Fernando Alexandre diz que Fenprof fez tudo para que processo da correção de exames corresse mal
HUGO DELGADO

Fernando Alexandre diz que Fenprof fez tudo para que processo da correção de exames corresse mal

Ministro foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de a estrutura sindical ter solicitado a intervenção da Provedora de Justiça num diferendo com a tutela sobre valores pagos aos professores classificadores dos exames nacionais do último ano letivo.
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O ministro da Educação acusou esta sexta-feira, 25 de setembro, a Fenprof de tudo ter feito para que corresse mal o processo de classificação digital dos exames nacionais, defendendo que isso, e o Governo reinstituir o pagamento aos professores classificadores, a incomoda.

À margem de uma visita a uma escola, em Guimarães, distrito de Braga, Fernando Alexandre foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) ter solicitado a intervenção da Provedora de Justiça num diferendo com a tutela sobre valores pagos aos professores classificadores dos exames nacionais do último ano letivo.

“Acho surpreendente é a Fenprof, que diz sempre defender os professores – eu tenho sempre dificuldade em perceber os meios pelos quais defendem os professores – estar incomodada por, em 15 anos, o Governo da AD [PSD/CDS-PP] pagar aos professores classificadores. Isso é que incomoda a Fenprof. Tive dezenas de reuniões com a Fenprof nestes dois anos e meio e nunca a ouvi pedir [para] que fossem pagos os professores classificadores”, afirmou o ministro.

Fernando Alexandre disse que este Governo pagou três milhões de euros a mais de 11 mil professores classificadores, dos quais, cerca de 10 mil receberam em agosto, “como tinha prometido, num prazo [em] que a Fenprof também achava que não era possível”.

“Professores que recebiam zero e que nunca ouvi a Fenprof a pedir que eles fossem pagos. Foi um pagamento que era feito até 2010 e que foi interrompido por um Governo do Partido Socialista, para tentar evitar que a ‘troika’ viesse para Portugal, e quem reinstituiu esse pagamento foi, mais uma vez, o Governo da AD. E isso, obviamente, eu sei que incomoda a Fenprof”, referiu o governante.

A reivindicação da Fenprof que está na base do pedido de intervenção da Procuradora da Justiça prende-se com o pagamento do trabalho suplementar realizado pelos professores classificadores e relatores dos exames finais nacionais do ensino secundário, no ano letivo 2025/2026.

“Aquilo que a Fenprof está a dizer é a questão das horas extraordinárias. Fizemos essa análise, eu sou professor, e uma das vantagens de ser professor é que gerimos o nosso tempo. No pagamento das horas extraordinárias nas escolas, mais uma vez, foi este Governo que tornou essa prática normal. Este ano vamos pagar 30 milhões de horas extraordinárias aos professores, nas escolas”, começou por dizer o ministro.

Quanto à correção dos exames, a tutela tem um entendimento diferente.

“No caso da correção de exames, chegamos à conclusão [de] que não era possível. Porque um professor pode, perfeitamente, numa sexta-feira, decidir, por razões familiares, que pode ir dar apoio familiar, e depois no fim de semana corrige os exames. Ora, é muito difícil definir, o professor é que decide quando é que vai corrigir”, explicou Fernando Alexandre.

Confrontado com o facto de se ter tratado de uma situação excecional, que obrigou os docentes a trabalharem aos fins de semana e durante as férias para que os prazos de afixação de notas fossem cumpridos, abdicando de vida pessoal, o ministro considerou que na correção de exames “é a mesma coisa”, pois, uma das “características de ser professor é a liberdade para corrigir à noite” ou noutros períodos do dia, defendendo que o processo correu bem.

“E foi cumprido, os professores foram fantásticos e, mais uma vez, isso é que incomoda a Fenprof, é que correu bem, e a Fenprof fez tudo para que corresse mal”, criticou o ministro da Educação.

Fernando Alexandre deu ainda conta de que no processo de classificação digital dos exames nacionais, a tutela descobriu “muitos problemas que havia na classificação”, nomeadamente “a forma como eram geridos os professores classificadores, que deram muitos problemas”.

“E por isso aquilo que eu já anunciei, é que vamos ter uma contratualização com os professores classificadores e eles continuarão a ser pagos, como este Governo voltou a fazer”, sublinhou Fernando Alexandre, à margem da inauguração da reabilitação e ampliação do pavilhão gimnodesportivo e do campo de jogos da Escola Básica do Vale de São Torcato, em Guimarães.

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