Montenegro afirma que moção de censura do Chega é mero jogo político e não faz sentido
O primeiro-ministro considerou esta quinta-feira, 3 de setembro, que a moção de censura do Chega ao Governo se insere numa lógica de “mero jogo político”, não fazendo sentido, e advertiu que a responsabilidade política da oposição também está sob avaliação.
Para o primeiro-ministro - que defende que Luís Neves tem mostrado aptidão para resolver problemas - a moção de censura do Chega ao Governo “é um momento que a democracia deve encarar com sentido de responsabilidade” por parte de todos os protagonistas.
“Da parte do Governo, aquilo que está sob a nossa alçada é a responsabilidade de governar, de resolver problemas, de encontrar soluções para as matérias que preocupam os portugueses e para os projetos que podem criar mais futuro. Portanto, nós estamos a aguardar a definição do dia e da hora em que temos de nos apresentar à Assembleia da República para responder a esta moção de censura e mostrar que ela não faz sentido, que se enquadra numa lógica de mero jogo político e não está focada na resolução dos problemas das pessoas”, sustentou Luís Montenegro em declarações aos jornalistas, antes de assistir à cerimónia de posse do reeleito Presidente da República Democrática de São Tomé é Príncipe, Carlos Vila Nova.
A seguir, deixou um aviso indireto ao presidente do Chega, partido que apresentou a moção de censura por causa da manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna.
“As oposições serão tão mais capazes de se apresentarem como alternativas se mostrarem sentido de responsabilidade, porque ninguém quer a governar um país alguém ou algumas forças partidárias que não têm sentido de responsabilidade, que não têm o sentido de Estado de colocar o interesse de todos à frente de interesses particulares”, afirmou.
O primeio-ministro defendeu que o ministro da Administração Interna Luís Neves tem mostrado aptidão para resolver os problemas nos seus setores de responsabilidade e adiantou que está tranquilo em relação a todos os membros da sua equipa governativa.
“O ministro da Administração Interna tem sido um dos membros do governo que tem mostrado - como aliás, os demais - aptidão para resolver problemas. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o impulso extraordinariamente positivo que houve no funcionamento do controlo das fronteiras”, disse quando questionado pelos jornalistas se a presença de Luís Neves no Governo está a desgastar o Governo do ponto de vista político, por causa da sua anterior ação enquanto diretor nacional da PJ.
O líder do executivo foi questionado sobre se mantém a confiança política no ministro Luís Neves.
“Os membros do Governo têm de responder quando são alvo de pedidos de esclarecimento e de escrutínio. Infelizmente, a vida democrática ensina-nos que as oposições nunca ficaram satisfeitas com as explicações dos membros do governo. Portanto, cabe ao primeiro-ministro depois fazer a avaliação. Eu faço a minha e estou muito tranquilo com todos os membros do governo”, declarou Luís Montenegro.
Além da questão da redução dos tempos de espera nos aeroportos, Luís Montenegro referiu-se também à ação de Luís Neves em matéria de combate aos incêndios florestais.
“O dispositivo que foi montado está a responder ao desafio de diminuir o impacto dos incêndios florestais, evitando que muitos se propaguem. Portanto, com uma taxa de sucesso na primeira intervenção, nos primeiros 90 minutos, que é superior a 95%. Mas nesta matéria nunca estamos seguros, porque uma tragédia pode acontecer a qualquer momento”, acrescentou.
O primeiro-ministro desvalorizou ainda as críticas que comentadores de centro-direita fazem sobre a permanência de Luís Neves no Governo.
“Deus me livre se governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores, sejam eles de direita, de esquerda, de centro, ou sejam eles quem forem”, reagiu.
Confrontado com a perspetiva comum a alguns comentadores do espaço do centro-direita de que o primeiro-ministro nunca deveria ter convidado para a sua equipa o ex-diretor nacional da PJ, Luís Neves, respondeu: “Eu governo na base das minhas convicções e dos compromissos que assumi perante o povo. É esse o meu princípio e a minha filosofia”, acentuou.
A seguir, Luís Montenegro assinalou que os comentadores fazem parte da democracia e que não pretende diminuir “as pessoas que opinam na praça pública”.
“As pessoas são livres de dizerem o que entendem - e isso é também democrático. Agora, uma coisa é dizerem, outra coisa é que parece que querem impor eles próprios ao Governo que faça assim e assado”, criticou.
Para o primeiro-ministro, “quem tem ideias e quer desempenhar a função da governação, candidata-se”.
“Estou aqui porque assumi um compromisso perante o povo português e o Governo governa na base desse compromisso. Não foi pela minha vontade, não fui eu que me lembrei um dia de que ia ser primeiro-ministro. Não, foi o povo que me escolheu, foi o povo que escolheu este Governo. E creio que o povo não está interessado propriamente na dinâmica do jogo político quase de bastidores e dos recados que na área do debate público as pessoas mandam umas às outras”, acusou.
Neste contexto, rematou, procurando acentuar contrastes: “Eu não mando recados a ninguém. Eu falo com o povo, falo com as pessoas”, acrescentou.

