Albufeira. Ministério Público pede perda de mandato de Rui Cristina
O Ministério Público (MP) instaurou no Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé uma ação contra Rui Cristina, presidente da Câmara de Albufeira, eleito pelo Chega nas últimas autárquicas. O processo deu entrada no dia 3 de setembro dando seguimento a uma nomeação ocorrida em 2025 depois de uma denúncia do movimento Albufeira Sem Medo, apontando que Sara Cristina passou a ser adjunta, liderando o Gabinete de Apoio aos Vereadores. O MP pede perda de mandato do autarca do Chega, um dos três vencedores nas Autárquicas de 2025 pelo partido, confirmou a Procuradoria-Geral da República à Imprensa ao longo da tarde desta segunda-feira, dia 7 de setembro.
A nomeação, na altura, foi explicada à luz de um regime de mobilidade. Em 2011, tinha passado a técnica superior da Câmara de Loulé, chegou a ser candidata em 2021 pelo PSD, partido onde também Rui Cristina militava como deputado. "Fique claro que não é uma nomeação política. Todos os presidentes gostariam de ter alguém tão qualificado", disse após a nomeação, ainda em 2025, Rui Cristina, valorizando a ação desta para uma tarefa de coordenação, lembrando a licenciatura em Engenharia Civil e com pós-graduações em Direito do Urbanismo e Turismo.
"Não foi por acaso. Foi na sequência do requerimento que apresentámos, enquanto movimento, a denunciar a nomeação da irmã do presidente, Sara Isabel dos Santos Cristina, para o Gabinete de Apoio aos Vereadores da autarquia. Uma nomeação que a lei - a Lei n.º 78/2019, de 2 de setembro - proíbe de forma expressa e sem margem para interpretações: um titular de cargo político não pode nomear um irmão para o seu próprio gabinete de apoio", lê-se na nota enviada pelo movimento às redações.
Vincando que o autarca de Albufeira "já deu provas de que gere a câmara como se tratasse de uma sua empresa familiar" e que isso "não se pode aceitar", o movimento Albufeira sem Medo explana que "quem exerce um cargo autárquico exerce-o em nome dos albufeirenses, não da sua própria família ou dos seus interesses particulares."
Num outro processo, o presidente da Câmara de Albufeira é acusado de discriminação e incitamento ao ódio, na sequência de declarações feitas numa Assembleia Municipal sobre habitação e a comunidade cigana.

