O Estado da Nação segundo os portugueses

Mariana Leitão

Presidente da Iniciativa Liberal

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Montenegro discursou no debate do Estado da Nação como se governasse um país diferente daquele em que os portugueses vivem. Falou de recordes, de reformas, de um país “mais forte”. Mas os números oficiais e aquilo que os portugueses sentem no dia a dia contam outra história. Confrontado com os números, a resposta foi sempre a mesma variação de um único argumento: “O país está melhor, os salários sobem, o investimento bate recordes, avaliem-nos pelos resultados.” Vamos, então, ver os resultados.

No investimento, Luís Montenegro garantiu que Portugal bateu o recorde de captação de investimento direto estrangeiro em 2025. Os dados do Banco de Portugal dizem o contrário: o investimento direto estrangeiro caiu 35% em 2025, para o valor mais baixo desde a pandemia.

Na carga fiscal, atingiu em 2025 os 35,4% do PIB, o valor mais alto de sempre. Cada português pagou em média 6728 euros em impostos, mais 352 do que no ano anterior e mais de metade do que em 2016. No debate, as descidas de IRS foram tratadas como uma grande reforma fiscal. Mas quatro descidas não deram mais de 25€ a quem ganha 1500€ por mês. Chamar a isto reforma fiscal é um insulto a quem trabalha e vê o Estado ficar todos os anos com uma fatia maior do que ganha.

Nos salários, falou de um dos maiores aumentos de rendimento da OCDE, esquecendo o ponto de partida. O salário mínimo já vale 91% do salário mediano, o rácio mais alto da Zona Euro, contra 87% em 2019. Quem construiu uma carreira ganha hoje quase o mesmo que quem entra no primeiro emprego. E o país que ele diz crescer mais do que a média europeia é, com os dados de população corrigidos, o sexto mais pobre da União Europeia.

Sobre as nomeações, não há resposta que aguente os números. Criaram vice-presidências novas nas CCDR e garantiram que os lugares seriam para os seus. Nas ULS, 69% dos novos presidentes são próximos do PSD. Na Segurança Social, saíram 15 dirigentes com cartão do PS, entraram 15 com cartão do PSD, dos 18 centros distritais do país inteiro.

O mesmo PSD que na oposição chamava a isto “politização inadmissível” descobriu, no poder, que gosta mais de distribuir lugares do que de resolver problemas.

Estes são os números. Mas os problemas deste Governo não se esgotam em números.

Os casos recentes mostram sempre o mesmo: um Governo incapaz de resistir ao escrutínio, incapaz de gerir crises, incapaz de se explicar aos portugueses, incapaz de assumir responsabilidades. Ministros fragilizados, sem respostas, e um primeiro-ministro que prefere não estar na conversa. Prefere dizer que está tudo fantástico e pedir para ser avaliado pelos resultados.

Os portugueses avaliaram. Uma sondagem feita recentemente dá a resposta que o Governo escolhe ignorar: 51% dos portugueses diz que o país está pior do que há um ano. Só 12% dizem que está melhor. Mais de metade do país olhou para os últimos 12 meses e viu o contrário do que a propaganda tenta vender.

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