Marcelo recusa Forças Armadas "ao serviço de jogos de poder"

Nas comemorações do Armistício, o Presidente da República sublinha o papel "insubstituível" das Forças Armadas na "liberdade, segurança e democracia".

"Não toleraremos o uso das Forças Armadas ao serviço de interesses pessoais ou de grupo e de jogos de poder", disse esta manhã o Presidente da República, em Lisboa, nas comemorações do centenário do Armistício da Grande Guerra.

Na Avenida da Liberdade, perante as tropas em parada, Marcelo Rebelo de Sousa condecorou com Ordem de Torre e Espada os três ramos das Forças Armadas (Exército, Marinha e Força Aérea), todos participantes na guerra de 1914-1918. Apresentou esse gesto como "testemunho" da "indelével gratidão" do país aos militares portugueses. O Presidente saudou também a presença de militares estrangeiros no desfile (Reino Unido, França, Alemanha e EUA).

Marcelo - que antes de discursar tinha depositado uma coroa de flores no monumento aos combatentes da Grande Guerra - aproveitou as lições do passado para falar para o futuro. "Não toleraremos que se repita a sangrenta divisão da Europa", "não toleraremos perder a paz ganha com tantas mortes".

Seguiu-se a tal frase, que pode ser lida como um recado sobre a questão de Tancos: "Não toleraremos que se repita o uso das Forças Armadas ao serviço de interesses pessoais ou de grupo, de jogos de poder, enquanto soldados se batiam como hoje se batem todos os dias no centro de África, no norte, leste e sul da Europa, no Golfo da Guiné, pela pátria e pela humanidade."

O Presidente esforçou-se por fazer da sua curta intervenção - menos de cinco minutos - uma veemente homenagem às Forças Armadas portuguesas: "Hoje mais do que nunca queremos celebrar as Forças Armadas. Sem vós, militares de Portugal, sem o vosso prestígio, sem o respeito e admiração pela vossa missão insubstituível não há liberdade, nem segurança, nem democracia, nem paz que possam vingar". E "quem não entendeu isto não entendeu nada do passado do presente e do futuro de Portugal".

Ao mesmo tempo salientou que "hoje mais do que nunca" é necessário "afirmar os valores" que identificam Portugal "como nação na relação fraterna com as nações aliadas e amigas", o primeiro dos quais "é a dignidade da pessoa humana".

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