O secretário-geral do PS defendeu esta terça-feira, 10 de março, que o primeiro-ministro, “se não é capaz de promover entendimentos fundamentais” para o país, deve explicar-se e considerou que as “propostas laborais que o Governo apresentou significavam uma opção pela desumanidade”.Numa declaração aos jornalistas, em Lisboa, à margem de uma audição pública do Grupo Parlamentar do PS sobre economia social, José Luís Carneiro voltou a abordar a falta de acordo entre o Governo e os parceiros sociais em relação ao pacote laboral, escusando-se a comentar a posição da ministra do Trabalho, mas considerando que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deve explicações ao país.“O primeiro-ministro, se não é capaz de promover entendimentos fundamentais para a vida da nossa sociedade, tem aqui naturalmente uma responsabilidade à qual deve responder, deve explicar”, frisou.José Luís Carneiro disse ser “muito evidente” para o PS que estão em causa propostas especialmente lesivas dos trabalhadores jovens e das mulheres e que a proposta do Governo demonstra “desumanidade”. .Não há acordo para o pacote laboral. Negociações entre Governo, UGT e confederações terminam. “As propostas laborais que o Governo apresentou significavam uma opção pela desumanidade no que respeita à dignidade das condições laborais”, acusou, acrescentando que o que foi apresentado até agora “não merecia acordo” e que importa esperar pelos “desenvolvimentos das próximas semanas”.Questionado sobre se seria bom não haver acordo e ver o pacote laboral ficar pelo caminho, José Luís Carneiro frisou que o PS estará “sempre a favor de tudo o que promova a competitividade da economia, maior produtividade, melhoria e valorização dos salários e dignidade das condições laborais”, mas que o Governo não pode impor uma agenda de maior precariedade.O líder do PS reiterou que “se as propostas que o Governo levou à concertação social forem as mesmas que vêm à Assembleia da República”, o executivo não poderá contar com o apoio da bancada socialista.José Luís Carneiro recordou ainda que o Presidente da República, António José Seguro, disse durante a campanha eleitoral que vetaria o pacote laboral se fosse aprovado tal como foi apresentado inicialmente pelo executivo.“É uma posição muito clara que, do nosso ponto de vista, responde e corresponde a essa visão humanista, democrata-cristã, social-democrata, do socialismo democrático, que nós temos vindo a defender para a sociedade portuguesa”, enfatizou.Inquirido sobre o facto de o ministro das Finanças ter afastado hoje a possibilidade de um Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) retificativo, Carneiro argumentou que, no passado, o executivo já se contradisse noutras matérias: “Não é a primeira vez, nem será a última, que o Governo diz uma coisa hoje e diz outra amanhã”, rematou, sem responder a mais perguntas. .Seguro diz que "nada está fechado" e apela ao regresso às negociações para acordo "equilibrado" na lei laboral