Inquérito a Tancos. CDS aponta dedo a Costa, Azeredo Lopes e Rovisco Duarte

O CDS quer apurar as responsabilidades políticas pelo furto em Tancos. Aponta já o dedo ao primeiro-ministro, ao ministro da Defesa e ao chefe do Estado-Maior do Exército na proposta de constituição da comissão de inquérito, que formaliza esta quarta-feira no Parlamento. Defende ainda que é preciso repensar as relações entre o ministério da tutela, os serviços e as forças de segurança. PSD votará a favor.

António Costa, Azeredo Lopes e Rovisco Duarte são as figuras que o CDS visa no pedido de comissão de inquérito ao caso de Tancos, que formaliza esta quarta-feira no Parlamento. Além de "querer apurar tudo sobre o caso", sobretudo as responsabilidades políticas pela falta de segurança nos paióis e posterior gestão do processo, os centristas defendem que a comissão deverá permitir uma reflexão e avaliação sobre o funcionamento do Ministério da Defesa e a sua articulação com os serviços e forças de segurança.

No projeto de resolução para a constituição da comissão, o CDS insiste na gravidade do furto de 28 de junho nos Paióis Nacionais de Tancos, por ter sido o "maior assalto a armamento militar deste século no continente europeu" e manifesta-se "preocupado" que quinze meses depois permaneça por esclarecer o que verdadeiramente aconteceu.

"Apurar quem falhou nas medidas de segurança, por que é que estas falharam, e as razões da gestão de todo este processo cabe primeiramente ao Exército e ao Ministro da tutela desvendar"

"Relativamente ao incidente de Tancos, o Governo procurou, numa primeira fase, desvalorizar o sucedido, depois alegou desconhecimento e, por fim, tentou precipitadamente encerrar o problema, sem retirar as devidas consequências", afirmam os centristas. E acrescentam: "cabe seguramente às autoridades judiciais descobrir quem participou no furto destas armas. Mas apurar quem falhou nas medidas de segurança, por que é que estas falharam, e as razões da gestão de todo este processo cabe primeiramente ao Exército e ao Ministro da tutela desvendar e definitivamente ao Parlamento apurar".

Recordam o facto do primeiro-ministro tal como o próprio Chefe do Estado-Maior do Exército terem garantido ao País, à Assembleia da República e aos países parceiros de Portugal no quadro da Aliança Atlântica e da União Europeia que todo o material furtado havia sido recuperado. "Causa estranheza e perplexidade que num processo sob segredo de justiça aquelas garantias tenham sido dadas pelos responsáveis políticos e pelo máximo responsável operacional do Exército", refere o partido liderado por Assunção Cristas. E insiste que continua também por esclarecer o comunicado da Policia Judiciária Militar, que está na dependência do ministro da Defesa, que informou que tinha recuperado o material furtado e habilitou o poder político e militar a fazer tais afirmações.

O CDS lembra ainda as mais de dez audições parlamentares, entre as quais ao Ministro da Defesa Nacional, ao Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, ao Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), ao/à Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa e à Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna. "E, audição após audição, e perante todas as contradições que têm vindo a público, o País continua sem perceber o que o Governo não sabe - e devia saber: o que o Governo não sabe - e devia saber - porque não quis saber; bem como o que o Governo não sabe porque lhe foi ocultado".

O objetivo da comissão de inquérito, afirma do CDS é apurar tudo sobre o caso de Tancos, mas também que permitir uma reflexão e avaliação sobre o funcionamento do Ministério da Defesa Nacional, assim como das formas de articulação entre as Forças Armadas e as diversas Forças e Serviços de Segurança e órgãos de polícia criminal, com tutelas dispersas em vários ministérios.

O CDS formaliza assim o pedido da comissão de inquérito, que anunciou na passada sexta-feira, dia em que a Policia Judiciária fez várias detenções de militares alegadamente envolvidos no encobrimento do furto e do seu presumível autor. Depois do PS ter dito que não se opunha à comissão, agora é a vez do PSD anunciar que votará a favor da mesma. O líder parlamentar social-democrata, Fernando Negrão anunciou esta manhã de quarta-feira que apoiará a iniciativa dos centristas.

"Para além da questão judicial, ou seja, da procura dos indícios da prática de crimes - que cabe ao Ministério Público e, depois, aos tribunais -, esta comissão de inquérito pode apurar os procedimentos das instituições ligadas ao caso, designadamente, da própria Polícia Judiciária Militar, da Guarda Nacional Republicana e do Ministério da Defesa. O que fizeram - ou o que não fizeram - para que estas coisas acontecessem? Nesse plano, tirar as devidas consequências", afirmou Fernando Negrão à TSF.

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