Pedro Duarte vê país “cada vez mais centralista” e quer estudo independente antes de discutir regionalização
Pedro Duarte é favorável à regionalização, mas considera prematuro definir as competências e os meios financeiros que deveriam passar para as regiões. Antes dessa discussão, o presidente da Câmara do Porto quer uma avaliação sobre o modelo de organização do país, com o contributo do mundo académico e centrada na eficiência da gestão pública. “Tenho algumas ideias e uma convicção: sou a favor da regionalização. Mas não queria começar o debate por aí”, afirma ao DN
A questão, para o autarca, deve começar pela forma como o Estado responde às necessidades dos cidadãos. “Como gerimos melhor os dinheiros públicos em benefício dos cidadãos? Com um poder central, 308 municípios e nada no meio? Ou criando uma camada intermédia que possa gerir territórios mais extensos e ser mais eficiente na concretização?"
O autarca pretende que essa avaliação ultrapasse o debate partidário e reconhece que os responsáveis políticos podem ter interesses na escolha de um modelo. "Por vezes, nós, políticos, podemos não ser totalmente neutrais e ter outras motivações, sejam partidárias ou pessoais." Por isso, prefere que o estudo seja conduzido por outros, embora com incentivo político, para fundamentar uma decisão que admite vir a ser submetida a referendo.
“Preferia que fossem outros a discutir e a abordar esta matéria, com o nosso incentivo, certamente, mas de uma forma mais neutral, diria até científica, para que a decisão depois possa ser política e, eventualmente, tomada pelos portugueses em referendo”, explica.
A defesa da regionalização acompanha um diagnóstico de perda de influência do Norte. Questionado sobre a projeção nacional dos dirigentes da região e o espaço que ocupam na comunicação social, Duarte alarga a resposta à economia. “O Norte também tem perdido peso económico, apesar de concentrar muita indústria, nomeadamente exportadora. Mas o país tem estado cada vez mais centralista e isso nota-se em muita coisa”.
O autarca descreve um processo de décadas, que considera particularmente visível na concentração dos órgãos de comunicação social em Lisboa. Admite que a necessidade de reduzir custos ajude a explicar essa evolução, mas sublinha as consequências para a representação do território.
“No Porto, tínhamos vários jornais há não muito tempo. Agora, existe o JN, o único sobrevivente", afirma. Na leitura do autarca, a concentração das redações e dos meios das televisões e de outros órgãos de informação reduz o espaço dedicado ao resto do país. "Infelizmente, o país é cada vez mais Lisboa e a paisagem é a província, pelo menos no olhar mediático”.
