Tancos. CDS quer ouvir primeiro-ministro

Centristas entregam lista com 45 nomes de atuais e antigos responsáveis políticos, dos serviços de informações e da segurança interna e militares.

O primeiro-ministro e os ministros da Defesa, Administração Interna e Justiça são quatro das 45 figuras que o CDS quer ouvir em sede da Comissão de Inquérito ao furto de Tancos, soube o DN esta segunda-feira.

Os atuais e anteriores responsáveis máximos da Procuradoria-Geral da República, Lucília Gago e Joana Marques Vidal;das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro e general Pina Monteiro; do Exército, generais Nunes da Fonseca e Rovisco Duarte; dos serviços de informações da República, Graça Mira Gomes e Júlio Pereira; da GNR, tenentes-generais Manuel Couto e Botelho Miguel; da PJ, Luís Neves e Almeida Rodrigues; da PJ Militar (PJM), Paulo Isabel e Luís Vieira (em prisão preventiva) são outros dos nomes elencados pelos centristas para audição naquela comissão de inquérito.

Dessa lista, onde não surgem nem o atual nem o anterior Chefe da Casa Militar do Presidente da República, constam ainda o ex-ministro Azeredo Lopes e os seus chefes de gabinete, tenente-general Martins Pereira e Maria João Mendes, os dois tenentes-generais do Exército que se demitiram em protesto contra o então chefe do Estado-Maior do Exército e os cinco comandantes das unidades militares responsáveis pela segurança dos paióis de Tancos quando se deu o furto, entre outros oficiais do ramo.

O atual assessor militar do primeiro-ministro e o antecessor, major-general Tiago Vasconcelos e vice-almirante Monteiro Montenegro, bem como o ex-porta-voz da PJM, major Vasco Brazão, e outros investigadores desta polícia tutelada pelo ministro da Defesa envolvidos no processo de recuperação das armas também estão na lista dos centristas.

Segundo a lista de nomes apresentados pela ordem com que o CDS os quer ouvir, os dois primeiros serão os generais Faria Menezes (ex-comandante operacional do Exército) e Antunes Calçada (Pessoal) - sendo António Costa o último.

A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, os dois civis já publicamente associados ao furto e recuperação das armas, João Paulino e Paulo Lemos, os três investigadores da GNR de Loulé que foram constituídos arguidos e o seu chefe também foram inscritos na lista do CDS.

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