O presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada afirmou que a atual crise no abastecimento de água no concelho deverá estabilizar este mês com dois novos furos de captação. “Temos já um novo furo a funcionar, iremos ter outro este ano que já vai ajudar em muito a resolver esta questão. Portanto estamos a dar como previsão temporal o mês de julho”, disse esta segunda-feira, 06 de julho.Luís Palma, que é também vereador da CDU na Câmara Municipal de Almada liderada pela socialista Inês de Medeiros, falava à comunicação social minutos depois de ter recebido uma delegação de um movimento de cidadãos que hoje se concentrou à porta dos SMAS a exigir que o problema seja resolvido.Luís Palma adiantou que o plano estratégico dos SMAS aponta para que o abastecimento de água no concelho de Almada melhore efetivamente no primeiro trimestre de 2027, aguardando que três novos furos recebam o licenciamento por parte da Agência Portuguesa do Ambiente além de outros três que se encontram em fase de projeto. “Portanto, imaginamos nós que, no âmbito do plano que estamos a desenvolver, possamos, no primeiro trimestre do próximo ano, ter mais furos de captação, o que vem ajudar muito na distribuição de água”, disse.A água que está atualmente a ser captada, adiantou, é inferior ao atual consumo, sendo que 93 por cento dos furos de Almada localizam-se no concelho do Seixal (28 de um total de 32).PSD quer moção de censuraO PSD de Almada vai apresentar uma moção de censura à liderança socialista da Câmara Municipal, responsabilizando a sua gestão pela falta de planeamento e falhas no abastecimento de água no concelho. Em declarações à Lusa, o presidente da Comissão Política Concelhia de Almada do partido, o também vereador Paulo Sabino, afirmou que as sucessivas falhas no abastecimento de água "foram a gota de água"."Há aqui um desespero total, porque a água é um bem essencial. Existem crianças, idosos e famílias que têm sentido isto na pele. Existem restaurantes, bares, cafés, pastelarias, todo o serviço hoteleiro, que estão a ser muito afetados pela falta de água”, disse.O autarca garantiu ainda que as interrupções no abastecimento de água afetaram "milhares de pessoas" e atribuiu as falhas à “falta de planeamento” do executivo municipal, considerando que o aumento da população residente e da pressão turística "já era previsível" através dos dados estatísticos disponíveis. "Não houve planeamento adequado. Não se investiu e chegámos a este problema", sublinhou.Nos últimos dias moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água. Foi lançada uma petição que conta já com mais de quatro mil assinaturas, na qual os peticionários exigem medidas urgentes para minimizar os impactos da falta de água. A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) pediu esclarecimentos aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS).No comunicado, a distrital considera insuficientes as explicações apresentadas pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, que atribuíram os constrangimentos ao aumento sazonal do consumo e às temperaturas elevadas, reiterando a ideia de que estes fatores eram previsíveis e exigiam planeamento..Falhas de água em Almada. Entidade Reguladora pediu explicações às entidades municipais.Dificuldades de abastecimento de água. Almada apela a consumo responsável