Cristas quer que MP investigue declarações de Costa e Azeredo sobre Tancos

A líder do CDS considera ser "muito importante que seja esclarecido se houve ou não falsas declarações com relevância para este processo".

O CDS-PP propôs este sábado que o parlamento envie ao Ministério Público as declarações do ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes e do primeiro-ministro, António Costa, sobre o caso Tancos, para saber se houve "falsas declarações".

Numa conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, a presidente do partido, Assunção Cristas, questionou se o presidente da Assembleia "já garantiu que todas as declarações prestadas no parlamento", tanto de Azeredo Lopes como de António, "foram entregues ao Ministério Público".

"É muito importante que seja esclarecido se houve ou não falsas declarações com relevância para este processo", afirmou Cristas. Acrescentou que, em último recurso pode ser o partido a pedir, não tendo dúvidas de que houve declarações contraditórias entre Azeredo e Costa em todo o processo do furto de material militar do paiol de Tancos, em 2017.

E porque, no seu entender, depois da acusação pelo Ministério Público de Azeredo Lopes, o "assunto está longe de estar esclarecido", a presidente do CDS desafiou, uma vez mais, o primeiro-ministro a, "de uma vez por todas, vir esclarecê-lo".

Em termos de iniciativas, a líder dos centristas anunciou ainda a sua intenção de apoiar uma segunda comissão de inquérito parlamentar, após as eleições de 6 de outubro. Assunção Cristas acrescentou que o seu partido "participará ativamente" na reunião da comissão permanente da Assembleia da República, sugerida pelo PSD.

Para o CDS, hoje "tudo indica que o ministro [Azeredo Lopes] não só soube do 'achamento', mas que participou ativamente em todo o processo de encobrimento, desobedecendo a uma ordem da PGR [Procuradoria-Geral da República] - de cujo protesto da PGR o primeiro-ministro assumiu que teve conhecimento".

A resposta de Costa à comissão de inquérito, "agora não serve" e Cristas questiona se mantém a resposta que deu, por escrito: Azeredo Lopes "desempenhou com lealdade as funções de ministro da Defesa Nacional, transmitindo-me sempre, em todos assuntos, a informação que considerou relevante ou que eu solicitei".

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