Líder socialista criticou atitude do primeiro-ministro perante a situação nos exames nacionais.
Líder socialista criticou atitude do primeiro-ministro perante a situação nos exames nacionais.Fernando Veludo/Lusa

Carneiro acusa primeiro-ministro de "insensibilidade atroz" sobre exames nacionais. PS quer ouvir ministro e EDuQA

Secretário-geral do PS fala numa "crise no modelo de avaliação” como "não há memória" e pede "uma palavra de tranquilidade, de confiança, às famílias" a Luís Montenegro.
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O secretário-geral do PS considerou esta quinta-feira (9 de julho) incompreensível que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não tenha tido “uma palavra de tranquilidade e confiança” às famílias sobre as falhas nos exames nacionais, acusando Luís Montenegro de “insensibilidade atroz”.

“Quero concentrar-me naquilo que são as declarações do ministro da Educação, que disse ontem [quarta-feira] que estava satisfeito porque havia apenas 7% de falhas nos exames nacionais. 7% de falhas são mais de 21 mil provas que não têm para já solução em relação à classificação dos exames”, respondeu aos jornalistas o líder do PS, à entrada para o Aquário Vasco da Gama, onde encerra hoje a iniciativa socialista "Rota pela economia do mar". 

Na perspetiva de Carneiro, é “um assunto demasiado grave que afeta milhares de alunos e milhares de famílias”, criticando o primeiro-ministro por “até agora e incompreensivelmente” não dizer “uma palavra de tranquilidade, de confiança, às famílias".

O primeiro-ministro mostra uma insensibilidade atroz na forma como desconsidera matérias de uma grave condição para aquilo que é a vida das famílias”, apontou.

“Isso para mim é que é, de facto, neste momento, muito relevante”, considerou.

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O secretário-geral do PS disse ainda que esta é “uma crise no modelo de avaliação” como “não há memória”.

“O Presidente do Conselho Nacional de Educação afirmou que, em 30 anos que tem de vida dedicada aos modelos de avaliação e ao acompanhamento do ensino, não conhece uma crise com esta extensão e com esta profundidade”, referiu.

O PS anunciou entretanto que quer ouvir no Parlamento o ministro da Educação e o EDuQA sobre o processo de classificação dos exames nacionais.

“Queremos ouvir o senhor ministro, quereremos ouvir outras entidades envolvidas neste processo, quer o EDuQA (antigo IAVE), entre outras entidades. Quereremos ouvir e convidar entidades externas que foram fornecedoras deste processo, e procurar escrutinar, usando os instrumentos parlamentares que temos”, afirmou o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, em declarações à Lusa, após ser questionado sobre se os socialistas pretendem pedir audições parlamentares na sequência das polémicas em torno dos exames nacionais.

Apesar dessa intenção, o líder da bancada socialista reconheceu que é díficil que estas audições se realizem em breve, como pretendia o PCP e o Livre, que apresentaram requerimentos para ouvir o ministro com caráter de urgência.

“Parece-nos particularmente difícil que venham a ocorrer neste momento”, disse.

O deputado do PS acrescentou ainda que, numa fase posterior, os socialistas farão uma reflexão sobre se este tema “merece ou não uma comissão parlamentar de inquérito”, como propôs o BE.

Brilhante Dias sublinhou que o país enfrenta agora um calendário com “marcos importantes”, destacando o próximo dia 17, a data de fixação das notas dos exames.

“Esperemos que esse calendário se cumpra, ainda assim há muitas questões. Se não se cumprir, mais questões se levantarão, mas volto a dizer: uma mensagem de tranquilidade e de confiança e que o senhor ministro que se dedique a resolver os problemas que criou”, frisou.

Para o deputado socialista, as explicações recentes dadas pelo ministro da Educação são “absolutamente insuficientes”.

Brilhante Dias estendeu as críticas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que considerou que devia ter feito já um “pedido de desculpas às famílias portuguesas” e “procurado ajudar naquilo que é essencial, que é tranquilizar os alunos e as famílias”.

A empresa que desenvolveu a plataforma utilizada para classificar os exames nacionais diz que seguiu as especificações definidas pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e intervém no sistema “mediante solicitação”.

O líder parlamentar do PSD manifestou-se depois convicto de que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, irá ao parlamento prestar esclarecimentos sobre os problemas na classificação dos exames nacionais quando os deputados quiserem.

"É indiferente. Quando os senhores deputados quiserem que ele venha, eu tenho a certeza que ele vem", declarou Hugo Soares aos jornalistas na Assembleia da República.

“A BLAT desenvolveu a plataforma de classificação para o IAVE/EduQA, sendo responsável pelo seu desenho e desenvolvimento, de acordo com as especificações definidas pelo IAVE/EduQA, intervindo mediante solicitação deste”, refere a empresa, numa resposta à agência Lusa na quarta-feira.

Nesse dia, o ministro da Educação escusou-se a comentar as declarações do Presidente da República sobre garantir que se manterá intacta a confiança das famílias no sistema de avaliação, dizendo apenas que a sua equipa está a “resolver tudo”.

O Presidente da República afirmou na quarta-feira esperar que os problemas na classificação dos exames nacionais do ensino secundário sejam resolvidos rapidamente: “O desejo do Presidente é que rapidamente tudo volte à normalidade e, sobretudo, que a relação de confiança entre os alunos e as suas famílias e o sistema de avaliação se mantenham intactos”, afirmou, mostrando-se confiante que tal irá acontecer.

Em causa estão as falhas identificadas durante o processo de avaliação dos cerca de 300 mil exames nacionais do 11.º e 12.º anos, que levaram a tutela a adiar as datas de divulgação dos resultados da 1.º fase assim como o calendário das provas da 2ª fase.

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