António José Seguro inicia presidência aberta na Sertã
António José Seguro inicia presidência aberta na SertãPaulo Spranger

Seguro apela aos portugueses que façam férias nas "bonitas paisagens do interior"

Presidente da República, que ouviu queixas sobre corte de estrada em Pedrógão Pequeno e prometeu levar tema a Montenegro, considerou que "o país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande".
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O Presidente da República, António José Seguro, parou esta segunda-feira, 6 de abril, para falar com meia centena de pessoas que exigem a reabertura de um troço da estrada nacional 2, em Pedrógão Pequeno, prometendo levar o tema à reunião semanal com o primeiro-ministro.

Um dos primeiros momentos da presidência aberta para avaliar o impacto das tempestades que se iniciou esta segunda-feira na Sertã. Na estrada, um grupo de cidadãos esperava a passagem de António José Seguro com uma tarja onde se podia ler “Senhor Presidente precisamos de ajuda. A N2 é a nossa sobrevivência”.

O Presidente da República, recebido com palmas, ouviu as queixas destes populares e prometeu levar já o assunto à reunião semanal de terça-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que será em Tomar.

António José Seguro junta-se a populares num protesto em que apelam à reabertura da EN2
António José Seguro junta-se a populares num protesto em que apelam à reabertura da EN2PAULO NOVAIS/LUSA

Pouco depois, após uma visita às obras de recuperação do Hotel Montanha, na Sertã, António José Seguro disse que o seu objetivo com esta presidência aberta é valorizar a importância da economia nestes territórios, "territórios com baixa densidade populacional mas com uma elevada potencialidade do ponto de vista turistico e económico" e dar "voz às pessoas que deixaram de ter voz". "O país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande", disse.

"Venho aqui ouvir para depois falar. E sobretudo ver o que correu bem, o que correu mal, os apoios que estão a chegar, os apoios que estão a tardar e sobretudo deixar uma palavra de esperança: esta tragédia não é mais forte que a nossa convicção, a nossa energia, a nossa crença neste país e nestes territórios", afirmou.

O Presidente da República lembrou aos portugueses que "um fim de semana ou uma semana nestas bonitas paisagens do interior são uma ajuda e um estímulo e uma expressão de solidariedade por quem tanto sofreu há cerca de dois meses".

Luís Dias, empresário do ramo do turismo na vila de Pedrógão Pequeno, defendera que o encerramento deste troço da estrada nacional 2 está a castrar a região.

“Este é o único acesso entre margens para aqueles que usam ciclomotores, motorizadas, veículos sem carta e tratores. O outro acesso alternativo é o IC8, mas estes condutores não o podem utilizar e são o grosso da população destas localidades”, referiu.

De acordo com o empresário, as entidades competentes encerraram a estrada com base no perigo de derrocada e queda de pedras, desde a passagem da tempestade Kristin, no entanto, acredita que este "não é um perigo maior do que sempre existiu".

“Dizem que é preciso fazer uma grande obra de sustentação dos taludes e das encostas e que isso está a ser estudado. Ou seja, este ano não abre, o que nos prejudica imenso e quisemos pedir ao senhor Presidente da República para que interceda e que esta estrada abra imediatamente”, indicou.

Segundo Luís Dias, tal pode ocorrer com a colocação de vaias, nem que se circule apenas em uma das vias, com o trânsito alternado.

“Se isto não acontecer há uma série de investimentos que vão fechar. Uma série de negócios que vão acabar por morrer”, lamentou.

Também o presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, alertou que esta via, da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, é de "extrema importância para o desenvolvimento económico" da vila de Pedrógão Pequeno.

“A Nacional 2 é um ativo económico muito importante. Queremos é que haja uma solução rápida para esta situação e a população organizou-se espontaneamente para fazer chegar estas suas preocupações”, disse.

Seguro iniciou esta segunda‑feira, 6 de abril, na Sertã, a sua primeira Presidência Aberta, que visa avaliar o impacto das tempestades. O chefe de Estado tinha anunciado que, após a Páscoa, se deslocaria aos territórios afetados pelas tempestades de janeiro e fevereiro para escutar "as populações", testemunhar "os impactos das intempéries, bem como [perceber] as necessidades de resposta e recuperação das zonas sinistradas". E o Governo vai com o chefe de Estado.

O périplo, que se prolonga até sexta‑feira, 10 de abril, abrange quatro distritos – entre Castelo Branco, Santarém, Coimbra e Leiria – e incide sobre alguns dos territórios mais severamente afetados pelas cheias, derrocadas, destruição de infraestruturas e prejuízos agrícolas.

A Presidência Aberta – um modelo já utilizado por anteriores chefes de Estado e iniciado por Mário Soares em 1986 focado em temas que impactam a vida política atual – é agora retomado com uma preocupação na vulnerabilidade territorial. Por isso, de acordo com o que revelou fonte da Presidência à Lusa, afinada com a página oficial de Seguro, o objetivo é “ver de perto o que não chega através dos relatórios” e garantir que as populações sentem a presença do Estado num momento de fragilidade.

António José Seguro inicia presidência aberta na Sertã
Primeira Presidência Aberta de Seguro aguardada com expectativa em Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Santarém

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