Covid-19. Costa pressiona para boletim de vacinação único na UE

Um grupo dos principais comissários europeus esteve esta sexta-feira em Lisboa para reunir com o Governo. Ursula von der Leyen e António Costa sintonizados nas prioridades

Vacinação e recuperação económica. Estes dois temas dominaram as conversas, esta sexta-feira, em Lisboa, entre a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro, conversas que marcam o início do semestre de presidência portuguesa da UE.

A dirigente europeia - que ao fim da tarde foi recebida pelo Presidente da República - veio acompanhada de vários membros da Comissão Europeia - que reuniram no CCB com os seus "homólogos" do Governo português - e no final, em conferência de imprensa, um dos temas foram os atrasos da Pfizer na produção de vacinas.

A presidente da Comissão assegurou, no entanto, que a farmacêutica irá cumprir as entregas comprometidas até ao final do trimestre. "Hoje, recebi a notícia, como muitos de vocês, que a Pfizer anunciou atrasos. Telefonei imediatamente ao diretor-geral da Pfizer e ele explicou que há um atraso de produção nas próximas semanas, mas assegurou-me que todas as doses garantidas para o primeiro trimestre serão entregues no primeiro trimestre".

"É bom que estejam cientes de que para nós é uma situação muito difícil, uma vez que as primeiras doses foram administradas e, quatro semanas depois, terá de ser administrada a segunda dose das vacinas da Pfizer. Há, portanto, também uma necessidade médica de manter aquilo que acordámos, o planeamento que acordámos, e as entregas."

A presidente da Comissão Europeia detalhou que o CEO da Pfizer "assumiu pessoalmente a tarefa de diminuir o tempo de atraso e garantiu que recuperará [do atraso] assim que possível".

"Era muito importante transmitir-lhe a mensagem de que precisamos urgentemente das doses garantidas no primeiro trimestre", defendeu. Acrescentando: "Penso que é bom que estejam cientes de que para nós é uma situação muito difícil, uma vez que as primeiras doses foram administradas e, quatro semanas depois, terá de ser administrada a segunda dose das vacinas da Pfizer. Há, portanto, também uma necessidade médica de manter aquilo que acordámos, o planeamento que acordámos, e as entregas."

"Nesta reunião com a Comissão Europeia, insisti que o certificado de vacinação deveria ser homogéneo e aprovado tão rapidamente quanto possível."

António Costa, pelo seu lado, aproveitou para uma vez mais se insurgir contra o chamado "nacionalismo das vacinas", considerando "pouco inteligente" a atitude de adquirir unilateralmente por Estado-membro as vacinas, enfraquecendo a posição negocial da Comissão Europeia. Segundo sustentou, se Portugal estivesse sozinho compraria menos vacinas e mais caras: "Todos somos mais fortes se a negociação for feita pela Comissão Europeia em nome de todos e não cada um por si. Desta forma, vamos ser mais fortes, vamos obter a quantidade necessária e seremos também mais fortes no objetivo de ter o melhor preço."

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro português defendeu a necessidade urgente de ser criada uma certificação europeia de vacinação que seja passada aos cidadãos da UE vacinados para que estes possam circular no espaço comunitário sem problemas. "Nesta reunião com a Comissão Europeia, insisti que o certificado de vacinação deveria ser homogéneo e aprovado tão rapidamente quanto possível", disse, explicando que essa certificação deveria existir pronta já para os primeiros beneficiários do processo completo de vacinação com dupla dose.

Fundos até junho

O outro grande tema das conversas de ontem foi a recuperação económica da UE face às consequências da pandemia.

Ursula von der Leyen manifestou a vontade de que os fundos comecem a chegar à economia portuguesa ainda antes de terminar a presidência portuguesa da UE (junho).

Costa, pelo seu lado, afirmou que "esta presidência portuguesa ocorre num momento muito importante do combate à pandemia de covid-19, que está a ter graves consequências económicas e sociais".

Assim, de acordo com o primeiro-ministro, nas três dimensões fundamentais da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, "a recuperação económica é o principal objetivo".

"Temos de assegurar que todos os instrumentos financeiros concebidos na anterior presidência [alemã] têm de ser operacionalizados o mais depressa possível. A "bazuca" europeia [verbas do fundo europeu de recuperação] tem mesmo de ser disparada", disse.

Apoio ao confinamento

A curto prazo, frisou que cada parlamento nacional tem de aprovar com urgência o aumento dos recursos próprios da Comissão Europeia, para assim se concretizar a emissão de dívida conjunta, o Parlamento Europeu tem de aprovar o regulamento final do Fundo de Recuperação e de Resiliência, e todos os Estados-membros têm de apresentar em Bruxelas os seus planos nacionais de recuperação.

Para a história do dia ficou também o apoio da presidente da Comissão ao novo confinamento geral aprovado esta semana. Embora essas as restrições tenham "um impacto tremendo nas pessoas", elas "são absolutamente fundamentais", afirmou.

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