Primeiro-ministro inicia Estado da Nação a atacar "oportunismo político dos esquecidos" PS e Chega (COM VÍDEO)

Governo de Luís Montenegro vai enfrentar críticas da oposição, com vários ministros em xeque, num debate que deve durar quatro horas e será marcado pelo possível atraso nas notas dos exames nacionais.
Primeiro-ministro inicia Estado da Nação a atacar "oportunismo político dos esquecidos" PS e Chega (COM VÍDEO)

Siga aqui o debate em direto (ARTV)

Montenegro diz que mantém "com certeza" confiança em Luís Neves

O primeiro-ministro responde ao líder do Chega que mantém, "com certeza e plenamente" confiança no ministro da Administração Interna, Luís Neves, acrescentando que entende a pergunta de André Ventura como sendo retórica. E também defende o ministro da Educação, Fernando Alexandre, na condução do processo de correção dos exames nacionais.

Muito crítico de Ventura, Montenegro disse que ao líder do Chega "só interessam os casos do momento", após ter dito que este tem uma "conceção peculiar e caricata" do debate sobre o Estado da Nação. Acusando-o de não ter falado de impostos, mobilidade e justiça, o primeiro-ministro disse ainda que as suas idas aos Estados Unidos não evitaram que o Governo tenha funconado "de forma coordenada e organizada".

"Mantém ou não a confiança no seu ministro da Administração Interna?", pergunta agora Ventura

O líder do Chega lembrou as alegadas palavras dirigidas por Luís Neves à bancada do partido mais à direita no hemiciclo, mas rapidamente voltou a falar de outras áreas da governação.

Depois de ter perguntado a Luís Montenegro se mantinha a confiança no ministro da Administração Interna, André Ventura concluiu a primeira intervenção com uma pergunta mais alargada: "mentám ou não a confiança no seu Governo?"

Ventura ataca Montenegro pela ausência em Portugal do primeiro-ministro para assistir ao Mundial de Futebol

"É muito estranho que o senhor primeiro-ministro chegue aqui sem dizer uma única palavra sobre o que preocupa mais os portugueses", atirou André Ventura, comparando Luís Montenegro ao "seu antecessor", António Costa.

O líder do Chega lembrou que Luís Montenegro esteve longe do país quando o país estava a arder e finalmente falou sobre a tensão entre o Governo e alunos e professores.

"Isto é uma vergonha nacional", disse André Ventura, enquanto atacava o Governo por ter colocado a culpa dos atrasos nas correções dos exames nos professores.

"Muitos falam de reformas, mas poucos têm coragem de reformar"

Luís Montenegro não esquece o chumbo "por falta de coragem" do Pacote Laboral, lançando uma farpa à exigência do Chega, que fez depender o voto favorável da redução da idade da reforma. "Muitos falam de reformas, mas poucos têm coragem de reformar", diz o primeiro-ministro, descrevendo ainda a resposta do seu Governo ao comboio de tempestades que devastou Portugal no início do ano como sendo "de urgência e de serenidade", culminando na apresentação do PTRR.

Também elogia a reação do seu Governo ao impacto do conflito no Médio Oriente sobre o preço dos combustíveis, "no contexto internacional mais desafiante desde o fim da Guerra Fria". Sobre o posicionamento de Portugal, destaca a eleição para membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

E termina com "a capacidade de diálogo político", dizendo que é "possível estarmos juntos a bem de Portugal" quando a oposição abandona a sua "arrogância". Sobre os entendimentos pontuais com o PS e o Chega, em dossiers diferentes, defendeu "que se trata !da democracia a funcionar".

Primeiro-ministro defende resultados económicos e financeiros do seu Governo

Luís Montenegro diz que, apesar da má conjuntura internacional, a economia portuguesa teve bons resultados durante a governação da AD, dizendo que os salários líquidos cresceram mais de 15% e que o risco de pobreza, "embora elevado", é o mais baixo em 15 anos.

Para o primeiro-ministro, o grande desafio é transformar Portugal, para aliviar a carga fiscal. Menciona os quase dois mil milhões de euros "devolvidos às famílias portuguesas", com quatro reduções no IRS.

Menciona o impacto da digitalização da Segurança Social na diminuição das deslocações dos cidadãos entre outras medidas para simplificar a relação das pessoas com a Administração Pública.

