Histórico do PCP, Carlos Brito morre aos 93 anos

Histórico do PCP, Carlos Brito morre aos 93 anos

Depois de ser eleito para a Assembleia Constituinte, Carlos Brito manteve-se na Assembleia da República até 1991, liderando o grupo parlamentar comunista ao longo de 15 anos.
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O histórico militante do PCP Carlos Brito, que se afastou do partido depois de ser suspenso pelo Comité Central, morreu nesta quinta-feira, aos 93 anos. O antigo dirigente comunista, que residia no concelho algarvio de Alcoutim, estivera internado no Hospital de Faro nesta semana, devido a problemas cardíacos, mas teve alta e foi levado para o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António.

Considerado o braço direito do líder histórico Álvaro Cunhal, tornou-se militante do PCP durante os anos 50, foi preso três vezes pela PIDE, passando oito anos da sua vida nas prisões do Aljube, Caxias e Peniche. Libertado, passou os últimos anos da ditadura na clandestinidade, enquanto funcionário do partido, sendo dirigente aquando do 25 de Abril de 1974.

Depois de ser eleito para a Assembleia Constituinte, Carlos Brito manteve-se na Assembleia da República até 1991, liderando o grupo parlamentar comunista ao longo de 15 anos. Para trás ficou uma efémera candidatura presidencial em 1980, mas desistiu a favor de Ramalho Eanes, cuja reeleição foi vista pelo PCP como um mal menor para garantir a derrota de Soares Carneiro, apoiado pelo Governo da Aliança Democrática.

Os últimos anos de militância de Carlos Brito ficaram marcados pelo protagonismo no movimento dos renovadores, que pretendiam que o PCP fizesse as mesmas mudanças de partidos congéneres noutros países ocidentais. Suspenso por dez meses em 2002, autosuspendeu-se no ano seguinte, para não mais voltar. Em 2024, numa entrevista à Renascença, disse que só admitia voltar se o PCP abandonasse o marxismo-leninismo e o centralismo democrático.

Diretor do Avante!, entre 1992 e 1998, foi casado com a ex-militante comunista Zita Seabra, mãe de duas das suas filhas.

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