Rita Chantre/Global Imagens
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Pedro Nuno Santos: "Nem tudo foi bem feito e há muito trabalho pela frente"

Novo secretário-geral admitiu que o PS tem de "ouvir os trabalhadores e os empresários que, juntos, constroem a riqueza deste país" e "corresponder às justas aspirações dos jovens".
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O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, guardou para o final do seu primeiro discurso no 34.º Congresso do PS, que decorre até domingo na Feira Internacional de Lisboa, a concretização da "inovação na continuidade" defendida na sua moção, deixando claro que será preciso fazer melhor do que na governação de António Costa.

"Se temos motivos para estar orgulhosos do trabalho feito nestes últimos oito anos, também sabemos assumir, com humildade, perante os portugueses, que nem tudo foi bem feito e que há ainda muito trabalho pela frente", disse Pedro Nuno Santos, acrescentando que o PS "tem de saber ouvir o povo, ouvir os trabalhadores e os empresários que, juntos, constroem a riqueza deste país, respeitar os reformados e corresponder às justas aspirações dos jovens".

Depois de críticas duras à direita, apontando "falta de confiança" e "vazio" ao PSD de Luís Montenegro, o novo líder socialista prometeu "abrir um novo ciclo no país e garantir as respostas para os problemas que o país inteiro enfrenta e pelas quais não pode esperar mais tempo".

Para trás ficou uma avaliação positiva dos oito anos, divididos em três governos, com o primeiro a "garantir a recuperação de rendimentos e direitos de trabalhadores e pensionistas, bem como a credibilidade internacional", retirando Portugal da zona de risco do procedimento por défices excessivos "para onde a direita nos tinha conduzido".

Dizendo que os acontecimentos de novembro, com a demissão do primeiro-ministro, "interromperam, infelizmente, um ciclo político de estabilidade e uma governação com provas dadas", Pedro Nuno Santos partilhou o seu "enorme orgulho por ter feito parte dos três governos liderados por António Costa". Enquanto secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, "no centro de uma solução governativa de que muitos duvidavam", e enquanto ministro das Infraestruturas. 

Dos motivos que levaram à sua saída do governo, na sequência do caso da indemnização paga pela TAP à efémera secretária de Estado Alexandra Reis, o agora secretário-geral do PS referiu-se apenas de forma indireta. "Só erra quem faz ou tenta fazer - ao contrário daqueles que nada fazem e nada tentam. Esses, posso garantir-vos, nunca erram. Mas porque nunca erram, nunca aprendem. Nunca melhoram. Nunca evoluem. Nunca progridem".

Sobre a TAP, disse que "continua a ser usada como arma de arremesso" e que devido aos efeitos da pandemia de covid-19 na aviação comercial, "ou era intervencionada ou encerrava". E defendeu o plano de reestruturação negociado com a Comissão Europeia, levando a empresa "a dar lucro em tempo muito antecipado relativamente ao que fora previsto".

"Não escondo o orgulho por ter deixado a TAP a dar lucro, assim como a CP, pelo segundo ano consecutivo, apresentará um resultado positivo. As empresas públicas não estão condenadas a ser deficitárias", disse o secretário-geral do PS, para quem isso "incomoda a direita porque lhes interessa a narrativa de que tudo deve ser privatizado, de que no Estado nada funciona, de que um Estado mínimo funciona melhor". 

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