Luís Montenegro desvalorizou esta terça-feira, 4 de agosto, o aumento da dívida pública portuguesa, garantindo que a subida assinalada pelo Banco de Portugal na segunda-feira (3 de agosto), referente ao segundo trimestre de 2026, não terá impacto nas metas traçadas pelo Governo para o final deste ano. O primeiro-ministro pede tranquilidade na análise aos números e deixa um apelo: “Não nos assustemos”. Montenegro foi mais longe, perspetivando que no final do ano os portugueses terão notícias “surpreendentes” sobre o desempenho económico nacional. “Quando chegarmos ao fim do ano voltaremos nesse domínio [dívida pública], como no crescimento da economia, como no saldo orçamental, a surpreender muitos daqueles que cá estão, ou nos veem de fora, com os nossos resultados”, frisou, em Torres Vedras, durante a inauguração da primeira Unidade de Saúde Familiar com gestão privada do país, onde voltou a defender parcerias entre o setor público, privado e social na área da saúde. A esse propósito, o governante fez a ponte para a economia, sublinhando que são as “finanças públicas saudáveis” do país que permitem avançar com investimentos como o que tem vindo a ser feito em novas Unidades de Saúde Familiar nos últimos dois anos.Na segunda-feira, o Banco de Portugal revelou que a dívida pública portuguesa aumentou para 92,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, mais 1,9 pontos percentuais face ao trimestre anterior, totalizando 293,9 mil milhões de euros (mais 5,2 mil milhões de euros do que em maio). Trata-se do sexto mês consecutivo de subidas (tendência que se regista desde o início de 2026) e de um valor muito próximo do máximo histórico (294,5 mil milhões, em setembro de 2025). Segundo o banco central, esta variação “refletiu o incremento das responsabilidades em depósitos (+0,5 mil milhões de euros), sobretudo em certificados de aforro (+0,6 mil milhões de euros), e dos títulos de dívida (+4,7 mil milhões de euros), principalmente de longo prazo”. A meta do Governo permanece igual: fechar 2026 com uma redução da dívida pública para 87,5% do PIB.Críticas à “falta de regulação do fluxo migratório”À margem desta cerimónia, Luís Montenegro também abordou o tema das migrações, afirmando que Portugal está a criar condições para acolher e integrar migrantes, ao contrário de outros países onde há “falta de regulação do fluxo migratório”, numa aparente crítica ao Governo espanhol após a crise em Ceuta. “Por estes dias, em que nós assistimos incrédulos a fenómenos de falta de regra, de regulação, do fluxo migratório e em que alguns teimam em adotar políticas que têm muitas vezes um efeito de chamada, sem proporcionar as condições para acolher e integrar, em Portugal estamos a fazer aquilo que tem de ser feito, ao criar condições para que as pessoas tenham dignidade quando vêm para Portugal”, disse o primeiro-ministro..Dívida pública volta a subir em junho e atinge 92,9% do PIB no segundo trimestre.Crise migratória em Ceuta: "A UE está unida e pronta para apoiar Espanha"