Milhares de pessoas iniciaram este sábado a marcha para assinalar o 52.º aniversário do 25 de Abril na avenida da Liberdade, em Lisboa, com a presença de todas as gerações, entre uma profusão de reivindicações e cravos vermelhos.O desfile arrancou pelas 15h30, liderado pelas tradicionais Chaimite, as icónicas viaturas blindadas usadas em 1974 na Revolução dos Cravos e um portador de um cartaz alusivo aos presos políticos libertados há 52 anos.No ponto de partida, na praça Marquês de Pombal, dezenas de milhares de participantes estavam já também prontos para descer a avenida em direção ao Rossio, entre as tradicionais palavras de ordem “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e “Viva a liberdade".Numa tarde de sol e calor, o desfile conta também com a participação habitual de numerosos sindicatos e centrais sindicais, que aproveitaram as comemorações deste ano para vincar os seus protestos contra o pacote laboral, juntamente com as presenças espontâneas de muitas famílias, e ainda bastantes turistas nas artérias laterais da avenida.Esquerda e PAN criticam prioridades do Governo e IL elogia discurso de Aguiar-BrancoDurante a descida da Avenida da Liberdade, Livre, PCP, BE e PAN criticaram prioridades do Governo, sobretudo o pacote laboral, e a IL elogiou o discurso do presidente do parlamento.O porta-voz do Livre Rui Tavares acusou o executivo de ser de uma “direita muito radicalizada”, apesar de uma “falsa moderação” na intervenção do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, na sessão solene, e de um pacote laboral que “só agrada a um dos lados” da negociação.Para o líder do Livre, a direita, por estar a “ver-se a perder a popularidade”, está a tentar avançar apressadamente o máximo de que conseguir de uma “agenda austeritária”, inspirada, argumentou, na do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.Rui Tavares alertou ainda para a necessidade de defender o sistema democrático, considerando que cabe agora aos jovens serem “guardiões da democracia”.“A democracia não é, nunca foi, uma promessa de resolver todos os problemas a toda a gente, mas é de que toda a gente pode contribuir para resolver os nossos problemas”, frisou.Os jovens foram também mencionados pela presidente da IL, Mariana Leitão, que afirmou que os mais novos “anseiam que haja mudanças concretas para que não sejam obrigados a sair” do país e possam ter uma vida melhor do que a geração que os antecedeu.“Temos de ter essa responsabilidade de dar essas soluções e estar aqui é também uma demonstração de que queremos essa mudança”, considerou, insistindo ainda na necessidade de o Governo levar a discussão sobre a lei laboral para a Assembleia da República.Mariana Leitão fez também elogios ao discurso do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, na sessão solene, afirmando que foi feito um alerta para “algo muito importante”, a necessidade de a classe política “não se fechar em si própria” e não aderir a populismos.O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referiu igualmente a juventude, salientando a presença no desfile dos “filhos e netos da Revolução” que procuram “que cada uma das suas conquistas, cada um dos seus direitos, tenha expressão na sua vida”.O líder comunista defendeu a necessidade de cumprir o que está consagrado na Constituição, como o direito à saúde, habitação e vida digna, e argumentou que “tudo isso é incompatível com o pacote laboral” proposto pelo Governo.Raimundo disse ainda ter visto, no discurso do Presidente da República, António José Seguro, na sessão solene, uma referência à revisão da lei laboral, embora a questão não tenha sido diretamente mencionada pelo chefe de Estado.Pelo BE, o coordenador José Manuel Pureza defendeu que para Seguro ser coerente com o que disse no seu discurso, só tem como opção “vetar o pacote laboral”, se este for aprovado no parlamento.“O pacote laboral é um contributo muito relevante para empobrecer a população trabalhadora, quer em termos de direitos, quer mesmo em termos de materiais”, criticou.A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, desejou que o 25 de Abril “continue bem vivo na memória e dia a dia dos portugueses” e referiu que a presença significativa de juventude na marcha "demonstra precisamente que há jovens que querem assegurar os seus direitos, as suas liberdades".Sousa Real disse ainda ter visto no discurso de Seguro “vários recados” para o primeiro-ministro, acrescentando que isso “demonstra que tem estado atento às prioridades absolutamente erradas por parte deste Governo”.