Não interessa quem ganha, mas quem consegue maioria
Maria João Gala / Global Imagens

Não interessa quem ganha, mas quem consegue maioria

Costa quebrou a tradição em 2015 e os portugueses adotam essa solução, seja à esquerda, seja à direita.
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Foi em 2015 que António Costa quebrou uma lei não escrita e, mesmo sem ter vencido as eleições (a coligação PSD/CDS obteve 37% e o PS 32%), formou Governo, tirando partido da lei, essa sim escrita, que define que é preciso uma maioria parlamentar para formar Governo. Foi isso que fez quando construiu a “geringonça”, com o BE e o PCP.

Já se percebeu que Pedro Nuno Santos (PS) fará o mesmo se a ocasião se apresentar. E que Luís Montenegro (PSD) prefere recuperar a tradição, recusando assumir a chefia do Governo, se perder as eleições, mesmo que exista uma maioria parlamentar à direita. E o que preferem os portugueses, se a 10 de março os resultados apontarem para esse cenário, seja à esquerda, seja à direita?

De acordo com os resultados da sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, a visão puramente parlamentarista concretizada por António Costa é a que vale. Não interessa tanto quem vence, o que conta é se alguém, incluindo o perdedor, consegue reunir uma maioria parlamentar e dessa forma aprovar o programa de Governo e seguir adiante.

Quando o que está em causa é a hipótese de o PSD, mesmo perdendo, conseguir uma maioria parlamentar com outro ou outros partidos e formar Governo, 49% concordam e apenas 20% discordam. Se a pergunta for para um PS perdedor, mas com capacidade para formar maioria no Parlamento, o entusiasmo é um pouco menor, mas ainda assim convincente: 46% concordam e 23% discordam.

Políticos honestos?

Os portugueses resistem a associar um político a honestidade. Mesmos os que votam no PS (43%) e os que votam no PSD (34%) preferem não responder a ter de atribuir essa qualidade aos seus líderes.

Otimismo socialista

A percentagem de eleitores socilistas que acredita que o próximo primeiro-ministro será Pedro Nuno Santos (70%) é maior do que a de sociais-democratas que dá o favoritismo nas eleições de março a Luís Montenegro (55%).

FICHA TÉCNICA
Sondagem de opinião realizada pela Aximage para DN/JN/TSF. Universo: Indivíduos maiores de 18 anos residentes em Portugal. Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região. A amostra teve 805 entrevistas efetivas: 688 entrevistas online e 117 entrevistas telefónicas; 390 homens e 415 mulheres; 174 entre os 18 e os 34 anos, 209 entre os 35 e os 49 anos, 230 entre os 50 e os 64 anos e 192 para os 65 e mais anos; Norte 277, Centro 175, Sul e Ilhas 122, A. M. Lisboa 231. Técnica: aplicação online (CAWI) de um questionário estruturado a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas para pessoas com 18 ou mais anos; entrevistas telefónicas (CATI) do mesmo questionário ao subuniverso utilizado pela Aximage, com preenchimento das mesmas quotas para os indivíduos com 50 e mais anos e outros. O trabalho de campo decorreu entre 18 e 23 de dezembro de 2023. Taxa de resposta: 72,22%. O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de +/- 3,5%. Responsabilidade do estudo: Aximage, sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.

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