O Presidente da República, António José Seguro.
O Presidente da República, António José Seguro.Foto: ESTELA SILVA/LUSA

Seguro afasta mexidas nas pensões por parte de Belém: "As reformas em Portugal são sagradas"

Presidente da República ouviu ainda, da parte do secretário-geral do Eixo Atlântico, apelo para que use a sua influência junto de Pedro Sánchez para que o TGV "seja desbloqueado".
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O Presidente da República, António José Seguro, considerou neste sábado, 22 de agosto, que "as reformas em Portugal são sagradas", lembrando que eventuais alterações às leis relativa aos sistemas de pensões competem ao Parlamento ou ao Governo.

Recebido com muitas palmas durante o Cortejo Histórico e Etnográfico da Romaria d’Agonia, em plena Avenida dos Combatentes, no centro da cidade minhota de Viana do Castelo, onde se concentram milhares de pessoas, o chefe de Estado foi cumprimentando várias pessoas com quem se cruzava, tendo sido interpelado por um popular, preocupado com a sua reforma.

Questionado pelos jornalistas sobre se está prevista alguma alteração à lei, respondeu: “Como sabe, isso compete ao Parlamento ou compete ao governo. Agora, as reformas em Portugal são sagradas”.

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Seguro ouve apelo para "desbloquear o TGV"

Durante a visita presidencial a Viana do Castelo, secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, aproveitou para pedir ao Presidente da República que interceda junto do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com vista a desbloquear temas estratégicos de mobilidade entre os dois países, nomeadamente a ligação ferroviária de alta velocidade (TGV).

O apelo surge num contexto em que o responsável considera que o relacionamento entre os governos de Portugal e Espanha atravessa "um momento muito complicado".

Em declarações aos jornalistas, após uma audiência com o chefe de Estado na Câmara Municipal de Viana do Castelo, Xoan Mao justificou a iniciativa pela proximidade e boa sintonia institucional existente entre a Presidência portuguesa e o líder do executivo espanhol.

Embora reconheça que a gestão da ferrovia não recai no âmbito das competências executivas de Belém, o dirigente sustentou que "o Presidente da República Portuguesa sempre mostrou o seu apoio a Sánchez e Sánchez tem boa impressão dele", considerando por isso que António José Seguro é quem tem capacidade de influenciar Madrid nesta matéria.

Na perspetiva do líder do Eixo Atlântico, a articulação política entre os dois países vizinhos perdeu dinamismo face a anos anteriores. "A relação entre o presidente do governo português e o presidente do governo espanhol não é má, mas é cordial e não avança tanto como avançava anteriormente", sublinhou, exemplificando com posicionamentos de Lisboa perante a utilização de bases militares espanholas por meios norte-americanos ou a gestão de fluxos migratórios em Ceuta, onde a postura nacional divergiu do alinhamento verificado no mandato de António Costa.

A par do arrefecimento político global, Xoan Mao apontou dificuldades ao nível sectorial, afirmando que a relação entre os ministros com a pasta das Infraestruturas em Portugal e Espanha "não é uma relação porque não falam". Essa quebra no diálogo terá mesmo conduzido à ausência inédita de temas relativos a obras públicas na agenda da mais recente cimeira ibérica, um cenário que o secretário-geral considera preocupante para o avanço de projetos estruturantes.

Questionado sobre as preocupações transmitidas na reunião, António José Seguro procurou desdramatizar o alcance da conversa: "Não se trata de queixas, trata-se de terem partilhado comigo aquilo que são as suas ambições, que naturalmente passa por uma ferrovia que ligue estas regiões do Eixo Atlântico e, designadamente, entre a Galiza e o norte de Portugal."

Xoan Mao insistiu, por seu lado, que a concretização do TGV permanece como um "tema fulcral" para a competitividade regional, essencial para assegurar a continuidade do transporte e do desenvolvimento económico em toda a faixa atlântica da Península Ibérica.

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