Explosivos capazes de descarrilar comboios andam à solta

Material furtado em Tancos ainda não foi todo recuperado e põe em causa a segurança nacional. Marcelo exige "esclarecimento cabal"

Ainda há explosivos roubados em Tancos à solta, material capaz de fazer descarrilar um comboio ou rebentar portas de carrinhas blindadas. A informação é avançada hoje na manchete do Expresso, que cita um documento do Ministério Público, onde se diz que este armamento pode ser usado em atentados terroristas e que este caso ainda põe em risco a segurança nacional.

Num recurso para o Tribunal da relação de Lisboa, datado de março deste ano, os procuradores elencam o material que ainda está à solta: há ainda 30 cargas de explosivos - usadas para explosões cirúrgicas e controladas-, três granadas ofensivas, duas granadas de gás lacrimogéneo e um disparador de descompressão desaparecidos, cita o Expresso.

Segundo o semanário, para poder manter sob escuta seis suspeitos do assalto a Tancos, os procuradores do Ministério Público encarregados da investigação revelaram num recurso que, "ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército e pelo Ministério da Defesa, ainda há granadas e explosivos que não foram devolvidos. O material de guerra pode ser usado em atentados terroristas ou para arrombar portas blindadas, e o MP diz mesmo que a segurança nacional está em perigo enquanto os assaltantes não forem capturados".

Material pode ser utilizado na execução de crimes relacionados com as formas de criminalidade violenta ou mesmo atos terroristas, nomeadamente explosões de ATM, ataques com explosivos a carrinhas de valores ou a execução de atentados terroristas

O MP detalha que este material pode ser utilizado "na execução de crimes relacionados com as formas de criminalidade violenta ou mesmo atos terroristas, nomeadamente explosões de ATM, ataques com explosivos a carrinhas de valores ou a execução de atentados terroristas, como tem sucedido recentemente em vários pontos da Europa". Factos que constam de uma nova exposição num segundo acórdão decidido em maio pelos desembargadores da Relação.

"Instituições e investigação estão em causa"

A 18 de outubro passado, a Polícia Judiciária Militar comunicou ter recuperado, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado da base de Tancos no final de junho, à exceção das munições de 9 milímetros. Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado.

No final desse mês, o chefe do Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte, garantiu que o material furtado de Tancos em junho de 2017 estava armazenado nas instalações de Santa Margarida, exceto as munições de nove milímetros. O próprio ministro da Defesa se mostrou, na altura, satisfeito com a recuperação do material de guerra.

Mas agora, fontes próximas de Belém dizem ao Expresso que, a confirmarem-se as informações do Ministério Público, "estão em causa instituições e a própria investigação". O Presidente da República já disse estar preocupado com as novas informações e pediu esclarecimentos.

"O Presidente da República reafirma, de modo ainda mais incisivo e preocupado, a exigência de esclarecimento cabal do ocorrido com armamento em Tancos", lê-se na nota publicada na página da Internet da Presidência. Uma reação à manchete deste sábado do semanário Expresso: "Ainda há explosivos de Tancos à solta."

Na nota, o presidente, que por inerência é o Chefe Supremo das Forças Armadas, diz ter "a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos Portugueses, dos resultados dessa investigação. Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização".

PSD e CDS querem explicações

O PSD exigiu hoje esclarecimentos urgentes sobre a existência de material militar furtado de Tancos ainda por localizar e promete confrontar, na terça-feira, o ministro da Defesa com este assunto.

O CDS-PP espera que "ainda hoje" o Ministério da Defesa e o Exército se pronunciem. "Quando temos informação de que ainda há granadas à solta e a informação que foi prestada à Assembleia da República e à Presidência da República é uma informação que não está correta, ficamos muito preocupados sobre o verdadeiro acompanhamento que está ser feito deste caso pelo Exército", afirmou João Rebelo.

O furto de material militar de Tancos - instalação entretanto desativada - foi detetado a 28 de junho durante uma ronda móvel, pelas 16.30, por um sargento e um praça ao serviço do Regimento de Engenharia 1. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.

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