Carlos Eduardo Reis deixou de ser deputado na sequência do processo Tutti Frutti.
Carlos Eduardo Reis deixou de ser deputado na sequência do processo Tutti Frutti.Álvaro Isidoro / Global Imagens

PSD-Braga dá vitória a Carlos Eduardo Reis contra lista próxima de Hugo Soares

Vereador de Barcelos, que deixou de ser deputado ao perder confiança política do líder parlamentar do PSD, devido ao envolvimento na Operação Tutti Frutti, trava reeleição do eurodeputado Paulo Cunha.
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O antigo deputado e atual vereador da Câmara de Barcelos Carlos Eduardo Reis foi eleito presidente da distrital de Braga do PSD neste sábado, derrotando o eurodeputado Paulo Cunha, que procurava mais um mandato à frente da única estrutura distrital social-democrata em que não houve lista única.

Apesar de Carlos Eduardo Reis ter dito que não se tratava de uma lista contra a direção nacional de Luís Montenegro, a sua vitória está a ser vista entre os sociais-democratas como um aviso à navegação. E uma clara derrota para o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que era um dos maiores apoiantes de Paulo Cunha.

Para a vitória de Carlos Eduardo Reis, que teve 2826 votos de militantes sociais-democratas, enquanto Paulo Cunha contabilizou 2600, foram decisivas as concelhias de Barcelos, onde venceu por larga margem (1302-390), e de Vila Verde (516-151), mas também um bom resultado em Vila Nova de Famalicão. Apesar de ter sido presidente dessa autarquia antes de ir para o Parlamento Europeu, o seu adversário não conseguiu uma vantagem equivalente, ficando por 945 votos, contra 602 para o barcelense.

Tendo Barcelos, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde mais de dois terços dos militantes sociais-democratas com quotas em dia no distrito de Braga, de nada serviu a Paulo Cunha ser o candidato mais votado na maioria das concelhias. Incluindo Braga, onde tinha consigo o novo presidente da autarquia, João Rodrigues, tendo derrotado Reis por 237-84, ou Guimarães, onde a sua vantagem (290-41) foi maior.

Próximo de Rui Rio, Carlos Eduardo Reis sobreviveu à revolução no grupo parlamentar aquando das legislativas de 2024, pois a concelhia de Barcelos impôs a sua presença nas listas - ao contrário do que aconteceu com André Coelho Lima em Guimarães -, mas o envolvimento no processo Tutti Frutti, no qual está a ser acusado de corrupção ativa, prevaricação e tráfico de influências, levou a que perdesse a confiança política da liderança da bancada parlamentar.

Carlos Eduardo Reis teve de suspender o mandato de deputado e, após a dissolução da Assembleia da República, na sequência da reprovação da moção de confiança ao Governo, em resposta a iniciativas da oposição ligadas à investigação à Spinumviva, empresa criada por Luís Montenegro, foi excluído das listas de candidatos às legislativas de 2025. No entanto, voltou a integrar a lista do PSD à Câmara de Barcelos, sendo atualmente o vereador com os pelouros do Planeamento e Gestão Urbanística, Fiscalização e Contraordenações, Modernização Administrativa e Inovação, e Juventude.

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