Intervenção de Montenegro agita bancadas da oposição

A "entrada ao ataque" do primeiro-ministro está a ser muito aplaudida pelos deputados do PSD e do CDS, mas tem motivado sonoros protestos vindos das bancadas do Chega e do PS.

Montenegro fala na "pressão acrescida" na Saúde, Educação e Habitação

Luís Montenegro pergunta a José Luís Carneiro "se sabia ou não sabia" da realidade dos números da imigração, acusando o PS de "ter escondido o jogo". Em causa estão os mais recentes números do Instituto Nacional de Estatística, e o impacto do aumento da população residente, relacionada com a imigração, nos indicadores económicos e sociais.

Falando da "pressão acrescida" na Saúde, na Educação e na Habitação decorrente do aumento da imigração nos anos em que António Costa foi primeiro-ministro, o primeior-ministro acusou PS e Chega de se unirem na "velha tática socrática de que é preciso impor uma narrativa". Neste caso, a ideia de que "o Governo e o primeiro-ministro são insensíveis, desumanos e não têm empatia", com Montenegro a defender que os principais partidos da oposição "não percebem que chumbam categoricamente no teste da realidade".

Luís Montenegro arranca debate com ataque ao "oportunismo político dos esquecidos" PS e Chega

O primeiro-ministro começa o debate do Estado da Nação a dizer que "o Governo está a cumprir o compromisso de trabalhar sempre mais, para que o país esteja melhor do que no ano anterior". E lança logo ataques ao PS, dizendo que "não tem direito ao esquecimento quem exige tudo, para ontem, o que não fez" durante os oito anos de governação socialista.

Mas Luís Montenegro também abrange o Chega no "oportunismo político dos esquecidos", criticando "alianças descaradas nesta Assembleia com os protagonistas desse passado, desejando no essencial que nada mude e tudo fique na mesma".

Governo já está na Sala das Sessões

O primeiro-ministro Luís Montenegro senta-se na tribuna do Governo, seguido dos restantes ministros, com o titular da pasta da Administração Interna, Luís Neves, entre os primeiros a entrar na Sala das Sessões da Assembleia da República. Também já estão presentes os líderes das maiores bancadas da oposição, André Ventura (Chega) e José Luís Carneiro (PS). Um dos últimos a chegar ao plenário é o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo.

Deputados começam a tomar os seus lugares

Dez minutos antes da hora marcada para o início do debate sobre o Estado da Nação já algumas dezenas de deputados ocupam os seus lugares no hemiciclo. Na primeira fila da bancada do PSD estão Alexandre Poço e Hugo Carneiro, enquanto Rui Paulo Sousa está na bancada do Chega e entre os deputados socialistas encontram-se as antigas ministras Mariana Vieira da Silva e Marina Gonçalves. Também o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e o deputado único do Juntos pelo Povo, Filipe Sousa, estão entre os primeiros a comparecer.

Oposição pressiona Governo com ministros vistos como fonte de soluções e não de problemas

Primeiro-ministro inicia Estado da Nação a atacar "oportunismo político dos esquecidos" PS e Chega (COM VÍDEO)
Montenegro desgastado num Estado da Nação com novos e velhos problemas

Estado da Nação desta vez não será último debate antes das férias

Ao contrário do que tem acontecido na última década, o debate sobre o Estado da Nação, no qual o Governo e a oposição confrontam as suas visões sobre a realidade nacional, não será o último debate político desta sessão legislativa. Com a Assembleia da República prestes a entrar nas férias de verão, a conferência de líderes desta quarta-feira agendou para a manhã de sexta-feira um debate de urgência, requerido de forma potestativa pelo grupo parlamentar do PCP, sobre o processo de correção dos exames nacionais.

Luís Neves e Fernando Alexandre concentram críticas

Os desenvolvimentos na investigação jornalística às ligações entre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, a um empreiteiro com quem a Polícia Judiciária celebrou diversos contratos quando o governante era diretor nacional dessa força policial de investigação, e as falhas na correção dos exames nacionais dos alunos do Ensino Secundário, que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu nesta quinta-feira poderem impedir a divulgação das notas na sexta-feira, devem concentrar atenções no debate sobre o Estado da Nação, que vai começar às 15h30 na Assembleia da República.

Diário de Notícias
www.dn.pt