Manuel Pizarro foi escolha em final de 2024 e considera-se, no PS, que candidato futuro ao Porto deve ser trabalhado com mais tempo.
Manuel Pizarro foi escolha em final de 2024 e considera-se, no PS, que candidato futuro ao Porto deve ser trabalhado com mais tempo.ESTELA SILVA/LUSA

PS. Mudança na concelhia do Porto tem em vista ataque às autárquicas em 2029

Tiago Barbosa Ribeiro poderia liderar até 2028, mas abdica de mandato. Convicção do partido é preparar, com tempo, solução para fazer frente a Pedro Duarte nas próximas autárquicas.
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As eleições para concelhias e federações do Partido Socialista estão agendadas para 19 e 20 de junho, mas já há algumas alterações em curso e uma delas será a saída de Tiago Barbosa Ribeiro da condução dos destinos no Porto. O deputado afasta-se, apesar de ainda poder concorrer e liderar a concelhia até 2028.

Ao DN apurou, o objetivo do partido é ter tempo para trabalhar, desde já, uma solução para apresentar à Câmara Municipal do Porto, sem perturbações futuras por uma possível mudança na concelhia próximo das eleições autárquicas. “Poderia fazer mais um mandato, mas entendo que é preciso dar espaço a uma nova liderança. Temos uma nova Direção no partido e é preciso preparar o trabalho para a candidatura autárquica”, reconhece Tiago Barbosa Ribeiro, que foi candidato à autarquia em 2021, derrotado, com 18% dos votos, frente a Rui Moreira.

Tendo sido vice-presidente do grupo parlamentar sob a égide de Pedro Nuno Santos, Barbosa Ribeiro é presidente da Comissão Parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão e é um dos destaques do PS no combate ao anteprojeto laboral do Governo. Garantindo que apoiará “uma candidatura”, acredita que possa haver um “processo pacífico, ordenado”, referindo que não sai da concelhia para, ele mesmo, voltar a candidatar-se ao Porto em 2029. “Não tenho essa intenção”, garante ao DN.

A perspetiva de José Luís Carneiro, líder do PS, é ter uma corrida única pela concelhia e sensibilizou, para isso mesmo, as estruturas. Conhecendo bem o distrito - foi presidente em Baião -, participará ativamente neste processo. Luísa Salgueiro, presidente em Matosinhos e agora no Secretariado Nacional, ajuda nesta mesma condução.

Depois de Manuel Pizarro ter perdido, pela terceira vez, a batalha pelo Porto nas últimas autárquicas, e de ter visto um vereador que era indicado pelo PS ser cooptado para o Executivo, garantindo maioria à coligação da AD, um dos grandes objetivos do PS a nível local é recuperar a Invicta. A mudança na concelhia visa, também, focar a estratégia na preparação de um candidato.

O PS não governa no Porto desde que Nuno Cardoso herdou, em 1999, a liderança do município depois das três eleições de Fernando Gomes. A intenção do partido, de acordo também com a federação, é antecipar muito mais a apresentação do candidato face ao que aconteceu nas últimas autárquicas - Pizarro foi eleito pela concelhia em dezembro de 2024, após muita indefinição.

Na federação do Porto, Nuno Araújo irá continuar. O antigo chefe de gabinete de Pedro Nuno Santos, enquanto secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, também acompanhou o antigo secretário-geral na campanha para as legislativas. Mas não há, da parte da atual liderança, qualquer celeuma e Carneiro tentou aproximar-se mesmo dos representantes do distrito com a presença em várias iniciativas.

Nos 18 concelhos do distrito, o PS logrou nove vitórias, oito delas com maioria absoluta, mas as derrotas em Gaia e Porto marcam o sabor agridoce e agudizaram a descida de 11 para nove municípios liderados. Vítor Costa liderou a Concelhia de Vila do Conde, ganhou a câmara para o PS em 2021, reforçou com maioria absoluta em 2025, mas deve agora sair da concelhia. Alberto Costa, líder de relevo do PS em Santo Tirso, onde já foi reeleito presidente de câmara, deve sair da concelhia também. A Comissão Política Nacional desta sexta-feira trará novidades, entre quem terá continuidade garantida e as mudanças por fins de mandato ou por opção própria.

Como o DN avançou, Ricardo Costa, derrotado em Guimarães nas Autárquicas, será candidato à distrital de Braga e tem, à partida, apoios de Eduardo Oliveira, de Famalicão, e Pedro Sousa, vereador em Braga. Também pacífica será a continuidade de Alexandre Lote na federação da Guarda.

No Alentejo, há várias mudanças. Luís Testa, deputado eleito por Portalegre, não cumprirá o terceiro mandato do seu segundo ciclo como presidente de federação, uma vez que foi eleito secretário-geral adjunto do PS. Testa tinha vincado ao DN que Portalegre estava “unido em torno de José Luís Carneiro”, rebatendo a ideia de que era parte da crítica na moção mais contestatória apresentada no congresso.

Luís Dias, apurou o DN, sai ao fim de três mandatos em Évora, até por ter a seu cargo a coordenação da Defesa no grupo parlamentar do PS. João Grilo, presidente no Alandroal e impossibilitado de se recandidatar em 2029, é escolha consensual. Marcelo Guerreiro, nas mesmas condições como presidente da câmara de Ourique, deve liderar o PS no Baixo Alentejo. Nelson Brito, ao DN, disse que não continuará.

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