Marcelo: Governo está a desenvolver caminho "diferente "e "alternativo" ao confinamento

Para o Presidente da República, trata-se de travar "a subida dos casos e a contenção justifica medida de contenção, que é a da limitação da circulação".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta quinta-feira que o Governo está a desenvolver um caminho "diferente" e "alternativo" no combate à pandemia da covid-19, afastando um possível confinamento em todo o território.

"Eu penso que estas soluções encontradas pelo Governo procuram exatamente um caminho diferente, um caminho alternativo, não é estar a adotar um caminho que se adotou numa situação muitíssimo mais grave, com seis mil, sete mil, chegou a 16 mil casos por dia, com dois mil, três mil, quatro mil internados, chegou a seis mil internados, 900 nos cuidados intensivos, 300 mortos, não é isso que se trata", disse.

"Para situações diferentes tem de se encontrar soluções diferentes e a solução diferente que é encontrada agora, não é uma solução nem de estado de emergência de confinamento total em todo o território, mas intervenções que são seletivas em função da situação dos municípios", acrescentou.

"Temos de continuar todos a fazer um esforço com cabeça fria, que é de enfrentar as situações naqueles concelhos mais problemáticos para reduzir a progressão do número de casos"

O Presidente da República, que falava aos jornalistas em Castelo de Vide (Portalegre), no final da cerimónia de inauguração da Casa da Cidadania Salgueiro Maia, projeto que envolve um investimento global de três milhões de euros, reagia ao anúncio do Governo sobre o número de concelhos que se encontram no nível de risco elevado ou muito elevado.

"Eu penso que temos de continuar todos a fazer um esforço com cabeça fria, que é de enfrentar as situações naqueles concelhos mais problemáticos para reduzir a progressão do número de casos, ao mesmo tempo tendo a noção, e os números de hoje confirmaram, que o número de mortos continua no mesmo nível, não ultrapassa os seis, houve uma redução até no número de cuidados intensivos e uma ligeira subida nos internados", disse.

Nova limitação à circulação das 23:00 às 05:00 horas em 45 concelhos

"Do que se trata, verdadeiramente, não é tanto do que seria mais grave que era a mortalidade ou o agravamento brutal, significativo, nos cuidados intensivos ou no internamento, mas sim de conter a subida dos casos e a contenção justifica medida de contenção, que é a da limitação da circulação", acrescentou.

Dos 278 concelhos de Portugal continental, há 45 no nível de risco elevado ou muito elevado de incidência de covid-19, aplicando-se medidas mais restritivas, inclusive a limitação da circulação na via pública a partir das 23:00, anunciou o Governo.

Em conferência de imprensa, após a reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, disse que nos concelhos de risco elevado ou muito elevado passará a existir uma limitação da circulação na via pública "a partir das 23:00 e até às 05:00", explicando que a medida visa reduzir ajuntamentos, pelo que "não tem nenhuma exceção" relacionada com a apresentação de teste negativo de covid-19 ou certificado digital de vacinação.

A intenção do Governo é que a medida entre em vigor o mais rápido possível, prevendo que isso possa acontecer a partir de sexta-feira.

Sobre a atualização do mapa de risco, Mariana Vieira da Silva informou que aumentaram de três para 19 os concelhos de risco muito elevado de incidência de covid-19, juntando-se a Albufeira, Lisboa e Sesimbra outros 16 municípios que agora recuam no plano de desconfinamento, designadamente Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Constância, Loulé, Loures, Mafra, Mira, Moita, Odivelas, Oeiras, Olhão, Seixal, Sintra e Sobral de Monte Agraço.

O nível de risco muito elevado de transmissibilidade da covid-19 identifica os concelhos que registem, pela segunda avaliação consecutiva, uma taxa de incidência superior a 240 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 480 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

Quanto aos concelhos no nível de risco elevado de incidência de covid-19, passaram a ser 26, nomeadamente Alcochete, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Avis, Braga, Castelo de Vide, Faro, Grândola, Lagoa, Lagos, Montijo, Odemira, Palmela, Paredes de Coura, Portimão, Porto, Rio Maior, Santarém, São Brás de Alportel, Sardoal, Setúbal, Silves, Sines, Sousel, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

O nível de risco elevado aplica-se aos concelhos que registem, pela segunda avaliação consecutiva, uma taxa de incidência superior a 120 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 240 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

Além destes 45 concelhos no nível de risco elevado ou muito elevado de incidência de covid-19, por registarem pela primeira vez uma taxa de incidência superior a 120 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 240 se forem concelhos de baixa densidade populacional), há 21 municípios em situação de alerta: Albergaria-a-Velha, Aveiro, Azambuja, Cartaxo, Bombarral, Idanha-a-Nova, Ílhavo, Lourinhã, Matosinhos, Mourão, Nazaré, Óbidos, Salvaterra de Magos, Santo Tirso, Trancoso, Trofa, Vagos, Viana do Alentejo, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia e Viseu.

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