Ventura acusa ministra da Justiça de mentir e encobrir Luís Neves
André Ventura acusou esta quarta-feira, 9 de setembro, a ministra da Justiça de mentir e encobrir Luís Neves durante a audição parlamentar na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
"As instituições em Portugal têm o dever de investigar e não mentir aos seus cidadãos nem aos governantes que as tutelam. A Polícia Judiciária (PJ) deve explicar que informação deu à ministra da Justiça para evitar que a ministra da Justiça continue a dizer que a PJ lhe mentiu. Temos todas as condições para suspeitar que é o contrário: a min da Justiça mentiu ao parlamento para encobrir o seu colega da Administração Interna", começou por dizer o líder do Chega aos jornalistas na Assembleia da República.
"Por outro lado, a própria ministra da Justiça disse que afinal, aquele valor de 150 mil euros para destruição do material, não era só daquele material mas do material todo, e nada foi feito. Ficámos sem saber onde está o material apreendido e a própria droga. Lamento estar todos os dias a falar ao país de coisas deste nível de gravidade e de até da crueldade dos factos e do lamaçal que isto representa. Isto revela severas suspeitas de conluio e má conduta por parte de Luís Neves", prosseguiu.
Ventura considera que Rita Alarcão Júdice "tinha duas hipóteses": "ou demarcava-se disto ou tentava explicar porque é que os seus comportamentos foram de encobrimento e mentira ao parlamento".
O líder do Chega diz que "o atirar de responsabilidades para a Polícia Judiciária por parte de um ministro não é novo", frisando que "o ministro da Administração Interna já o tinha feito, como se não fosse Luís Neves a decidir o que se passa na PJ".
Ventura considera que "alguma coisa não está bem". "Ou a PJ está a ocultar informações à ministra da Justiça ou a ministra está a mentir para encobrir o colega da Administração Interna. Os dois cenários são particularmente graves. O facto de se juntar suspeitas sobre um ministro a um encobrimento por parte de outra ministra é um cenário que começa a alargar ao Governo toda a responsabilidade de segurar Luís Neves de forma ilegítima e criminosa e de forma desrespeitosa para com os outros órgãos institucionais", vincou, acusando Rita Júdice de falta de autoridade: "Hoje ficámos sem perceber se a ministra manda alguma coisa, se sabe o que se passa nos órgãos que tutela ou se simplesmente está ali para encobrir o colega."
O líder do Chega revelou que o seu partido decidiu "chamar ao parlamento o diretor nacional da PJ para dizer o que aconteceu, o que disse à ministra e que informações lhe deu sobre o material apreendido".
"É tempo de os responsáveis políticos não estarem sempre a atirar para as policias as responsabilidades que os próprios têm", acrescentou, considerando que "um ministro ou instituição por ordem do ministro que tenham ficado com bens que as autoridades lhes negaram da apreensão em tráfico de droga tem de ser explicada", assim como "o desaparecimento de dinheiro em operações levadas a cabo nesse domínio têm de ser explicadas".
"Não vamos fingir que isto não aconteceu. Não há nenhum bónus ou descida de IRS que vai esconder o lamaçal em que o Governo meteu o país. Isto está insustentável", rematou.
