Ricardo Marques, presidente da Junta de freguesia de Benfica, está encaminhado a liderar a Associação Nacional de Freguesias (Anafre), uma associação que representa as mais de 3091 juntas de freguesia de Portugal.O Partido Socialista teve 128 vitórias em municípios, pouco mais de 1200 vitórias em freguesias pelo país (1137 a concorrer a solo) e, mesmo perdendo o lugar de partido mais representado autarquicamente para o PSD, poderá manter a liderança da Anafre. Apesar de os sociais-democratas, em coligações com IL, CDS-PP ou outros partidos em casos mais recônditos, terem superado as 1350 freguesias conquistadas, os votos do PCP serão determinantes. Como CDU, alcançou 97 freguesias no país.Assim pôde o DN saber, graças a uma negociação entre PC e PCP que, em certos casos, poderá permitir votos favoráveis dos comunistas no congresso da associação, marcado para Portimão, entre 30 de janeiro e 1 de fevereiro. O desempenho do socialista em Benfica, alcançando a maior vitória do PS em outubro nas freguesias de Lisboa, é elogiado e, nesse sentido, certos votos do PCP poderão encaminhar a continuidade de um socialista ao leme.O autarca de Benfica poderá suceder no cargo ao também socialista Jorge Veloso, eleito em março de 2022, enquanto presidente da União de Freguesias de São Martinho e Ribeira de Frades, em Coimbra. Recorde-se que Luís Montenegro, ao ganhar as Autárquicas, vincou que o PSD poderia recuperar o comando da Anafre, descartando, portanto, que ainda existisse um processo eletivo para o caso. O PS já defendeu em Lisboa a ideia de as freguesias se poderem unir para criar projetos que transcendam apenas um território e a luta do partido é recorrer a fundos comunitários para poder aplicar de forma descentralizada. O caminho pela coesão territorial é amplamente definido por José Luís Carneiro e já era caminho traçado por António Costa. As próprias Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), maioritariamente lideradas por socialistas nesta fase, também concordam com essa mesma descentralização.Nas redes sociais, o autarca de Benfica relativiza quem possa vir a liderar a associação, mas vinca a importância da descentralização. "Têm sido dois anos de muito trabalho, lado a lado com dezenas de presidentes de junta de freguesia de todo o país, para construir um projeto sólido e mobilizador para a Associação Nacional de Freguesias, que reforce a sua capacitação e aumente de forma efetiva a sua capacidade interventiva e de apoio aos seus associados. O essencial não é quem lidera este processo de transformação, mas sim a construção de uma plataforma de entendimento alargada entre todos os partidos políticos e grupos de cidadãos, capaz de consubstanciar as mudanças estruturais de que as freguesias necessitam e que o país exige", explanou, reconhecendo encontrar-se "a trabalhar com centenas de autarcas de freguesia, de todos os quadrantes políticos, unidos pela justiça territorial para as mais de 3 mil freguesias espalhadas pelos sete cantos do nosso país."A Anafre, como se sabe, tem sido crítica dos orçamentos elaborados pela gestão central de Luís Montenegro. O Partido Socialista, no Orçamento do Estado, procurou maior atribuição para as freguesias, numa proposta com impacto a rondar os seis milhões de euros, que foi recusada pelo Executivo e pelo Chega..Separação de freguesias em impasse. Anafre quer que avance já. PSD pede tempo.OE2026: Anafre considera que este é o pior orçamento dos últimos cinco anos