Mesmo antes de deixar o Palácio de Belém, no final da cerimónia de tomada de posse, o ministro da Administração Interna respondeu a uma pergunta sobre o motivo de não ter podido formar a sua própria equipa com uma garantia: “tenho aqui a minha equipa”. Ao seu lado tinha Paulo Simões Ribeiro, Telmo Correia e Rui Rocha, que cumpriram a formalidade de serem exonerados e emposados no mesmo dia, respetivamente enquanto secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, secretário de Estado da Administração Interna e secretário de Estado da Proteção Civil. Se a continuidade desses governantes era dada como certa desde o anúncio da escolha do até agora diretor nacional da Polícia Judiciária como ministro - e tornara-se muito provável a partir do momento em que Luís Montenegro manteve os três em funções ao assumir transitoriamente a pasta deixada vaga pela demissão de Maria Lúcia Amaral -, não deixa de ser um paradoxo num Ministério da Administração Interna que tem sido visto como um dos focos de instabilidade nos ainda menos de dois anos de governação da AD.O social-democrata Paulo Simões Ribeiro e o centrista Telmo Correia vão no quarto ministro, depois de Margarida Blasco, Maria Lúcia Amaral e Luís Montenegro, mas também o social-democrata Rui Rocha teve a terceira tomada de posse em menos de nove meses. Os três secretários de Estado entraram para o Executivo decorrente das eleições legislativas de 2025 a 6 de junho, voltando a ter as nomeações confirmadas a 11 de fevereiro e, mais uma vez, nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.Em comum nas escolhas de Luís Montenegro para liderar o Ministério da Administração Interna esteve a opção por um perfil técnico, mas depois da juíza conselheira jubilada Margarida Blasco, inspetora-geral da Administração Interna entre 2012 e 2019, e da ex-provedora de Justiça Maria Lúcia Amaral, antes disso vice-presidente do Tribunal Constitucional, existem expectativas no Governo de que Luís Neves seja bastante diferente das antecessoras na capacidade operacional e de comunicar.Uma das incógnitas do novo ministro será a forma como o até agora diretor nacional da PJ trabalhará com secretários de Estado que são políticos experientes dos dois partidos da coligação. O centrista Telmo Correia é secretário de Estado da Administração Interna desde 2024, depois de uma carreira política em que foi ministro do Turismo no Governo AD de Pedro Santana Lopes e líder parlamentar do CDS em diversas ocasiões, sendo o atual líder da distrital de Lisboa, enquanto o social-democrata Paulo Simões Ribeiro, que transitou de secretário de Estado da Proteção Civil (com Margarida Blasco) para secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, é o presidente da distrital de Setúbal do PSD, após ter sido eleito vereador da Câmara de Palmela e deputado eleito pelo círculo de Setúbal.Último dos três a entrar para o Ministério da Administração Interna, o que só aconteceu no segundo Executivo de Luís Montenegro, Rui Rocha assumiu a Secretaria de Estado da Proteção Civil, cuja reforma deve ser uma das prioridades de Luís Neves. É uma área bem conhecida por quem não só foi presidente da Câmara de Ansião, concelho do distrito de Leiria situado na zona do Pinhal Interior, entre 2009 e 2017, como tem no currículo a presidência da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ansião e da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria. Não raras vezes confundido com o homónimo que liderou a Iniciativa Liberal, também é um dos vice-presidentes do PSD desde outubro de 2024. .Luís Neves toma posse como MAI “sem reservas”: "O diretor nacional da PJ não investiga ninguém"