O passo “importante” que faltava, e que agora acrescenta “novos dados”, foi dado, na quinta-feira à noite, por Pedro Nuno Santos: a garantia de que o Orçamento do Estado para o próximo ano vai ser aprovado..Há, agora, “dados novos, para além dos que foram discutidos no último Conselho de Estado”, a 1 de outubro, que permitem que o Presidente da República possa convocar os 18 conselheiros para uma segunda reunião, que ficou adiada por não fazer sentido “voltar a ouvir as posições anteriormente expressas” - a maioria defendia a aprovação do Orçamento do Estado e era a favor de eleições antecipadas, caso o PS se decidisse pela inviabilização..As dúvidas ficaram esclarecidas: PS vai abster-se, o Chega diz que vai votar contra..Para Marcelo Rebelo de Sousa só uma mudança “significativa” de posições, que já sucedeu, poderia levar à convocação do Conselho de Estado e dos líderes dos partidos com representação parlamentar..Sabendo-se “qual é a proposta de lei apresentada”, conhecidas “as reações à proposta de lei”, decorrendo o Congresso do PSD, este sábado e domingo, e a reunião da Comissão Política Nacional do PS, na segunda-feira à noite, abre-se o tempo para que, como inicialmente estava previsto, o Presidente oiça os conselheiros de Estado e os partidos..A decisão do secretário-geral socialista, que fica sentado ao lado de André Ventura no Conselho de Estado, permitiu ao líder do Chega falar numa “encenação de meses” e elaborar a tese de “um Orçamento de bloco central” - que Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos desmentem..“O homem que queria unir as esquerdas acaba a viabilizar o Orçamento do PSD e do CDS. Ficou, ao menos, claro quem sustenta a governação, como no caso da geringonça, e quem ficará a liderar essa oposição, que é o caso do Chega”, argumenta Ventura. .Um dos parceiros da geringonça, o Bloco de Esquerda, resume a opção de Pedro Nuno Santos numa ideia: “Quem viabiliza um Orçamento de direita não é alternativa à direita.”.Porém, o não ser “alternativa” circunscreve-se ao OE2025 porque as Eleições Autárquicas - a possibilidade de acordos, por exemplo, para Lisboa - são “um processo separado”. .Para os liberais, que decidem o sentido de voto na próxima semana, a “enorme derrota” de Pedro Nuno Santos, que obrigou o país a viver “um drama”, é explicada pelo ensaio de “uma fuga” para “agora chegar a esta conclusão [a abstenção], provavelmente derrotado internamente pela pressão de pessoas e figuras do PS no sentido da viabilização”.