A homenagem a Conceição Monteiro, que só é militante n.º 2 do PSD por o n.º 1 continuar a ser de Francisco Pinto Balsemão, falecido no final do ano passado, levou a que o 52.º aniversário da fundação do PSD ficasse marcado pelo regresso à vida partidária do militante n.º 3, Marcelo Rebelo de Sousa.O antigo Presidente da República encarregou-se da homenagem a Conceição Monteiro, que descreveu como “inseparável da fundação” do então Partido Popular Democrático. Marcelo presenteou as centenas que se juntaram num dos espaços da Fábrica de Unicórnios, em Lisboa, com histórias da “jovem com ar de talentosa” que apareceu na primeira sede do partido, num edifício pertencente à Legião Portuguesa, atrás do Largo do Rato, e que mais seria a secretária de Sá Carneiro. Num registo que conseguiu fazer rir a homenageada, que mais tarde revelou ter convencido a sua médica a não fazer uma cirurgia nesta quarta-feira, pois “tinha um evento” e precisava de ir ao cabeleireiro..“Nunca percebi porque é que o Pedro Santana Lopes, que é muito mais novo do que eu, era o filho, e eu era apenas o neto”, disse Marcelo, repetindo os reparos que Conceição Monteiro lhe fez ao longo dos anos. “Ó meu netinho, não estou a gostar do que anda a fazer hoje”, imitou o antigo Presidente da República, informando a plateia que ainda hoje os militantes sociais-democratas n.º 2 e n.º 3 se tratam por avó e por neto. Desfiliado do PSD, apesar de ter sido reeleito presidente da Câmara da Figueira da Foz nas listas do partido, o “preferido” Santana Lopes não esteve na cerimónia, que contou com figuras do partido como Marques Mendes e Leonor Beleza, e teve o Governo em peso: Paulo Rangel, Ana Paula Martins, José Manuel Fernandes, Margarida Balseiro Lopes, Fernando Alexandre, Gonçalo Saraiva Matias e Luís Neves, que nem sequer é militante do PSD, marcaram presença. Tal como o eurodeputado Sebastião Bugalho e o líder parlamentar Hugo Soares.Numa intervenção aplaudida de pé, Conceição Monteiro agradeceu a surpresa que lhe deu “um calor no coração que não podem imaginar”, e garantiu que aos 92 anos, não obstante os problemas de saúde, continua a acompahar todas as intervenções dos membros do partido. “Quando andam pelas linhas certas mando mensagem a dar parabéns. Quando fico triste não mando mensagem nenhuma”, explicou.Destinatário ao longo dos anos de muitas dessas mensagens de “lucidez, astúcia e profundidade de análise política”, Luís Montenegro disse contar com Marcelo Rebelo de Sousa. E, num discurso político, defendeu que “não podemos ficar reféns da intransigência ou do imobilismo”, referindo-se especificamente às mudanças no mercado laboral pretendidas por “um Governo que obviamente não desiste e vai continuar focado em dar instrumentos para o país ser mais produtivo e mais competitivo”..Montenegro afirma que lidera um “Governo de concertação” com setores público, social e privado .Luís Montenegro pede "coragem para mexer e para mudar" na legislação laboral