OE2027: Ventura diz que Montenegro "não tem grande qualidade para ser primeiro-ministro"

Luís Montenegro está a responder às perguntas dos deputados no dia seguinte ao da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2027, que está a dominar o debate quinzenal.
O primeiro-ministro Luís Montenegro regressa à Assembleia da República.
O primeiro-ministro Luís Montenegro regressa à Assembleia da República.Tiago Petinga / Lusa

Montenegro acusa Ventura de "viver para as manchetes" e defende desconto no ISP

O primeiro-ministro acusa André Ventura de "viver para as manchetes", contrapondo com a sua prática de "dar resposta às necessidades do país". Dizendo que o líder do Chega é "exímio na dança das manchetes", Montenegro diz que as medidas tomadas pelo seu Governo, com o desconto sobre o ISP, garante um desconto de 23 cêntimos por litro de gasolina e de gasóleo. E desafia Ventura a dizer como é que a sua proposta de diminuição da taxa de IVA sobre os combustíveis teria mais efeito para os consumidores.

Ventura diz que Montenegro "não tem grande qualidade para ser primeiro-ministro"

André Ventura começa por dizer que também "não tem grande qualidade para dançar", mas logo afirma que "o problema" é que o seu interlocutor "não tem grande qualidade para ser primeiro-ministro".

Enumerando "más notícias" sobre o Orçamento do Estado para 2027, o líder do Chega acaba por dizer, com a edição de fim-de-semana do Diário de Notícias nas mãos, que a "única boa notícia" do dia é que o seu partido lidera as intenções de voto no Barómetro DN/Aximage.

Montenegro ataca Centeno: "Uma personalidade em concreto falhou todas as previsões"

Luís Montenegro recorda que em 2024 houve quem previsse que o Governo da AD iria "desbaratar os cofres cheios" deixados pelos executivos socialistas. "Enganaram-se", diz, sobre as "personalidades e entidades" que anteciparam o regresso dos défices orçamentais, acrescentando que "quando a realidade" desmentiu

"Uma personalidade em concreto falhou todas as previsões", disse Montenegro, numa referência ao não nomeado antigo ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, aconselhando a fazer "introspeção quanto às suas decisões", nomeadamente pela introdução das 35 horas de trabalho na Administração Pública, em 2016, durante o Geringonça, com os efeitos que isso teve na contratação de mais funcionários públicos.

Dizendo que Portugal terminará este ano com um crescimento económico de 2,3%, Montenegro também se dirigiu à bancada parlamentar do PS, que tem sublinhado a falha no objetivo dos 3%, presente no programa eleitoral da AD, justificando que tal se deveu à conjuntura internacional e a fenómenos como as tempestades.

Hugo Soares elogia Governo por não "esbanjar todos os recursos públicos" com apoios nos combustíveis

O líder parlamentar social-democrata Hugo Soares toma a palavra para recordar a participação do PCP no Governo da Geringonça, mas logo interpela Luís Montenegro, antecipando o que será o debate orçamental.

Antecipando o que o Chega e o PS "não irão falar", Hugo Soares diz que mais uma vez houve excedente orçamental, "níveis históricos de desemprego" e crescimento económico acima da zona euro. E volta a realçar a "verdadeira transformação e mudança de paradigma" deste Governo, defendendo que os executivos socialistas aumentavam sucessivamente impostos.

Antecipando que a oposição vai dizer que o Governo "não tem empatia", por não haver medidas diretas de apoio "às famílias que estão a sofrer" com o aumento do custo de vida, Hugo Soares defende que o caminho é devolver rendimentos às famílias e não "esbanjar todos os recursos públicos a baixar impostos sobre os combustíveis".

O líder parlamentar do PSD também prevê que, havendo contraditório, José Luís Carneiro não trará ao debate a "demagogia" de colar as alterações no arrendamento urbano ao caso do despejo da espanhola Maricarmen Abascal.

"Para a oposição está tudo mal", diz Hugo Soares, referindo-se à "oposição do Parlamento" e à "oposição dos jornais".

Montenegro desafia Raimundo a encontrar outro período de 920 dias sem "o aumento de um único imposto"

Luís Montenegro responde que Paulo Raimundo "quase pré-anunciou que as notícias sobre o Orçamento são boas". E de seguida diz que o rendimento médio das famílias portuguesas aumentou 15% nos últimos dois anos, repetindo a menção a "mais dois salários por ano", tal como fora dito na quinta-feira pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

De seguida, recordando que o seu primeiro Executivo tomou posse há 920 dias, desafia o líder comunista a encontrar outro período em que não tenha havido "o aumento de um único imposto".

Sobre a referência de Raimundo aos lucros da Galp, disse que está em discussão na Assembleia da República um diploma com vista a uma contribuição extraordinária por lucros excessivos no sector energético.

No final, Raimundo diz que Montenegro "tem dotes de bailarino" por não responder às suas perguntas sobre a contribuição que as grandes empresas deveriam dar aos cofres do Estado.

"Se há alguma para que não tenho jeito nenhum é para dançar", responde o primeiro-ministro.

Paulo Raimundo arranca debate com menção aos "orçamentos daqueles que estão sempre em défice"

O primeiro a intervir é o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que arranca com uma alusão aos "orçamentos daqueles que estão sempre em défice".

Tudo a postos para o arranque do debate

O primeiro-ministro e os restantes ministros já estão sentados na tribuna e a maior parte dos deputados tomaram os seus lugares no hemiciclo, inlcuindo o presidente do Chega, André Ventura, e o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.

Prioridade do Governo é que oposição não “desvirtue” o Orçamento

Na conferéncia de imprensa de apresentação do Orçamento do Estado para 2027, realizada nesta quinta-feira, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, realçou que o Governo espera que os maiores partidos da oposição não aprovem alterações que acrescentem despesa ou reduzam despesa.

O primeiro-ministro Luís Montenegro regressa à Assembleia da República.
OE2027: Miranda Sarmento faz apelo ao PS para não “desvirtuar” Orçamento com excedente

AD perde terreno para Chega no Barómetro DN/Aximage

Luís Montenegro desloca-se à Assembleia da República no dia em que o Diário de Notícias revela que o Barómetro DN/Aximage coloca a AD cada vez mais no terceiro lugar nas intenções de voto.

O primeiro-ministro Luís Montenegro regressa à Assembleia da República.
Barómetro DN/Aximage: Chega passa a liderar intenção de voto e vê Ventura reforçado na confiança para PM
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