A “pressão” sobre o Orçamento foi atenuada, mas ficou instalado o “desconforto”, referem ao DN fontes socialistas, criado pelas “últimas intervenções [a exigência da “unidade” e de um PS a uma “só voz publicamente”], que espoletaram reações mais estruturais” no partido e a certeza de um “desnorte estratégico”, desde que o governo de Luís Montenegro tomou posse. .O atenuar, porém, deixou marcas pelo que “começou mal”, com a ameaça do “praticamente impossível” logo a seguir à tomada de posse do governo, e sem que o “tema estivesse na agenda”, e terminou com a “incongruência”, que “era inevitável”, de viabilizar o Orçamento do Estado “depois de tudo o que foi dito” pelo secretário-geral..O que foi dito? “O PS só viabiliza um Orçamento do Estado para 2025 que não inclua, ou tenha como pressuposto, as alterações ao regime de IRS e IRC propostas pelo governo ou qualquer modelação dessas propostas […] se [os do governo] persistirem em políticas que acreditamos serem prejudiciais, não hesitaremos em votar contra […] quem acha que o PS fará qualquer cálculo em função de resultados eleitorais ou que tem medo de eleições está completamente enganado”..Depois “deste afunilar” na “linguagem” e nos objetivos do IRS Jovem e do IRC, causou “estranheza” dentro do PS que o “recuo” tivesse sido justificado precisamente com o argumento de que “um eventual chumbo do Orçamento poderia conduzir o país e os portugueses para as terceiras eleições legislativas em menos de três anos, sem que se perspetive que delas resultasse uma maioria estável”..Ora, questiona ao DN um dirigente do partido, se “queria chumbar o Orçamento”, dizendo até que preferia “perder eleições a perder as convicções” porque era “o melhor para o país”, como é que se justifica que a explicação seja a “incerteza” de um resultado eleitoral? .Outra questão: “Se garantiu aos militantes, e está escrito, que se as políticas da AD fossem prejudiciais não hesitaria no voto contra, e sendo o Orçamento mau, como disse, como se explica que a justificação seja eleições incertas? São todas. Alguém imaginava que o António Costa iria ter maioria absoluta?” .É, refere ao DN fonte parlamentar, um “desnorte estratégico que depois resulta em erros políticos graves”. A consequência? “Ter de fazer marcha à ré tendo em conta o descontentamento generalizado” que se “instalou” no partido - autarcas, deputados e dirigentes do PS. .Além destes “erros políticos”, são ainda apontados outros dois, de “imaturidade política”, que condicionam o posicionamento do que “deveria ser o PS”..O primeiro é o “tratar” PSD e Chega “como se fosse tudo igual, como se fosse um bloco”, quando “na verdade não é”. “É errado”, diz ao DN fonte parlamentar..O outro “erro”, sublinha, é o PS não se empenhar no que é necessário, nas “reformas de que o país precisa” dado o “equilíbrio de poderes” [deputados da AD e do PS] e até aproveitando as “linhas de ação do PRR” que foram definidas pelo anterior governo socialista. .Acresce um “incompreensível” traçar de linhas vermelhas, a “insistência” de semanas no IRS Jovem e no IRC, descurando questões como a saúde ou a proteção civil, por exemplo, que estão a “ser colocadas em causa” pelo Executivo..O “desconforto” interno “criado” com as acusações de Pedro Nuno Santos de que há “dirigentes do PS a fazer o jogo da direita, o jogo do governo”, tendo em “conta que o partido estava calmo internamente”, aprofundou, assegura fonte parlamentar, “diferenças que certamente se repercutirão no futuro”. .Estes dois avisos - “aqueles que no nosso partido têm acesso à televisão precisam mais vezes de descer do pedestal e de estar com o partido, sentir o partido, com os militantes [...] o PS só estará à altura do combate se cada um assumir as responsabilidades de unir e intervirmos a uma só voz publicamente” -, que “espoletaram reações mais estruturais”, estão a ter reflexos de “discórdia”, asseguram, nas “bases”, que o secretário-geral invocou para tentar travar os que, como disse, “não são comentadores como os outros” e deviam ter “sentido de responsabilidade” e “consciência de pertencerem a um partido”. “Estar com o partido”, diz ao DN um dirigente socialista, é “não esquecer” o “processo autárquico”, que está “atrasado”. Há “questões de fundo que já deviam estar a ser “tratadas”, mas que foram sendo adiadas pela “espuma dos dias” da liderança do PS..Pedro Nuno Santos, contrariando os avisos públicos que fez, no último fim de semana, contra a “discórdia” e os conselhos que deu àqueles que “precisam mais vezes de descer do pedestal e de estar com o partido”, na declaração ao país - o anúncio da abstenção - traçou outro cenário sobre as questões internas: “Que ninguém tenha ilusões sobre a unidade do PS. Essa é clara e quem acompanha a vida interna do PS sabe muito bem que nós temos um partido unido.” .Próximo passo? Renovar o partido com novos quadros, outras pessoas, preparando, assim, as eleições autárquicas e presidenciais.