A líder da IL, Mariana Leitão, afirma que "ninguém no Governo está a preparar o país a sério para o dia em que" faltarem os fundos europeus.
A líder da IL, Mariana Leitão, afirma que "ninguém no Governo está a preparar o país a sério para o dia em que" faltarem os fundos europeus.JOSÉ COELHO/LUSA

Mariana Leitão ataca "país das maravilhas" de Montenegro, onde a "reforma do Estado" não existe

No encerramento das jornadas parlamentares da IL, líder do partido estabeleceu como alvos preferenciais o Governo e o Estado.
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A líder da IL, Mariana Leitão, considerou esta terça-feira, 15 de setembro, no encerramento das jornadas parlamentares do partido, no Porto, que, "para os números e para a vida das pessoas", a "história" que o Governo defende há um ano, de "que vivemos num país das maravilhas", onde se fala de "crescimento, de contas certas, de descidas de impostos, de um Estado que finalmente vai modernizar-se", "não bate certo" com a realidade.

Para fundamentar esta crítica, Mariana Leitão evocou diversos indicadores, sem os explicar, avançando que, no plano da competitividade global, Portugal recuou do 39.º para o 40.º lugar entre 70 economias, enquanto os preços em geral registaram uma subida superior a 10% desde 2023.

Na alimentação e na habitação, continuou a também deputada liberal, o cabaz alimentar essencial ficou cerca de 20% mais caro do que em 2023 e o preço por metro quadrado das casas quase duplicou em cinco anos, liderando as subidas em toda a União Europeia, vincou.

Perante estes dados, a intervenção consolidou a crítica ao declarar que "este é o país real" e que "o país das maravilhas fica muito bem numa conferência de imprensa mas não paga a renda nem mete comida na mesa".

Censurando a falta de visão estratégica para áreas como energia, defesa, Inteligência Artificial ou demografia, a líder da IL sublinhou que "se continuarmos a fazer política a pensar só no próximo mandato, vamos deixar às próximas gerações as decisões que nós tivemos medo de tomar", defendendo que "Portugal precisa de políticos capazes de pensar para além do próximo mandato eleitoral".

No capítulo da gestão pública, Mariana Leitão virou-se para o Estado, criticando-o por consumir mais de metade da riqueza produzida anualmente no país e por manter a lealdade partidária acima da competência nas nomeações.

O programa de Reforma do Estado foi também um alvo definido por Mariana Leitão, uma vez que, apesar da criação de um ministério homónimo dedicado e da reorganização de secretarias-gerais, o seu orçamento subiu 71% em 2026 para os 140 milhões de euros, vincou.

Esta situação levou à conclusão por parte da líder da IL de que "reformaram o Estado, e o Estado ficou maior", classificando o processo como "o país das maravilhas outra vez: anunciam a reforma, sobe a despesa, e o Estado continua exactamente como estava".

A reação do Executivo a momentos de pressão política foi igualmente visada nas críticas de Mariana Leitão, em particular a coincidência entre o "caso Luís Neves" e o anúncio de medidas sociais e fiscais. A líder da IL classificou este episódio como "o país das maravilhas outra vez a funcionar", argumentando que o Governo respondeu com "um pequeno, pequeníssimo, alívio fiscal que vai representar mais meia dúzia de euros ao fim do mês" e "um cheque pontual antes do Natal" para "acalmar a opinião pública durante umas semanas, pago com dinheiro dos contribuintes".

A líder da IL, Mariana Leitão, afirma que "ninguém no Governo está a preparar o país a sério para o dia em que" faltarem os fundos europeus.
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