Marcelo. Estado de emergência mantém-se enquanto pandemia o exigir

Reconhecendo que os portugueses estão cansados "destes nove meses", Marcelo Rebelo de Sousa apelou à calma e à paciência e deixou já o aviso: o estado de exceção não será levantado tão cedo.

O estado de exceção do país durará enquanto a pandemia o exigir. A garantia foi dada esta noite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na declaração ao País em que anunciou a renovação do Estado de Emergência.

Ou seja, este natal deverá ser passado em estado de emergência, uma vez que não se espera que a situação pandémica seja resolvida antes do final do ano.

"Acabo de decretar o estado de emergência das 00:00 do dia 24 de novembro até às 23:59 de 8 de dezembro", afirmou o Presidente da República.

Durante um discurso de cerca de 15 minutos, Marcelo reconheceu que os portugueses estão já cansados de viver com medidas excecionais de confinamento, mas fez questão de alertar que estas são necessárias, mesmo que os seus efeitos possam não ser evidentes.

"Confirmam os especialistas que as medidas demoram cada vez mais a produzir efeitos e quanto mais tarde forem tomadas menos eficazes serão e mais tempo terão de durar", afirmou.

Isto porque, disse: "Apesar de sinais de ligeira descida do indicador de propagação do vírus e de desaceleração do crescimento dos casos em concelhos em que se interveio há mais tempo, sobe o número de mortes, o número de cuidados intensivos, o número de internados em geral e poderá atingir o nível máximo no final de novembro e início de dezembro", afirmou Marcelo.

E uma vez que "dispomos agora de dados mais específicos sobre os casos que permitem juntar às medidas globais medidas ajustadas à situação de grupos de concelhos com graus de gravidade na sua incidência, na gravidade da pandemia", "é provável que uma terceira vaga possa ocorrer entre janeiro e fevereiro e será tanto maior quanto maior for o número de casos um mês antes".

Daí, enfatizou o Presidente, é muito provável a renovação do estado de emergência "de 9 a 23 de dezembro, ou mesmo mais renovações posteriores".

"Que ninguém se iluda, não hesitarei em propô-las para que o Governo disponha de base suficiente para aprovar o que tiver de ser aprovado". "Não hesitarei um segundo" em fazê-lo, reiterou.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu ainda àqueles que estão já cansados de todo este período difícil que o país atravessa que guardem o julgamento para "o fim". "Outro momento haverá, nomeadamente momentos eleitorais", disse, em que esse julgamento poderá ser feito.

Lembrou ainda que a pressão no SNS e no sistema nacional de saúde em geral "vai aumentar nos próximos dias e semanas" e garantiu que "no pensamento de responsáveis políticos como o de todos os portugueses encontra-se presente a brutal pressão que existe sobre o Serviço Nacional de Saúde e mesmo o sistema nacional de saúde em geral".

Até porque, lembrou: "Atingir situações críticas nas nossas estruturas de saúde será dramático para os doentes covid e para os muitos mais doentes não covid".

"Porque há duas realidades evidentes: uma é a vacina, que tem de ser para todos os que a desejarem; e outra é que atingir situações críticas generalizadas nas nossas estruturas de saúde será dramático para os doentes covid e para os muitos mais doentes não covid".

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