Ministro da Educação vai ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre falhas na correção dos exames nacionais
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, vai ser chamado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre os problemas registados no processo de classificação digital dos exames nacionais, depois de o PCP ter apresentado esta segunda-feira (6 de julho) um requerimento potestativo para uma audição urgente. A iniciativa, que não depende da aprovação dos restantes partidos, surge numa altura em que cresce a pressão sobre o ministro, após as falhas informáticas que obrigaram ao adiamento da divulgação dos resultados e da segunda fase dos exames do ensino secundário.
Os comunistas justificam a iniciativa com o que classificam como um "caos" no processo de classificação das provas. No requerimento, sustentam que, depois de o ministro ter "descartado as suas responsabilidades", os problemas estão longe de resolvidos. Referem exames ainda por distribuir, provas atribuídas a professores aposentados ou de disciplinas diferentes, classificações incompletas e uma plataforma informática que voltou a falhar esta segunda-feira.
"Nem mesmo assim há garantias de que seja exequível cumprir o calendário", alerta o PCP, referindo-se ao adiamento já anunciado pelo Ministério da Educação para a divulgação dos resultados e para a segunda fase dos exames.
Também o Livre requereu a audição de Fernando Alexandre e do presidente do EduQa - Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, enquanto o Chega anunciou um debate de urgência para a próxima semana. André Ventura falou em "falhas brutais" e acusou o Governo de ter prometido "uma revolução de eficiência" e entregue "uma revolução de incompetência na gestão da educação em Portugal".
O PSD recusou acompanhar a proposta do Bloco de Esquerda para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, mas garantiu que não levantará obstáculos às audições. "Nós queríamos que tivesse corrido tudo bem. Não correu", reconheceu o líder parlamentar, Hugo Soares, atribuindo os problemas a "vicissitudes várias, que têm sobretudo a ver com problemas técnicos e de matéria informática". Ainda assim, rejeitou "a lógica de fazer política" através de uma comissão de inquérito.
Também o PS e o Chega não fecham essa porta, mas preferem aguardar pelos esclarecimentos do executivo. José Luís Carneiro afirmou esperar que o Governo explique "o que é que está a ser feito para garantir a confiabilidade e a segurança" da avaliação das provas. Se essas respostas forem convincentes, admitiu, a comissão de inquérito "não será necessária". Caso contrário, os socialistas ponderarão apoiar essa solução.
“É um instrumento que não descartamos, mas agora é importante assacar responsabilidades ao Governo e sobretudo dar aos pais e aos professores tranquilidade em relação à gestão do contexto em que estão, e não ao contexto daqui a três meses, quatro, cinco ou seis”, defendeu, por sua vez, André Ventura.
* com Lusa

