Não vai ser o último a ter lugar na Assembleia da República antes do encerramento da sessão legislativa e das férias de verão, pois foi confirmado o agendamento de um debate sobre os problemas na correção dos exames nacionais para a manhã seguinte, mas o Estado da Nação promete, durante quatro horas, iniciadas às 15h30 desta quinta-feira, confrontar o primeiro-ministro Luís Montenegro com novos e velhos problemas que marcaram a sua governação nos últimos meses. E com a oposição a diversificar protagonistas dos seus ataques, tendo em conta as últimas crises que abalaram o Executivo da AD. Após ter visto a maioria dos deputados, com o Chega a juntar-se à esquerda, travar as alterações na legislação laboral que disse serem essenciais para a competitividade da economia e a criação de emprego qualificado e com salários capazes de travar a emigração de jovens, o primeiro-ministro sobe à bancada do Governo sob o peso da devastação do comboio de tempestades, o aumento dos preço dos combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente, as dificuldades na aprovação de legislação e, mais recentemente, as polémicas que envolvem ministros tidos como fontes de soluções e não de problemas. Nem o facto de Fernando Alexandre ter ocasião, logo no dia seguinte, de explicar aos deputados o que correu mal na digitalização dos exames, colocando entraves inesperados a um processo que envolve 170 mil alunos, evitará que o ministro da Educação esteja na mira de toda a oposição.Antecipando críticas, Montenegro deu um sinal de apoio ao professor universitário que convidou a juntar-se ao Executivo resultante das eleições de 2025. “O país tem de perder o medo de falhar, porque só quem não tem medo de falhar é que consegue acertar verdadeiramente”, disse Montenegro, explicando que vê a mesma lógica na política. “Também aí não nos importamos de arriscar. Mesmo que, aqui ou ali, as coisas possam correr menos bem, vamos arriscar na mesma. Até por uma razão moral, porque se incitamos a sociedade a fazê-lo, temos de ser os primeiros a dar o exemplo”, disse o primeiro-ministro, com Fernando Alexandre a receber elogios à sua competência de Passos Coelho.Sobretudo devido a questões que não têm a ver com o seu desempenho no Ministério da Administração Interna, Luís Neves será o outro ministro que deverá concentrar ataques. As ligações do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária a um empreiteiro com quem a entidade celebrou vários contratos, e também fez obras numa propriedade do atual governante, prometem estar entre os momentos mais tensos do debate sobre o Estado da Nação. Mas Luís Neves, que obteve elogios transversais ao aceitar a pasta deixada vaga por Maria Lúcia Amaral, ainda será questionado pela oposição com o recorrente tema da gestão do SIRESP. .Governo com más sondagens.Mais “naturais” são os problemas que Montenegro pode esperar da ressaca do chumbo do Pacote Laboral, tendo visto a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, juntar-se à titular da Saúde, Ana Paula Martins, entre os elementos mais impopulares do seu Governo.Embora as intenções de voto tenham uma importância relativa quando faltam três anos para o fim da legislatura, o Governo não tem apoio maioritário na Assembleia da República, enfrentando a cada instante a possibilidade de a oposição se unir. Para chumbar iniciativas legislativas e, no limite, forçar as eleições antecipadas que se tornaram habituais em Portugal desde 2019.Os estudos de opinião mostram que a AD foi ultrapassada pelo PS nos últimos meses, e em alguns casos também pelo Chega. E houve meses em que houve menos inquiridos com confiança em Montenegro para ser primeiro-ministro ficou aquém dos resultados de José Luís Carneiro e de André Ventura.Apesar dos sinais de que a AD poderia sair derrotada numa ida às urnas a curto prazo, tal cenário não é visto como prioritário por nenhum dos vértices do tripartidarismo. Na coligação de centro-direita, apesar de o comentador e antigo ministro social-democrata Miguel Relvas, ter referido “vozes na área do Governo” que advogam a apresentação de uma moção de confiança, não existem sinais de que haja vontade de esticar a corda. Mesmo o eventual chumbo da proposta do Orçamento do Estado para 2027 não garantiria mudança de ciclo, pois António José Seguro diverge do antecessor na Presidência da República quanto à necessidade de isso levar a dissolver a Assembleia da República. Para os principais partidos da oposição, que somam mais de metade dos deputados, é nota assente que as fortes críticas ao Governo devem ser feitas numa lógica de desgaste, e não de demolição. E com registos diferentes, pois de Carneiro não se espera que exija a demissão de Fernando Alexandre e de Luís Neves, ao invés de Ventura.O PS está em fase de reorganização interna e, apesar dos bons indicadores nas sondagens, vê o eleitorado ainda balanceado à direita. Quanto ao Chega, apesar das vantagens a médio prazo que poderia retirar de um Governo minoritário socialista que fosse viabilizado pelo PSD, existe noção do risco eleitoral de ser visto como causador da crise. .Estado da Nação. "Acesso na Saúde não melhorou, até piorou ligeiramente” .Habitação. Tardam efeitos das medidas do Governo: preço das casas disparou.Imigração. Com novos limites à entrada no país, próximo foco é a integração.Educação. Dos exames à falta de docentes: ano letivo fecha com cerco ao ministro