“Quando assistimos que as prioridades e as reformas que este país tem feito têm sido deitar abaixo bandeiras arco-íris, a lei das burcas, agora o pacote da reforma laboral, estamos a falar em retrocessos", criticou.Milhares de pessoas iniciaram hoje a marcha para assinalar o 52.º aniversário do 25 de Abril na avenida da Liberdade, em Lisboa, com a presença de todas as gerações, entre uma profusão de reivindicações e cravos vermelhos.Porto “sai à rua” para “garantir que Abril está vivo”No Porto a marcha pela Liberdade arrancou com milhares de pessoas de cravo na mão e com palavras de ordem na voz contra “o assassinato dos valores de Abril”.Pouco depois da hora marcada, pelas 15h00, os milhares de pessoas que se reuniram no Largo Almirante Reis, onde estava instalada a polícia política, a PIDE, na cidade, deram início à tradicional marcha no 25 de Abril, que vai percorrer várias artérias do centro da cidade e termina na Avenida dos Aliados.No ano em que se assinalam os 52 anos da Revolução, o Porto “sai à rua” para “garantir que Abril está vivo”.“Querem assassinar Abril, mas o povo está na luta”, garantiu à Lusa António Castro, 75 anos, na primeira fila da marcha.Entre os manifestantes, misturam-se idades, cores, cravos, palavras de ordem e o desejo comum de “fascismo nunca mais”.As comemorações arrancaram entre “Vivas”, aplausos e com a habitual música de intervenção pelas vozes de Zeca Afonso, José Mário Branco ou Sérgio Godinho.Cerca de 400 pessoas participam em marcha para assinalar a data no FunchalNo Funchal, na ilha da Madeira, cerca de 400 pessoas participaram numa marcha para assinalar o 25 de Abril, uma iniciativa promovida por uma organização de cidadãos, que contou com a presença de representantes de várias estruturas sindicais e partidos políticos.“Os tempos estão difíceis para quem trabalha, a renumeração do trabalho não reflete os rendimentos das empresas, a habitação, os combustíveis, os bens de primeira necessidade atingem valores proibitivos e temos um Governo nacional que atenta contra os direitos dos trabalhadores”, afirmou Manuel Esteves, um dos elementos da organização.A marcha partiu da Praça do Município, percorreu algumas ruas do centro da cidade e terminou no largo à entrada da Assembleia Legislativa da Madeira, com os manifestantes munidos de bandeiras, cravos vermelhos e cartazes com inscrições como “Liberdade para ser feliz”; “25 de Abril Sempre – Paz, Pão, Habitação, Saúde, Educação”; “Liberdade, Democracia, Autonomia”; “Não aceitamos a fatura da vossa guerra”.Foram também entoadas palavras de ordem, amplificadas com recurso a megafones, como “Viva o 25 de Abril, a mãe de todas as datas”; “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”; “Contra o medo, a Liberdade”; “Paz sim, Guerra não”; “a Madeira não é caixote do lixo”; “Não vamos desistir, o pacote é para cair”, numa alusão às alterações à legislação laboral apresentadas pelo Governo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro.“Reunimo-nos aqui, hoje, porque comemorar o 25 de Abril não é só um ritual, é uma responsabilidade”, disse Luísa Paixão, da comissão organizadora, reforçando: “A liberdade não é garantida com inércia. A participação cívica continua a ser o instrumento mais poderoso de transformação social.”A marcha no Funchal foi promovida pela Comissão para a Comemoração dos 50 Anos do 25 de Abril na Madeira, criada em 2024 e composta por pessoas de diversos quadrantes políticos e sociais.Entre outras iniciativas, a comissão preparou também um livro para assinalar a data, intitulado “Da Madeira, Vozes do 25 de Abril, Testemunhos, Memórias e Reflexões”, cuja impressão foi financiada pela Associação de Municípios da Região Autónoma, que reúne 80 textos com depoimentos de pessoas de todos os concelhos da região sobre a “Revolução dos Cravos” e que será apresentado em 30 de abril, no Funchal..Apelo à transparência nos donativos aos partidos e ataques aos "donos de Abril" marcam sessão solene .Discurso de Seguro elogiado por... Ventura. Esquerda aproveita para criticar pacote laboral