A mais de um mês de terminar o prazo para que o Governo entregue a proposta de Orçamento do Estado para 2025 na Assembleia da República, o Chega juntou-se aos partidos que afastam a hipótese de votar a favor do documento. André Ventura revelou nesta sexta-feira a decisão “irrevogável” de abandonar negociações, e disse que, “muito provavelmente”, os 50 deputados do partido irão votar contra..Numa conferência de imprensa, na tarde desta sexta-feira, o líder do Chega reagiu à notícia do Expresso acerca da troca de correspondência entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, com o secretário-geral do PS a requerer informação sobre as contas públicas que o Governo antevê para 2025. Embora o socialista tenha considerado insuficientes os dados recebidos, Ventura descreveu os contactos bilaterais como “uma traição ao eleitorado de direita.”.“O Chega foi traído pelo primeiro-ministro. Eu sinto-me traído pelo primeiro-ministro”, disse Ventura, para quem as “negociações que não sabíamos que existiam” entre o PSD e o PS são um sinal de quem é o “parceiro orçamental” da Aliança Democrática..Antecipando que o seu partido “estará fora” da aprovação do Orçamento do Estado, repetiu que “o eleitorado do Chega não aceitará ser usado e manipulado por este Governo.”.Ventura acrescentou esperar que as “negociações secretas” resultem, para que “pelo menos não haja uma nova crise política nos próximos meses.” Mas não poupou críticas a Montenegro, alegando ter-lhe sido dito que não havia “nenhuma correspondência, contacto e negociação” com o PS. “Não negociamos com mentirosos, nem com traidores”, disse o líder do Chega, realçando ter apresentado ao Governo, “de boa fé”, propostas que “diriam respeito” ao eleitorado não socialista, como diminuir impostos às famílias e reduzir burocracia às pequenas e médias empresas..“Que se lixe o país”.Também o líder da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, criticou o que disse serem “sinais de cedência” do PSD ao PS, vendo-os como um indício de que “o país vai ter mais do mesmo”, apesar do resultado das eleições legislativas..“Não viabilizaremos um Orçamento que perpetua alguns dos piores vícios políticos, com uma compra de clientelas e sem assegurar reestruturação e reformas”, disse Rocha, reiterando que com a IL não houve troca de correspondência. E rematou com a nota de que parecemos estar “num caminho em que o PSD começa a dizer ‘que se lixe o país’.”