Alexandra Leitão, vereadora do PS em Lisboa.
Alexandra Leitão, vereadora do PS em Lisboa.Foto: Gerardo Santos

Alexandra Leitão elogia decisão de Miguel Coelho de suspender mandato na Assembleia Municipal

Ex-ministra valida posição do socialista arguido na Operação Imergente, mas respeita visão dos vereadores Sérgio Cintra e Carla Madeira. Ao DN, lembra que Moedas tem "vereadora com pelouro acusada."
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A Operação Imergente fez 37 arguidos e cinco detidos, os últimos já libertados com termo de identidade e residência. Um deles é Duarte Moral, assessor de comunicação de José Luís Carneiro, sendo que também no PS em Lisboa a investigação tem repercussões. Isto porque da equipa de vereação, Sérgio Cintra e Carla Madeira foram constituídos arguidos. O mesmo para Miguel Coelho, ex-presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e líder da bancada municipal.

Assim, o Diário de Notícias contactou Alexandra Leitão, candidata à Câmara Municipal de Lisboa em outubro e principal rosto da oposição a Carlos Moedas no atual executivo. A ex-ministra valida a decisão de Miguel Coelho de ter apresentado a suspensão do mandato, já depois de, à CNN, ter reconhecido no domingo que o caso "afeta" e que "é mau para o PS". "A situação é complexa, mas ser arguido não significa que haja qualquer culpabilidade. Há muitas outras fases do processo, portanto, a manutenção do cargo político, ou um eventual pedido de suspensão, depende da valoração própria. Nesta linha, elogio o Miguel Coelho, que decidiu suspender. Eu própria o faria", garantiu Alexandra Leitão ao DN, vincando que num cenário posterior de uma suspensão de mandato dos socialistas tal "não representará qualquer assunção de culpa", já que se trata, sim, de uma "ponderação de natureza política."

Como o DN noticiou na sexta-feira, ficou marcada para esta segunda-feira, 1 de junho, uma reunião do secretariado da Concelhia de Lisboa, tendo como prioridade decidir a sucessão na Assembleia Municipal, depois da suspensão de mandato de Miguel Coelho comunicada na quinta-feira. Hugo Gaspar substituiu Miguel Coelho em reunião e o PS fará uma eleição na próxima sessão da Assembleia Municipal daqui a sensivelmente duas semanas.

Segundo o que foi possível saber junto de fontes socialistas, as continuidades de Carla Madeira e Sérgio Cintra não eram tema discutido. Há uma presunção de inocência e, sendo políticos eleitos para os cargos, o PS respeita os trâmites legais sem tomar qualquer decisão ou retirar confiança política às pessoas envolvidas. Cintra tinha sido, entre 2013 e 2025, presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Maria Maior, que está no centro da investigação. Miguel Coelho, presidente daquela junta até 2025, também é arguido na operação. Carla Madeira foi presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia entre 2013 e 2025 e também assinou acordos com a empresa do assessor de Carneiro, Duarte Moral.

Após as buscas, Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, disse aos jornalistas ter "preocupação" quanto à situação que envolve algumas juntas de freguesia governadas por socialistas. Alexandra Leitão, em conversa com o DN, quis relembrar o edil de que Joana Baptista se mantém em funções na Higiene Urbana. "Na linha de distanciação entre as fases do processo, há uma diferença entre uma mera condição de ser arguida e de ser acusada. No PS, tivemos uma vereadora do partido socialista que renunciou ao mandato [Leitão refere-se a Inês Drummond, que foi acusada por quatro crimes de prevaricação]. Carlos Moedas tem hoje uma vereadora acusada e com pelouros. Nesta fase, não há ninguém acusado no PS e no passado o PS teve uma vereadora que renunciou", expressa, fazendo alusão à decisão do presidente da Câmara de Lisboa de manter Joana Baptista em funções depois de a vereadora ter sido acusada pelo Ministério Público de crime de peculato, por desvios dos cofres da Câmara de Oeiras para almoços de trabalho, perfazendo o segundo valor mais alto das provas recolhidas, atrás de Isaltino Morais.

Neste caso, Alexandra Leitão deixa a entender também que esperava que Carlos Moedas procedesse à destituição, como tinha feito com Diogo Moura, quando foi afastado por acusação de fraude fiscal nas eleições do CDS-PP - regressou ao Executivo depois de ilibado - ou com Alberto Laplaine Guimarães, da secretaria-geral da Câmara Municipal de Lisboa, detido pelo Ministério Público no âmbito da Operação Lúmen.

À margem disso, foi conhecido no final da semana passada o início de buscas na Carris e na empresa de manutenção dos elevadores, nomeadamente do da Glória, que descarrilou em setembro provocando 16 mortes. Esta segunda-feira, o PS Lisboa divulgou que se reuniu com a Organização dos Representantes dos Trabalhadores da Carris (ORT). Na nota, o PS diz que o encontro "foi solicitado pela ORT e agendado há cerca de uma semana", descartando que haja uma interligação entre a reunião e as buscas na empresa municipal.

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Alexandra Leitão, vereadora do PS em Lisboa.
Antigo jornalista e assessor de Costa e Carneiro. Quem é Duarte Moral, implicado na operação "Imergente"?
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