Desconfinamento avança. Agora é a vacinação que mais ordena

Governo adota medidas progressivas de fim das restrições pandémicas valorizando avanço da vacinação. Costa acredita que os jovens estão "ansiosos" para ser vacinados. E sublinha "convergência total" entre o governo e o Presidente da República.

O país passou a ser encarado como um todo único, sem diferenciações concelhias e por níveis de risco pandémico, de acordo com o novo plano de desconfinamento ontem anunciado pelo primeiro-ministro, após mais uma reunião do Conselho de Ministros.

"Vamos deixar de fazer a associação das medidas semanalmente adotadas em função da evolução da matriz, não se justifica nesta fase da taxa de vacinação", disse António Costa, na conferência de imprensa com que apresentou, no Palácio da Ajuda, as conclusões da reunião governamental.

Agora, o que contará (ver em baixo) é a percentagem de população vacinada. Está delineado um plano com três fases, avançando a primeira já a 1 de agosto. Seja como for, como sempre nada é rígido: "Se as coisas não correrem bem, não deixaremos de parar ou mesmo recuar relativamente àquilo que é a trajetória que está definida. Se tudo correr bem, o ritmo da vacinação vai progredindo como está previsto - a um ritmo superior à involução da pandemia - e poderemos continuar a dar estes passos de forma tranquila e segura. Queremos retomar as atividades, mas garantindo a segurança de todas e de todos", afirmou.

"O que eu entendi das palavras do senhor Presidente da República e do seu espírito é uma confiança acrescida relativamente à forma como tem vindo a ser controlada a pandemia, como foi reforçado o SNS, como tem corrido o processo de vacinação e como estamos em condições de poder dar este passo no sentido da retoma."

Costa aproveitou a conferência de imprensa para assegurar que há "uma total convergência" entre governo e Presidente da República para dar "um passo no sentido da retoma" devido à pandemia, uma convergência que considera alargar-se à restante população e partidos políticos. "Controlar a pandemia, garantir a retoma" foi precisamente o mote da conferência de imprensa.

Questionado sobre as declarações do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que, na reunião do Infarmed desta semana, declarou-se "irritantemente otimista", António Costa começou por responder nunca se considerar irritante um otimista e "muito menos o senhor Presidente da República alguma vez poderá ser qualificado dessa forma".

"O que eu entendi das palavras do senhor Presidente da República e do seu espírito é uma confiança acrescida relativamente à forma como tem vindo a ser controlada a pandemia, como foi reforçado o SNS, como tem corrido o processo de vacinação e como estamos em condições de poder dar este passo no sentido da retoma", sublinhou.

Assim, "há uma total convergência de pontos de vista nesse sentido entre governo e Presidente da República", que considerou ser "saudável". "E creio que, aliás, com a generalidade da população portuguesa e das diferentes forças políticas, todos os ouvimos. Foram todas coincidentes no sentido de este ser o momento para retomarmos o processo de retoma, uns com maior ambição, outros com mais prudência, mas todos no mesmo sentido. Acho que há uma convergência geral no sentido deste progresso que o governo hoje aqui marca", enfatizou.

Interrogado sobre se tinha dado nota a Marcelo Rebelo de Sousa sobre as medidas hoje tomadas pelo Conselho de Ministros, António Costa referiu que, "como é próprio e normal das relações entre o governo e o Presidente da República, cabe ao governo manter o Presidente da República informado sobre o andamento da condução da política geral do país". "Nesse âmbito informamos o Presidente da República de quais são as decisões que vamos tomando."

Costa descartou ainda que venham a surgir problemas graves de resistência juvenil à vacinação. "Não temos qualquer indicação de que vá haver qualquer tipo de resistência dos jovens à vacinação, pelo contrário. Tudo nos indica que os jovens estão ansiosos para poderem ter a sua vacinação, porque se querem proteger, porque não querem correr o risco de andar a infetar outros e porque querem ter maior liberdade de poderem aceder a um conjunto de atividades, onde hoje, para aceder, têm de ter o certificado de vacinação ou o incómodo de andarem a ser testados", considerou. Segundo acrescentou, a testagem "não é propriamente a coisa mais agradável" na vida e portanto "é natural que, entre a vacinação e os testes, as pessoas prefiram naturalmente ser vacinadas".

Sobre o avanço do plano de vacinação, Costa diz que há "condições para confiar no calendário da task force", mesmo com os atrasos de fornecimento. "Não é expectável que haja um atraso que comprometa este calendário", afirmou, assegurando que o fornecimento está "estabilizado".

joao.p.henriques@dn.pt

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