O presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, confirmou nesta quinta-feira que os deputados liberais irão votar contra o Orçamento do Estado para 2025 na generalidade. Numa conferência de imprensa realizada na Assembleia da República, onde disse que a decisão foi “unânime” no grupo parlamentar e “pacífica” dentro do partido, criticou aquilo que descreveu como uma proposta “que poderia ter sido apresentada pelo PS”..Rui Rocha disse que os liberais perceberam que estão “perante um PSD completamente encostado à visão do PS”, acusando o documento - com aprovação garantida na votação na generalidade, que está agendada para a próxima quinta-feira, 31 de outubro, graças à abstenção dos deputados socialistas -, de nem sequer estar alinhado com o programa eleitoral com que a Aliança Democrática venceu as legislativas. “A Iniciativa Liberal vota contra porque não interessa tanto quem assina o documento. O que interessa é o sentido”, disse..Admitindo que o sentido de voto dos liberais seria diferente se a proposta elaborada pelo ministro das Finanças, Miranda Sarmento, “incorporasse uma visão reformista do país” e, sobretudo, “uma visão liberal”, Rocha disse que a decisão “foi muito rápida”. E teve a ver com o entendimento que o seu partido tem da necessidade “de mudança, de reformas e de pôr o país a crescer”..Propostas de alteração.Apesar do voto contra na generalidade, Rocha disse que o partido poderá alterar o sentido de voto na votação na globalidade, a 29 de novembro, embora não considere que tal seja provável. “Perguntam-me se acredito numa alteração qualitativa e objetiva deste documento orçamental para que a Iniciativa Liberal, que agora vota contra, venha no futuro a votar de modo diferente? Não quero ser definitivo relativamente a isso, mas tenho enormes dúvidas de que seja possível”, respondeu..Garantindo que durante a discussão na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2025 o seu partido apresentará propostas de alteração, Rui Rocha disse que os liberais continuarão “a seguir um caminho de responsabilidade”. E, numa crítica aos diferendos entre o Governo, PS e Chega ao longo das últimas semanas, disse que, enquanto houve “quem discutisse novelas e agendas”, os liberais apresentaram cerca de 40 propostas na sequência das reuniões preparatórias com o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, e o ministro da Presidência, António Leitão Amaro..Em entrevista ao DN, o coordenador dos liberais na Comissão de Orçamento e Finanças, Bernardo Blanco, disse que o partido irá propor medidas que o Executivo “deixou cair”, antecipando que não venham a ser aprovadas, incluindo a redução do IVA na construção e a isenção de impostos nas contas-poupança. “Vamos propô-las e o Governo vai chumbar medidas da Iniciativa Liberal que estão no seu próprio programa. Aposto que vai chumbá-las, pois precisa do voto do PS”, previu o deputado..Sentidos de voto.A favor.No final dos dois dias de debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2024, o Governo de Luís Montenegro poderá contar apenas com os votos favoráveis dos grupos parlamentares do PSD e do CDS. Ao todo, não serão mais do que 80 votos, ainda menos do que no Orçamento do Estado para 1987, quando o Executivo minoritário de Cavaco Silva só teve os votos dos grupos parlamentares do PSD e do CDS, bem como dos independentes Rui Oliveira e Costa e Borges de Carvalho. Valeu-lhe a abstenção do PRD..Abstenção.O suspense que se prometia arrastar foi desfeito por Pedro Nuno Santos na semana passada. O secretário-geral do PS deu a indicação, confirmada na reunião da Comissão Política Nacional realizada na passada segunda-feira, de que os deputados socialistas viabilizarão um “mau” Orçamento do Estado, que não acolheu todas as alterações propostas ao Governo, abstendo-se tanto na generalidade como na globalidade. Mas promete votar na especialidade contra medidas como a descida do IRC num ponto percentual..Contra.A Iniciativa Liberal juntou-se à extensa lista de partidos com representação parlamentar que irão chumbar a proposta do Governo. Depois de uma sucessão de peripécias que incluiu a acusação de que Luís Montenegro mentiu ao negar a existência de negociações com o Chega, André Ventura anunciou o voto contra dos seus 50 deputados (que bastariam para a aprovação se votassem a favor), justificado por considerar o documento “uma fraude” no que toca às promessas eleitorais de baixa de impostos. Sem surpresa, também o Bloco de Esquerda, o PCP e o Livre confirmaram que votam contra, tal como a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real. Mas todos esses partidos irão apresentar propostas de alteração na especialidade.