O que se faz quando há “discórdia” e divisões internas? A resposta e a “nova estratégia” do secretário-geral socialista, como é constatado ao DN por fonte parlamentar, foi este sábado colocada em prática no terreno, em Braga e Penafiel, nos Congressos Federativos, e regressa hoje a Cascais no Congresso Federativo da Área Urbana de Lisboa com os discursos de Alexandra Leitão, Ana Abrunhosa, Ana Catarina Mendes, Isilda Gomes, João Paulo Rebelo, Maria Begonha, Mariana Vieira da Silva, Marina Gonçalves, Marta Temido, Pedro Delgado Alves e Pedro Vaz. .Primeiro alvo? A direita. E a troca de acusações entre Luís Montenegro e André Ventura sobre ofertas para “acordos” no OE2025 e até mesmo um alegado convite para “que mais para a frente o Chega viesse a integrar o Governo”, num “contexto político diferente”, criou a oportunidade para que Pedro Nuno Santos possa dizer que ”não sabemos quem mente”: se o primeiro-ministro ou o líder do Chega. .“Aquilo a que temos assistido nos últimos dias é preocupante”, diz o secretário-geral do PS que vai mais longe ao criticar a “vergonha para a nossa democracia” que é o país assistir a “dois líderes partidários [aqui não se referiu a Montenegro como primeiro-ministro] a acusarem-se mutuamente na praça pública de mentira”. O desafio? É preciso clarificar quem está a mentir para que os portugueses fiquem com a certeza de que “a palavra do primeiro-ministro é para levar a sério”..E sobre as “cinco reuniões” que Ventura diz ter tido com Montenegro? “Para dizer 'André, nós não confiámos em vocês e, portanto, não vamos negociar convosco', bastava uma reunião”, critica. .A “estratégia” aqui, explica ao DN fonte socialista, não é nova: é a repetição do que aconteceu durante a campanha eleitoral para as legislativas - colar o PSD ao Chega - tal como já tinha feito António Costa. A frase? “A direita portuguesa não é de confiança”..Segundo alvo? Os que fomentam a “discórdia”. .E a “nova estratégia” interna, é esse o entendimento dos parlamentares do PS ouvidos pelo DN, é acentuar publicamente, como disse Pedro Nuno Santos em Braga, “que nenhum socialista e dirigente do PS se engane sobre qual é o seu partido e quais são os nossos adversários”. .Antevendo disputas internas por causa das eleições autárquicas do próximo ano, o aviso do secretário-geral foi muito claro e direto: é preciso “credibilizar e unir o PS, combater o oportunismo e divisões internas”. .“É nesta disputa que temos de estar todos concentrados. Sem esquecer que, se estão aqui dentro, é porque são do PS“, sublinhou..Sem referir, por exemplo, os nomes dos que defendem a viabilização do Orçamento ou os que do “passado”, como referiu ao DN fonte parlamentar, se querem dar como “presentes” e “influentes”, o secretário-geral socialista avisa que não se podem “cometer os erros do passado, nem fomentar discórdia dentro das concelhias e secções” do partido. .Ao DN, fonte parlamentar do PS, entende que este “aviso” tem um “sentido mais lato” [as divisões sobre a posição a tomar em relação ao OE2025] e que “para bom entendedor, meia palavra basta”..“Que nenhum socialista”, alertou Pedro Nuno Santos, “se engane e faça o jogo da AD" esquecendo a “unidade” a “promover” no partido. .O secretário-geral do PS reforçou a ideia de que a proposta de Orçamento do Estado apresentado pelo Governo “não é, nem nunca será” o Orçamento do PS, “não só pelo que tem, mas sobretudo pelo que não tem”..Este OE2025 “não vai colocar Portugal a crescer, o Governo não acredita na capacidade de crescimento da economia portuguesa e das empresas”, referiu, concluindo, assim, que “o Orçamento é mau”. .“Independentemente do que venhamos a fazer [abstenção ou voto contra], a distância entre nós e o Governo é muita” e o “Orçamento será sempre combatido pelo PS”, assegurou..Para Pedro Nuno Santos, “um Governo vendedor de ilusões (…) “não é de confiança” e “não tem solução para os problemas dos portugueses”.