André Ventura foi o único candidato presidencial apurado para a segunda volta a aceitar o convite da Universidade Lusíada.
André Ventura foi o único candidato presidencial apurado para a segunda volta a aceitar o convite da Universidade Lusíada.Leonardo Negrão

André Ventura diz que "falta de ideias" de António José Seguro no debate lhe causou um momento "What the f..."

Candidato apoiado pelo Chega foi convidado pela Universidade Lusíada para dizer o que quer fazer em Belém. Aceitou o convite, ao contrário do rival na segunda volta, a quem lançou muitas críticas.
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O candidato presidencial André Ventura disse, nesta quarta-feira, que o debate televisivo que o opôs a António José Seguro, na noite anterior, deixou claro para o país "a absoluta falta de ideias" do seu adversário "em relação a todos os assuntos".

Em declarações a jornalistas, na Universidade Lusíada, onde falou para uma plateia de estudantes e professores - numa iniciativa para a qual o candidato apoiado pelo PS também foi convidado, mas não aceitou participar -, Ventura disse que o debate televisivo transmitido pela RTP, SIC e TVI, que realçou ter tido um recorde de audiências, "cumpriu a sua função de mostrar dois candidatos com uma perspetiva muito diferente do país e do futuro".

Para Ventura, a falta de ideias que aponta a Seguro traduziu-se em momentos em que diz ter ficado patente que o adversário "não faz a menor ideia do que está a fazer", exemplificando com o cenário de uma regularização extraordinária de imigrantes, perante o qual o candidato socialista questionou o que poderia o Presidente da República fazer, acabando por ser um dos moderadores a dizer que poderia ou não promulgar tal iniciativa legislativa. Mais tarde, ao falar para os estudantes da Universidade Lusíada, Ventura confessou que nesse momento lhe passou pela cabeça uma expressão comparável ao "what the fuck [WTF]" utilizado pelos anglo-saxónicos.

De igual modo, Ventura acusou Seguro de ter apontado uma solução para o combate ao enriquecimento ilícito que já está em vigor e de ter defendido uma regulamentação das carreiras dos médicos prevista na Lei de Bases da Saúde em vigor. "É um profundo desconhecimento do que se quer fazer", acusou o candidato apoiado pelo Chega.

Dizendo-se encorajado por sinais de que poderá alargar o seu eleitorado em relação à primeira volta, Ventura deixou uma previsão para a segunda volta, que terá lugar a 8 de fevereiro. "Quem votou noutros candidatos que não em mim ou em António José Seguro na primeira volta ficou a perceber, quanto às reformas que pretende, na economia, na saúde, no emprego e na justiça, Seguro não fará nada disso".

Sobre o modelo que defendeu no debate para a nomeação do procurador-geral da República, Ventura repetiu que "temos de despartidarizar as instituições públicas", mas admitiu que haverá diversos modelos para decidir os altos cargos da justiça, muito embora seja fulcral que "a justiça não deva responder ao Governo".

Realçando ter boa opinião do trabalho de Amadeu Guerra à frente do Ministério Público, o candidato presidencial apoiado pelo Chega recuou até Pinto Monteiro, que acredita ter sido colocado na Procuradoria-Geral da República por José Sócrates para "bloquear a ação da justiça". E, mais precisamente, para proteger o ex-primeiro-ministro.

Confrontado com a menção que fez à necessidade de "três Salazares", feita numa entrevista, André Ventura manteve que "o país precisa de ordem", sem se distanciar de uma expressão que, nas suas palavras, "toda a gente compreendeu". "Acho que as polícias precisam de autoridade e eu quero ser o candidato dessa autoridade", acrescentou.

Dizendo que "a última vez que morreu um imigrante em Portugal numa instalação policial foi num Governo do PS", mencionando o caso do ucraniano Ihor Honeniuk, morto quando estava sob custódia do entretanto extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Ventura recordou que a indemnização atribuída à família do ucraniano foi superior à recebida pela família de um militar da GNR que morreu a combater o tráfico de droga. "É preciso pôr este país na ordem. A vida de alguém de fora não vale mais do que a vida dos portugueses e eu até acho que vale mais", concluiu.

Durante a sessão destinada a estudantes universitários, Ventura disse que, caso seja eleito Presidente da República, não estará no seu horizonte dissolver a Assembleia da República. "Portugal está em entrar em miniciclos muito perigosos", justificou, garantindo que não bloqueará a governação se durante um seu eventual mandato der posse a um Governo socialista.

Pelo contrário, disse que António José Seguro "não vai descansar até ao PS estar de voltar ao poder", pelo que considera incompreensível que o centro-direita não se mobilize para assegurar a sua vitória na segunda volta. E disse que, "se hoje Sá Carneiro voltasse, e olhasse para o que está a acontecer", lhe daria o seu voto.

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