António José Seguro dedicou a manhã seguinte à tomada de posse com uma visita a Mourísia, aldeia do concelho de Arganil que foi devastada por incêndios no ano passado, para cumprir duas promessas. Disse que ali voltaria, quando se tornasse Presidente da República, para demonstrar que tem os problemas do Interior bem presentes, e confirmou que pretende pressionar quem governa Portugal.“Quando se fazem promessas de apoio, é importante que essas promessas sejam concretizadas”, disse Seguro, reagindo ao facto de o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, lhe ter dito que ainda estão por pagar quatro milhões de euros em apoios do Estado aos lesados pelos incêndios. Numa terra ardida, voltou a deixar a garantia: “Serei um Presidente exigente.”“Olhar para todos os portugueses, independentemente do local onde residam”, foi outra promessa aos habitantes de Mourísia de quem disse ter “o poder da palavra” para contrapor ao poder executivo. Ao qual deixou um reparo assaz concreto sobre “a maneira como se tomam decisões”, recordando que a comissão técnica independente destinada a analisar o problema dos incêndios continua com alguns membros por nomear. ”Dentro de poucos meses teremos novamente o verão, que é uma época potencial de incêndios. Aqui está um exemplo do que não pode acontecer”, disse Seguro, realçando a necessidade de que “as pessoas possam ter a certeza de que, quando o poder político fala, fala para valer”. Durante a visita à aldeia, com cerca de uma dezena de habitantes, o que não impediu que ouvisse o pedido de selfie que foi marca distintiva dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, seu antecessor no Palácio de Belém, Seguro descerrou o que terá sido a primeira placa com o seu nome enquanto Chefe de Estado. E disse que a sua primeira Presidência Aberta será dedicada ao Centro, ainda sem data nem local, que deverão ser anunciados no final desta semana.Na paragem seguinte, em Guimarães, o Presidente da República fez questão de se referir à cidade onde nasceu Portugal como “um dos berços do nosso futuro”. Em causa estava outra das prioridades assumidas do mandato de Seguro, empenhado no combate às alterações climáticas.Acompanhado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e pelo presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, Seguro visitou o Laboratório da Paisagem, que descreveu como “um exemplo a Portugal e à Europa”. Elogiando a visão estratégica dos autarcas da cidade “ao longo das últimas décadas”, considerou “profundamente simbólico” que a cidade conhecida por berço de Portugal seja um lugar onde se afirma “um compromisso com as próximas gerações”.Já depois de recebido um vaso com uma pequena romãzeira, ofertado por uma das pessoas que o esperavam, o Presidente da República disse que Guimarães mostra que “uma cidade com séculos de História pode também ser uma cidade de inovação, de consciência ambiental e de compromisso com a qualidade de vida das pessoas”, onde se aprende que “preservar o património e cuidar da Natureza são partes da mesma responsabilidade”.. O segundo dia do mandato terminou na Câmara do Porto, onde António José Seguro foi recebido por Pedro Duarte, com o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares, eleito nas últimas autárquicas, à frente de uma coligação entre o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal, a apresentar o resultado das eleições presidenciais como um sinal de que “os portugueses souberam escolher a compostura em vez do ruído”.“Em momentos de desânimo podíamos ser tentados a pensar que o espaço público estava para sempre capturado pelos dogmas dos extremismos, mas esta eleição e o novo ciclo político dão-nos razões fundadas para o otimismo e pela esperança”, defendeu o autarca portuense, realçando que o “percurso político marcado pela moderação e pelo compromisso com o bem comum” do novo Chefe de Estado.Por seu lado, António José Seguro voltou a fazer o elogio de “um Portugal resistente, que precisa de atenção, de respeito e de respostas”, do qual fez questão de percorrer diferentes territórios, na crença de que “é um todo, um país onde todos contam e em que nenhum território pode ser dispensado”. Até porque, garantiu, “a coesão territorial não é para o Presidente da República uma palavra de circunstância”..António José Seguro exige aos partidos soluções para não haver dissoluções .Seguro diz que "nada está fechado" e apela ao regresso às negociações para acordo "equilibrado" na lei laboral