Montenegro ouviu críticas à "defesa do indefensável" Luís Neves no Conselho Nacional do PSD
Luís Montenegro ouviu críticas à continuação de Luís Neves no Governo durante o Conselho Nacional do PSD, que se realizou na noite desta terça-feira, 29 de setembro, em Lisboa. Ao que o DN apurou, o advogado e antigo deputado André Pardal disse que a manutenção do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária no Ministério da Administração Interna "é o maior dinamizador do populismo em Portugal".
Referindo-se à "inundação de casos e casinhos" relacionados com "uma figura" que nunca terá chegado a nomear, mas que disse ser "um polícia, como ele não se cansa de repetir", Pardal lamentou que o legado de Neves na Polícia Judiciária tenha levado "meio Governo e a cúpula do PSD a defender o indefensável". E acrescentou que, ainda por cima, se trata "de um partido que não é, e nunca foi, o dele".
Sem pedir a demissão do ministro da Administração Interna, o que recordou ter feito em duas reuniões anteriores do Conselho Nacional, André Pardal perguntou a Luís Montenegro se Neves ainda continuaria em funções se fosse militante do PSD ou "se fosse um político, e não polícia, como ele diz".
As perguntas ficaram sem resposta, mas tanto o presidente do PSD (e primeiro-ministro) como o secretário-geral (e líder parlamentar), Hugo Soares, defenderam o trabalho do atual ministro da Administração Interna. E, tirando mais algumas vozes dissonantes, segundo fontes ouvidas pelo DN, terá dominado um "silêncio sepulcral" sobre a polémica que levou à constituição da comissão parlamentar de inquérito (CPI), imposta de forma potestativa pelo Chega, para escrutinar irregularidades e ilegalidades nos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária.
André Pardal, que juntamente com Vitório Ribeiro Cardoso tem sido um dos maiores críticos da entrada de Neves para o Governo, recordou que o Chega e o PS elogiaram a escolha do até então diretor nacional da Polícia Judiciária para a pasta deixada vaga por Maria Lúcia Amaral. E a indignação que a decisão de Montenegro lhe gerou, "pela confusão de papéis que revelava no Estado de Direito".
Por outro lado, inquirindo "onde está o espírito reformista do PSD" na Justiça, Pardal defendeu que "o populismo não se combate com mais populismo", mas sim "com moderação, seriedade, princípios e ética".
Montenegro diz que PS não fica de fora da revisão constitucional
No seu discurso, Luís Montenegro garantiu aos conselheiros nacionais que o PS não será excluído no processo de revisão constitucional, antevendo que o partido liderado por José Luís Carneiro possa acertar com o PSD "evoluções importantes" no texto fundamental.
Também foi anunciada a criação de um grupo de trabalho para a revisão constitucional, liderado por Paulo Mota Pinto, que foi uma das principais figuras do partido durante a liderança de Rui Rio, assumindo-se a meta de apresentar um projeto dentro de três meses.
A possibilidade de os partidos à direita do PS aproveitaram a maioria de dois terços dos deputados, de que PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS-PP dispõem nesta legislatura, para um entendimento para a revisão constitucional tem sido agitada por José Luís Carneiro. O secretário-geral do PS aponta o envolvimento do seu partido no processo como condição para viabilizar o Orçamento do Estado para 2027.
