Luís Marques Mendes vê quatro “hipóteses” para o Orçamento do Estado (OE): o mais natural (PSD e PS chegam a acordo e o documento passa); uma segunda que agrada ao PS (com PSD e Chega a negociarem); uma que põe o Governo nas mãos do Parlamento (apresentando na Assembleia um OE sem haver qualquer acordo prévio) e, por fim, uma que pode levar o Chega a viabilizar o documento “sem negociação, em nome do interesse nacional”..No seu comentário semanal na SIC, o conselheiro de Estado (um dos 18 convocados para a reunião desta terça-feora sobre a situação económica e financeira, onde também estará Luís Montenegro) afirmou ainda que será “uma injustiça se não houver OE aprovado” e elogiou a postura do Presidente da República, que “está a fazer o que o povo quer”, ao tentar aproximar as partes..Ao lado de Marques Mendes estarão duas delas: Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, e André Ventura, líder do Chega. Ambos já se posicionaram em relação ao OE, e prometem não facilitar a vida ao Governo. Por um lado, André Ventura já anunciou a decisão “irrevogável” de votar contra o documento. Mas, mais recentemente, admitiu que “se o PSD e PS não se entenderem”, o Chega estará disposto a sentar-se à mesa das negociações. Esta segunda-feira, André Ventura voltou à carga, acusando Marcelo Rebelo de Sousa de não saber “o que se passa nas negociações entre os partidos e o Governo” e que “era importante que não se tornasse um embaraço e uma fonte constante de problemas”..Já o líder do PS, Pedro Nuno Santos, no final da reunião com o primeiro-ministro, assegurou que o PS “não viabilizará nenhum orçamento que inclua alterações ao IRS e ao IRC”. Garantindo que “há margem para conversar sobre estas propostas”, o secretário-geral socialista considerou que este diálogo “não é pela exclusão” das propostas, mas sim “para conversar, para poder afinar”. No sábado passado, no 19.º Congresso Regional dos PS-Açores, Pedro Nuno Santos foi ainda mais longe, dizendo que prefere “perder eleições” a “abdicar de convicções”..No Conselho de Estado estará também Carlos Moedas, autarca lisboeta do PSD. Numa entrevista à Renascença e ao Público, publicada na passada quinta-feira, afirmou que acredita na capacidade negocial do primeiro-ministro, atirou ao PS, que “não está, ou melhor, não consegue, de certa forma, perder”, e piscou o olho “aos moderados” de ambos os partidos, para combater “os extremos”. Perante isto, uma conclusão: “Ainda vai haver muitos capítulos neste tema do orçamento do Estado.”.Em julho, Cavaco Silva, um dos outros conselheiros de Estado, desvalorizou um eventual chumbo do OE. Numa entrevista ao Observador, o ex-primeiro-ministro, antigo Presidente da República e histórico líder do PSD, afirmou que “não há nenhum drama se não for aprovado”. E ainda que admitisse ser “muito provável” o documento poder ser viabilizado, Cavaco Silva defendeu que “não aprovar orçamentos é banal nalguns países da Europa”. “Ninguém morreu” em Espanha, reiterou, quando o país foi governado em duodécimos durante dois anos.