo é de um ano e pouco. Já foi legitimado nas urnas, mas é preciso dar-lhe tempo. Melhorou os salários de várias carreiras da Administração Pública, imprimiu mudanças em áreas fundamentais, legislou para melhorar as áreas da Habitação, e também da Imigração, que são temas polémicos, mas ainda não teve tempo na Saúde. Essa área tem tanto ruído que as pessoas não percebem o que já foi feito. O Governo ficou refém da reforma da legislação laboral?É sempre um tema polémico e que pode prejudicar politicamente o Governo. Quero dizer com clareza que é um ato de grande coragem política por parte do primeiro-ministro e que dá nota da sua vontade de reformar em áreas difíceis. Até agora, o caminho tem sido tortuoso.Tem sido tortuoso porque é uma negociação que se arrasta há muitos meses e já foi interrompida. Agora foi reatada - e ainda bem. É inegável ou não que temos que reformar a lei para sermos mais competitivos? É. Então, vamos fazê-lo em concertação. É o que o Governo está a fazer. Temos de chegar a acordo também com os outros partidos. O Chega teve uma posição lamentável nesta matéria, pois foi a favor, mas logo a seguir André Ventura voltou atrás.Calculou os ganhos e perdas em relação a esta matéria.Para reformar o país não se pode ser tão calculista e andar sempre atrás da tática política. Todos devemos ajudar o Governo, independentemente das medidas que essa lei laboral encerra. Devemos tentar que consiga chegar a bom porto. Claro que uma negociação tem cedências de parte a parte. É natural que o Governo não consiga impor tudo o que quer e que as centrais sindicais não consigam uma lei que lhes agrade na totalidade. Temos de nos encontrar a meio caminho. A lei laboral vai ser o Rubicão do Governo. E espero que o consiga ultrapassar. A bem do país. .Ricardo Bastos Sousa: "Toda a lista da minha adversária tinha pessoas afetas a Luís Montenegro".PSD-Braga dá vitória a Carlos Eduardo Reis contra lista próxima de Hugo Soares